<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638</id><updated>2012-02-21T10:18:16.775-08:00</updated><category term='Cabelo crespo'/><category term='A merda do ônibus esta sempre lotado'/><category term='Epistemicídio'/><category term='Esculpindo o meu homem preto'/><category term='Festa de São Benedito - Tietê'/><category term='Quatro décadas do assasinato de Fred Hampton e Marck Clark'/><category term='O feminismo negro como perspectiva'/><category term='música preta'/><category term='Tell me your favorite song'/><category term='Corinne Bailey Rae'/><category term='Produção Intelectual de Mulheres Negras'/><category term='Campanha REAJA'/><category term='Rainha por um dia'/><category term='Hotentote'/><category term='Das ruas para a casa'/><category term='Se essa rua se essa rua fosse minha'/><category term='Diversidade e Diferença'/><category term='Coisas de Jaqueline'/><category term='Estatuto da Igualdade Racial'/><category term='O RAP'/><category term='Eu na universidade'/><category term='20 de novembro'/><category term='Subjetividade'/><category term='Consciência Negra'/><category term='DJ KL Jay'/><category term='Obama e Anastácia'/><category term='Eventos'/><category term='Haiti'/><category term='Steve Biko'/><category term='13 de maio?'/><category term='Michael Jackson'/><category term='RAP Futurista'/><category term='Mulheres Negras'/><category term='Sinto saudades não sei do que...'/><category term='O Natal e a exploração da fé do povo'/><title type='text'>O Blog da Preta</title><subtitle type='html'>“Enquanto os leões não tiverem seus próprios historiadores, as histórias de caça continuarão a glorificar os caçadores” (Ki-Zerbo)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>35</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-4898843556312488977</id><published>2011-09-25T09:54:00.000-07:00</published><updated>2011-09-25T10:07:45.478-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festa de São Benedito - Tietê'/><title type='text'>Festa de São Benedito em Tietê: Patrimônio Imaterial da Comunidade Negra?</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Jaqueline Lima Santos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Mestranda em Ciências Sociais pela UNESP- Marília&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;a href="mailto:Santos.jaquelinelima@gmail.com"&gt;Santos.jaquelinelima@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Segundo Luca (2010), a cidade de Tietê concentrou, no Brasil Império, inúmeras fazendas de café, nas quais trabalhavam um número significativo de negros, estes que em 1868 ajudaram a construir, junto às famílias de fazendeiros, a capela que até os dias de hoje é utilizada para devoção a São Benedito. No dia 05 de julho do mesmo ano é fundada a Irmandade de São Benedito. Após a abolição, as famílias ex-escravizadas resolveram manter-se na região, preservando suas tradições religiosas e culturais que antecedem o fim da escravidão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-pagination: widow-orphan; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;No período de escravidão, negros eram proibidos de praticar suas diversas manifestações culturais, porém, achavam maneiras de exercê-las. Entre os espaços que encontravam brechas para manifestá-las estavam nas festas católicas, momento de sociabilidade dos brancos em que os negros poderiam participar, e nos quais aproveitavam para exercer, recriar e fortalecer seus elementos culturais (COUTO, 2008). Isso explica a existência secular de festas católicas populares entre comunidades negras que antecedem a abolição em 1888.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-pagination: widow-orphan; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;No Brasil, segundo Cavalcanti e Gonçalves (2010), a maioria das festas populares encontraram abrigo no calendário católico, no qual se incorporaram diversas tradições étnicas e culturais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-pagination: widow-orphan; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Na sua 142ª edição em 2010, a Festa de São Benedito em Tietê acontece anualmente, todas as ultimas semanas do mês de setembro, com diversas atividades em celebração a São Benedito. São Benedito é um dos poucos santos negros consagrados pela igreja católica. Filho de negros escravizados que mais tarde foram libertos, São Benedito viveu entre irmãos eremitas de São Francisco de Assis, e é sempre lembrado por sua humildade, sabedoria e solidariedade, além de ser considerado o santo protetor do povo negro. Os cultos religiosos associados a São Benedito estão entre os mais populares no Brasil.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-pagination: widow-orphan; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;É uma semana de celebração a São Benedito, com atos simbólicos em sua homenagem, como o repique dos sinos da igreja matriz de São Benedito e estocar de rojões, novenas, bênçãos, missas, levantamento de mastros, e no ultimo dia a festa é aberta com missa festiva das irmandades, atividades culturais espalhadas pela cidade, finalizada com uma procissão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-pagination: widow-orphan; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A cidade de Tietê, ao longo de sua história, recebeu a comunidade negra de diversas localidades do estado de São Paulo, e de outros estados do Brasil para celebrar o santo negro. Famílias negras se reuniam em excursões para ir celebrar o seu santo protetor, participando da missa e criando suas rodas de samba pelas ruas da cidade. Hoje a festa recebe cerca de 40 mil visitantes, e a cidade é tomada por manifestações da cultura negra como o samba, rap, samba rock, r&amp;amp;b, charme, e a clássica roda de batuque, que vira a noite do sábado para o domingo no barracão da igreja católica do bairro Santa Cruz, localizado no subúrbio da cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-pagination: widow-orphan; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Por seu impacto social, político, cultural e econômico esta festa integra o calendário turístico da Secretaria de Esporte e Turismo do Estado de São Paulo através da lei nº 1162, de 2003, tendo seu parecer favorável pelas Comissões de Justiça e Esportes em 2005.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Um olhar sobre a Festa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Pretendo fazer, neste tópico, um relato etnográfico das minhas primeiras impressões sobre a Festa de São Benedito. Clifford Geertz (1989) afirma que a etnografia é uma descrição densa, ou seja, “fazer etnografia é como tentar ler um manuscrito estranho, desbotado, cheio de elipses, incoerências, emendas suspeitas e comentários tendenciosos, escritos não com os sinais convencionais do som, mas com exemplos transitórios de comportamento modelado”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Era sábado, 27 de setembro de 2003. Estávamos eu e algumas amigas da cidade de Sorocaba no costumeiro &lt;i&gt;ritual&lt;/i&gt;&lt;a href="file:///C:/Users/Jack/Documents/Mestrado/paper%20conlab.doc#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; que eu já acompanhava há alguns anos, mas que não participava, e que, neste ano, por curiosidade que se tornava cada dia mais intensa, resolvi participar. Era o ritual preparatório para a Festa de São Benedito que se finaliza todo último domingo do mês setembro na cidade de Tietê, interior de São Paulo, com missa e procissão em celebração ao santo negro e um expressivo festejo que toma as ruas da cidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um mês antes da festa se iniciava a venda das passagens em excursões familiares, comunitárias, das irmandades religiosas, grupos de jovens, entre outros. Os próximos dias eram acompanhados de grandes expectativas em relação à viagem que não durava mais do que uma hora e trinta minutos. Havia todo um planejamento para o passeio: cabelo, roupa, instrumentos, ornamentos religiosos e alimentação.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No sábado, quando estava reunida com as minhas amigas, a preocupação era com uma estética que desse ênfase a sua negritude: o que fazer com o cabelo, qual tipo de roupa usar. Já a de seus pais era com os possíveis atrasos que poderiam atrapalhar o acompanhamento da missa, com a alimentação e com a presença dos filhos na procissão, já que os jovens, em sua maioria, costumavam não participar dos rituais religiosos da festa e se espalhavam pelas rodas de samba, entre as multidões em frente aos palcos de apresentações e discotecagem musical, circulavam de cima a baixo&amp;nbsp; na cidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Domingo pela manhã, 28 de setembro, aproximadamente 7h00, inúmeros ônibus se acumulavam em frente ao Terminal Santo Antônio, centro de Sorocaba, tendo com destino a cidade de Tietê. Além desses, diversas excursões saiam de comunidades e igrejas católicas. Onde havia pontos de encontro rumo à festa algumas coisas eram comuns: famílias reunidas, uma maioria de pessoas negras com cabelos trançados, Black Power e dreads, instrumentos de percussão, caixa de isopor, samba como repertório musical.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A festa se iniciava com a partida dos ônibus, onde os instrumentos, os corpos e as vozes inauguravam sua funcionalidade do dia: cantar, dançar e celebrar a São Benedito. Na estrada os ônibus se cruzavam aos montes, formavam fileiras, pessoas se cumprimentavam pelas janelas e, nas paradas realizadas em uma viagem tão curta, formavam-se rodas de samba e começavam os intercâmbios entre excursionistas de várias cidades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ao chegar à cidade percebo uma multidão de pessoas, sendo a maioria negras e negros, espalhados pelas ruas, diversos ônibus e outros tipos de transporte coletivo procuravam um lugar para estacionar. Não havia outro espaço para receber os romeiros além da igreja. A praça, a rua e a beira do rio formavam o ambiente da festa, todos os comércios, com exceção de alguns bares, estavam de portas fechadas. Não haviam restaurantes e lugares organizados para nos receber, o que me fez entender a preocupação das pessoas em preparar a alimentação antes da viagem. Alguns armavam churrasqueiras nas calçadas, outros carregavam suas bebidas em caixas de isopor, além de quem aproveitava a festa para ganhar dinheiro vendendo bebida de forma ambulante ou montando suas barraquinhas clandestinas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A cada esquina havia uma roda de samba, identifiquei a praça central como ponto de encontro principal. Na beira do rio encontravam-se palcos nos quais discotecavam algumas equipes de som e se apresentavam grupos de RAP. As pessoas subiam em direção à praça e desciam em direção aos palcos, formando, nas ladeiras, pontos de encontro onde os jovens aproveitavam para conhecer novas pessoas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Percebi também que os apartamentos da região central ficavam com janelas fechadas, pareciam estar vazios. Fiquei sabendo posteriormente, por uma moradora da cidade, que era costume entre os moradores locais se retirar de Tietê no dia em que estava prevista a celebração para São Benedito, pois as pessoas “não gostavam do festejo e nem do tipo de turistas que o freqüentam”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi expressiva para mim, naquele momento, a forma como os turistas, especialmente os jovens, destacavam elementos que os faziam sentir-se mais negros, seja através dos cabelos, das músicas, das danças e das vestimentas que faziam referências ao universo do samba e do Hip Hop. Era uma multidão de pessoas negras afirmando sua identidade em um mesmo espaço, expressando elementos escondidos no cotidiano, talvez pelos seus ambientes de trabalho ou convivência em espaços que valorizam outro tipo de estética. A disputa pela beleza em Tietê tem como referência os cabelos crespos, os modelos de trança, os dreads, e a cor da pele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Outro fator interessante é que aqueles que identifiquei como brancos estavam, em sua maioria, com os cabelos trançados, e se vestiam de acordo com o predominante na festa. Parecia-me, para os jovens negros, que uma das importâncias da festa era a de se sentir maioria. Ali era, em todos os sentidos, um espaço para ser e afirmar-se como negro sem nenhum receio disto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ao observar a festa e entrar nas rodas de diálogo, percebi que a maioria dos jovens romeiros não fazem nenhuma discussão sobre identidade e a questão do negro no Brasil, e não demonstram saber da história que os levou até ali, sobre a tradicional ida das famílias e a continuidade que estão dando a este processo. O importante para eles é afirmar, através da estética, ser negro. Ao conversar com as pessoas mais velhas percebo que há outra compreensão sobre “estar na festa” todos os últimos domingos de setembro, pois eles conseguem fazer uma ligação entre o espaço, tempo, crença e família.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A cada passo fui me impressionando com a dimensão da festa, contaria, naquele momento, cerca de 60 mil pessoas, porém, dados da prefeitura apontam para um fluxo de 40 mil turistas na cidade, mais do que o total da população local, aproximadamente 37 mil habitantes&lt;a href="file:///C:/Users/Jack/Documents/Mestrado/paper%20conlab.doc#_ftn2" name="_ftnref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O que me impressionou também foi o fato da festa não auferir recursos financeiros necessários para receber este número de turistas, o que deixa a cidade deteriorada após a celebração. A administração local não conseguiu investir, nestes anos de festa, R$1,00 por cada visitante recebido, segundo depoimentos de participantes do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Tietê. O número de banheiros eram insuficientes, não haviam serviços de alimentação regulares, a segurança também não era organizada. A falta de investimento alimentava o argumento dos moradores locais de que aquele “bando de negros estão chegando para destruir a cidade”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No período da manhã fui até a Igreja de São Benedito e percebi que boa parte dos festeiros não chegavam até ali. Neste templo encontra-se uma unha de São Benedito que foi trazida da Sicília séculos após a sua morte (1568), em 1971. Ela fica dentro de um medalhão que circula com o sacerdote nos dias da festa para abençoar os fiéis (LUCA, 2010). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Também fui à procissão e não visualizei mais do que 5 mil pessoas acompanhando o cortejo, no qual aparecem os seguintes elementos:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 106.2pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="color: #231f20; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O Guião da Irmandade: É uma grande cruz preta que abre o cortejo, é ornada de uma Bandeira Branca, triangular, terminada em dois cordões que os irmãos (meninos) seguram a fim de que a bandeira não desfralde ao vento. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 106.2pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="color: #231f20; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O Quadro do Menino Jesus: revive a devoção de São Benedito por Deus e o grande amor que o santo edicava às crianças. Atrás do andor seguem as meninas de até 5 anos, usando vestidos longos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 106.2pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="color: #231f20; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Os Sete Dons do Espírito Santo: referem-se às graças da 3ª Pessoa que sempre estava com ele, iluminando-o para que se colocasse acima dos teólogos e doutores que dele se aproximavam. É representado por uma andor levando uma pombinha e do qual saem 7 fitas vermelhas, sendo as pontas seguras por meninas, vestidas de&amp;nbsp; branco, envoltas em faixas com inscrição dos dons. Quadro de Santa Úrsula e suas Companheiras: Lembra a devoção por Santa Úrsula.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 106.2pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-align: justify; text-autospace: none;"&gt;&lt;span style="color: #231f20; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;As Duas Coroas de São Benedito: Representam a obediência e a caridade, características que marcaram a vida do Santo. (LUCA, 2010)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-layout-grid-align: none; text-autospace: none;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Este dia me despertou diversas reflexões e, nos anos posteriores, até 2010, só faltei uma vez a esta celebração. Os questionamentos se multiplicaram quando, em 2004, ao chegar na cidade, ouvi os boatos de que a festa iria acabar. No ano seguinte, 29 de setembro de 2005, fomos recebidos pelas portas dos fundos da cidade. A prefeitura terceirizou a organização da festa e, na tentativa de retirar a festa da região central onde é localizada a igreja de São Benedito, a deslocou para a beira da rodovia, um local chamado FAIT onde são realizados outros locais. Nenhum ônibus entrava dentro da cidade, todos paravam em um estacionamento organizado ao lado da rodovia, e a idéia era que os romeiros festejassem naquele espaço onde foram armados dois palcos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O que me impressionou neste ano foi o fato de que mesmo a festa tendo sido deslocada para o outro lado do rio, na beira da rodovia, as pessoas ocuparam os mesmos espaços dos anos anteriores, atravessaram a ponte e se deslocaram para a praça central. Parecia-me que o evento tinha ficado ainda maior, e via-se milhares de pessoas circulando de um lado a outro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Embora seja um espaço que consegue mobilizar um número significativo de turistas, arregimentados, há mais de um século, pela celebração a São Benedito, considerado santo protetor do povo negro, e de fazer florescer, naquele momento, a identidade dos mesmos, o espírito expresso durante a festa parece ser limitado no cotidiano das pessoas. Para exemplificar este argumento, reproduzo o diálogo realizado entre duas jovens negras, e que já vi se repetir de diversas formas, no dia 28 de setembro de 2004, as 21h00, horário de retorno do festejo:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;RB – Tenho que chegar em casa e esquentar o pente, amanhã é dia de labuta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;BN – Verdade, tenho que arrumar a cabeça senão o chefão me manda embora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;RB – Hahaha, ano que vem tem mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Depois disso subiram no ônibus e eu tive a sensação de que o “dia dos pretos” tinha acabado. Logo, um amigo militante me respondeu: “- Tem uma poesia do Solano Trindade que diz que as mulheres negras têm, no carnaval, um dia de rainha, e o resto do ano são escravas”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A partir de 2006 ativistas dos Movimento Negro, Conselho da Comunidade Negra local, e integrantes dos Clubes Negros da cidade se reorganizam preocupados com os rumos da festa. Pela falta de investimentos e cuidados com a celebração nos últimos anos, a festa tem se tornado cada dia mais deteriorada. O objetivo apontado era o de valorizar a festa, politizar o público e criar estrutura para a sua continuidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Após acompanhar a festa durante estes anos descritos, surgiu a preocupação com os temas que ela suscita, os agentes que ela envolve, e, principalmente, de como pensar continuidade em um espaço em que não se tem investimento, pouco planejamento, frente o impacto que tem na cidade. Por isso, tenho pensado a dimensão intangível da festa e em como constituir um trabalho que possa torná-la reconhecida como “patrimônio imaterial” com o objetivo de salvaguardá-la.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Segundo Cavalcanti e Gonçalves (2010), as reivindicações referentes ao patrimônio imaterial envolvem identidade, experiência social, memória compartilhada e narrativa história.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Cultura, Festa, Patrimônio e imaterialidade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;A antropologia clássica desenvolveu diversos estudos sobre comunidades com valores, tradições, crenças e modos de vida diferenciados e distantes da realidade vivida no Ocidente. Era tratado como objeto de estudos sempre o “outro”, o “diferente”, o “distante”. Com as grandes navegações, a colonização, a imigração e a globalização, as fronteiras geográficas foram ficando cada vez menores, e a diversidade que habita o mundo cada vez mais próxima. O contato entre diferentes povos deu nova forma as culturas locais, não através de um processo de aculturação, mas de ampliação de seus elementos simbólicos a partir da interação com o novo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Segundo Marshall Sahlins (1993), a cultura é uma capacidade singular da espécie humana de organizar as experiências e as ações através de símbolos. Cultura não é a matéria, mas é a forma como o ser humano estabelece suas relações com o mundo, seja ele material ou imaterial.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A não interpretação de cultura como meio simbólico leva a erros perigosos na prática antropológica; um desses erros foi a busca incessante das diferenças entre as sociedades humanas como um único fim da antropologia. A antropologia, devido a tradição de pesquisas que tinham como perspectiva a diferença e a categorização dos grupos humanos, enfrentou uma em crise enquanto disciplina na segunda metade século XX, na qual &amp;nbsp;havia a crença de que&amp;nbsp; as chamadas “culturas primitivas”, no contato com o mundo globalizado, estariam por desaparecer e, logo, a antropologia não teria mais sobre o que se debruçar. Mero engano, exatamente por ser a “organização da experiência e das ações humanas por meios simbólicos” a cultura não pode ser um objeto em vias de extinção, pois no contato com o novo as culturas locais podem não permanecer as mesmas, porém, ganham novos elementos que dinamizam a sua existência.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Essa ênfase na cultura como instrumento de diferenciação das diversas sociedades humanas surge exatamente para justificar o contexto colonial em que a disciplina estava inserida, pois, ao demarcar as diferenças, sustentava um grau de evolução que justificava a “missão civilizadora” que iria salvar os povos ditos “atrasados”. Sahlins (1993) aponta que cultura, sobre a leitura evolucionista, seria base de sustentação do colonialismo com o objetivo de diferenciar para dominar os povos não ocidentais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 71.15pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O conceito antropológico de cultura nunca poderia ter sido inventado se não houvesse um teatro colonial que, ao mesmo tempo, tornasse necessário um conhecimento das culturas (com o propósito de controle e dominação) e fornecesse povos colonizados especificamente administráveis pela noção de cultura. Sem o colonialismo, a cultura não poderia ter sido ao mesmo tempo (e com tanto êxito) organizada e organizadora, dada na natureza e regulada pelo Estado. Não apenas muito daquilo que chamamos “cultura” foi produzido pelo encontro colonial, como o conceito mesmo de cultura foi em parte inventado por causa desse encontro” (Dirks, 1992)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 71.25pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Primeiro a diferenciação cria as categorias superior/inferior, civilizado/atrasado, depois as categorias são utilizadas como base das relações de dominação, desconsiderando a realidade concreta e a capacidade de diferentes sociedades em dinamizar a relação entre o velho e o novo sem sobrepor um ao outro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Marshall Sahlins (1993) crítica o fenômeno de aculturação e afirma esse processo não existe, nem mesmo a extinção de uma cultura. O que existe no contato com novos valores e práticas sociais é a &lt;i&gt;intensificação cultural&lt;/i&gt; da comunidade local, ou seja, o “desenvolvimento simultâneo de um integração global e uma diferenciação local” onde os novos elementos apresentados servem para fortalecer a cultura de um grupo que dá a eles uma dinâmica e interpretação própria. Sahlins (1993) crítica as antropologias que negam a autonomia cultural dos grupos localizados e diz que quando fazem isso se portam “muito semelhantes ao colonialismo que elas, justificadamente, condenavam”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Fazer uma leitura de que esses processos culturais ganham novas dinâmicas e sentidos não significa ignorar a exploração e violência vivenciados por diferentes sociedades no período de colonização, e sim reconhecer que não é unicamente o fenômeno da globalização que interfere nas comunidades locais, mas que elas também oferecem elementos para a interpretação do mesmo, realizando assim o que Sahlins chama e já apresentei acima de &lt;i&gt;intensificação cultural. &lt;/i&gt;Por mais violenta que tenha sido a colonização esses grupos não eram coisas, eram sujeitos capazes de organizar simbolicamente os novos elementos impostos ou não no contato com o colonizador.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 72.75pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 72.85pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;O que se segue, portanto, não deve ser tomado como um otimismo sentimental, que ignoraria a agonia de povos inteiros, causada pela doença, violência, escravidão, expulsão do território tradicional e outras misérias que a “civilização” ocidental disseminou pelo planeta. Trata-se aqui, ao contrário, de uma reflexão sobre a complexidade desses sofrimentos, sobretudo no caso daquelas sociedades que souberam extrair, de uma sorte madrasta, suas presentes condições de existência. (SAHLINS, 1993, P. 53).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não há motivos para a antropologia entrar no pessimismo sentimental em relação ao seu campo de estudo. A cultura não é um objeto em vias de extinção, ela se renova, ganha novos elementos e cabe aos antropólogos de hoje traçar métodos para atender os novos paradigmas dos estudos sobre a cultura. Há um campo vasto para ser estudado, mas antes de tudo ele precisa ser reconhecido além do fenômeno global, levando em consideração as especificidades locais, como os diferentes grupos estão inseridos, interpretam e realizam suas práticas nele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 72.0pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;As culturas supostamente em desaparecimento estão, ao contrário, muito presentes, ativas, vibrantes, inventivas, proliferando em todas as direções, reinventando seu passado, subvertendo seu próprio exotismo, transformando a antropologia tão repudiada pela crítica pós-moderna em algo favorável a elas, ‘reantropologizando’, se me permitem o termo, regiões inteiras da Terra que se pensava fadadas à homogeneidade monótona de um mercado global e de um capitalismo desterritorializado [...]. Essas culturas, tomadas de um novo ímpeto, são fortes demais para que nos demoremos sobre nossas infâmias passadas ou nosso atual desalento. O que se carece é de uma antropologia disposta a assumir seu formidável patrimônio e a levar adiante suas muitas e valiosas intuições. (LATOUR 1996:5 apud SAHLINS, 1997, P. 53)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 72.0pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify; text-autospace: ideograph-numeric;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;Sahlins (1993) afirma que por mais limites que a colonização tenha colocado para os grupos que oprimiu não podemos negar que “esses grupos construíram suas próprias contraculturas, para além e por vezes no interior mesmo dos contextos diretos de sua servidão”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A concepção de cultura de Sahlins, ao colocar os sujeitos como agenciadores, elucida como, diante de tantas dificuldades, continua, há 143 anos, existindo a Festa de São Benedito em Tietê, com ou sem estrutura, aceita repudiada por parcela da população local. É a dimensão simbólica que torna presentes corpos humanos para constituir a materialidade da festa todos os últimos domingos de setembro, pois essa tradição encontra-se na memória, e o espaço é uma das referências que a constitui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 36.0pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;Segundo Lowental (1998) a memória é uma fonte fundamental da identidade pessoal e a sua perda priva a vida de significados. Toda a consciência é a soma de todas as nossas experiências e momentos, e os fatos passados sobrevivem nos registros escritos e nas lembranças humanas: “relembrar o passado é crucial para a nossa identidade: saber o que fomos confirma o que somos” (LOWENTAL, 1998, P. 83).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-left: 108.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-left: 108.0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A natureza subjetiva da memória torna-a um guia a um só tempo seguro e dúbio para o passado. Sabemos quando temos uma lembrança, e seja ela verdadeira ou falsa, essa memória relaciona-se de alguma forma ao passado. Até um equívoco da memória envolve recordação, ainda que distorcida, de alguma coisa; nenhuma memória é totalmente enganosa. Na verdade, uma falsa recordação na qual se crê firmemente torna-se um fato por si só. (LOWENTAL, 1998, P. 87)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;É importante refletir que embora a memória tenha grande peso quando nos referimos a continuidade, não significa que algumas manifestações culturais tenham que sobreviver somente de forma autônoma, sendo desconsideradas suas importâncias. Vivemos, neste início do século XXI, um momento em que a política de reconhecimento do Estado brasileiro se amplia, elemento que pode dar peso para um fenômeno com o alcance da Festa de São Benedito. O caminho seguido por outras manifestações culturais afro-diaspóricas no Brasil, rumo ao tombamento como patrimônio imaterial, pode contribuir para a salvaguarda deste fenômeno de forma digna, deixando de perpetuar as mesmas dificuldades estruturais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 150%;"&gt;Segundo a UNESCO, define-se como patrimônio imaterial "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural." Ainda, segundo o IPHAN, “o patrimônio imaterial é transmitido de geração em geração e constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana”.&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A patrimonialização vem sofrendo algumas transformações no Brasil como consequência da inclusão das categorias intangível e imaterial nas políticas de tombamento, agregando uma dimensão interna a idéia de patrimônio que tem como referência “saberes, ofícios, festas, rituais...”.&amp;nbsp; A inclusão da imaterialidade desloca o Estado como único executor das políticas de patrimônio, tendo este que reconhecer atores sociais que reivindicam elementos que se voltam não para uma identidade nacional, mas para grupos sociais específicos, ligados a origem étnica, profissional, religiosa, entre outros. &amp;nbsp;Cavalcanti e Gonçalves (2010) defendem que ao trazermos a contribuição da antropologia sobre o que se entende por cultura para este campo, neste momento em que seu objeto de análise deixa de ser somente o elemento externo, mas também o interno, pode-se compreender os patrimônios não somente como representantes e expressões dos grupos sociais, mas como elementos que os constituem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A Festa, segundo Cavalcanti e Gonçalves (2010), pode se considerada um fenômeno intangível ou imaterial, mesmo tendo sua experiência concreta no espaço e no tempo. Ela não é uma instituição autônoma, e sim uma “atividade ritual”. Para os autores “a natureza cíclica e simbólica da festa e seu forte apelo aos sentidos humanos estão na base de sua notável dimensão estética e da sua capacidade de resistência à usura do tempo” (CAVALVANTI; GONÇALVES, 2010, P. 260).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; mso-pagination: widow-orphan; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A Festa de São Benedito cria hoje uma demanda, através de alguns ativistas do movimento negro, para o seu reconhecimento enquanto patrimônio imaterial, o que daria subsídios para a preservação da memória e tradição da comunidade negra que a criou, reinventou e continua lhe dando vida nos últimos domingos de setembro de todos esses anos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Referências Bibliográficas:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;CAVALCANTI, Maria Laura V. de Castro; GONÇALVES, José Reginaldo S. Cultura, Festas e Patrimônios. In: Horizontes das Ciências Sociais no Brasil: Antropologia. Luiz Fernando Dias Duarte (org.). São Paulo: ANPOCS, 2010, P. 258-292.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;COUTO, Edilece Souza. Devoções, Festas e Ritos: Algumas Considerações. Dossiê Identidades Religiosas e História. Revista Brasileira de História das Religiões – Ano I, no. 1, 2008.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 150%;"&gt;GEERTZ&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 150%;"&gt;, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;LOWENTAL, David. “Como Conhecemos o passado. In: Projeto História”. In: Trabalhos da Memória. Revista do Programa de Pós Graduados em História da PUC/SP, São Paulo, EDUC, n.17, Nov. 98, pp. 63 - 201.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;LUCA. Tânia de. “O Santo Camponês: A Festa de São Benedito em Tietê. In: Terceiro Milênio. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Informativo mensal da Igreja Católica em Sorocaba e Região, Setembro 2010 , ano 12, &amp;nbsp;nº 143.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;MAGNANI, Jose Guilherme Cantor . Santana de Parnaíba, memória e cotidiano. In: Regina Abreu; Mário de Souza Chagas; Myrian Sepúlveda dos Santos. (Org.). Museus, coleções e patrimônios: narrativas polifônicas - Coleção Museu, Memória e Cidadania (DEMU/IPHAN/MinC. 1 ed. Rio de Janeiro: Garamond Universitária Ltda, 2007, v. 3, p. 283-323.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;MALINOWSKI, Bronislaw. Os argonautas do Pacífico Ocidental. São Paulo: Ed. Abril, 1978.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; position: relative; top: -1.5pt;"&gt;SAHLINS, Marshall. O "pessimismo sentimental" e a experiência etnográfica: por que a cultura não é um "objeto" em via de extinção (parte I). Mana, Abr 1997, vol.3, no.1, p.41-73.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br clear="all" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;hr size="1" style="text-align: left;" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;a href="file:///C:/Users/Jack/Documents/Mestrado/paper%20conlab.doc#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt; &lt;/span&gt;Parto da perspectiva de Geertz de que os rituais são expressão concreta de um sistema de significados compartilhados por um grupo, a junção do mundo imaginado ao mundo vivido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn2"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;a href="file:///C:/Users/Jack/Documents/Mestrado/paper%20conlab.doc#_ftnref2" name="_ftn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Informações disponibilizadas no portal da cidade: &lt;a href="http://www.tiete.sp.gov.br/"&gt;www.tiete.sp.gov.br&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-4898843556312488977?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/4898843556312488977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2011/09/festa-de-sao-benedito-em-tiete.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/4898843556312488977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/4898843556312488977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2011/09/festa-de-sao-benedito-em-tiete.html' title='Festa de São Benedito em Tietê: Patrimônio Imaterial da Comunidade Negra?'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-1389549999843543353</id><published>2011-06-06T19:53:00.000-07:00</published><updated>2011-06-06T20:13:16.912-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Steve Biko'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Consciência Negra'/><title type='text'>Refletindo sobre a definição de "consciência negra" do Steve Biko</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-22haBIS02Ns/Te2Sn7jsWEI/AAAAAAAAAJ8/MPGYgwk65Ks/s1600/tombiko.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-22haBIS02Ns/Te2Sn7jsWEI/AAAAAAAAAJ8/MPGYgwk65Ks/s320/tombiko.jpg" width="313" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;É correto afirmar que a consciência negra é uma construção política. Steve Biko (1970)&lt;a href="file:///C:/Users/Jack/Documents/Mestrado/Orienta%C3%A7%C3%A3o,%20Disserta%C3%A7%C3%A3o,%20Pesquisa/Disserta%C3%A7%C3%A3o/cap%C3%ADtulo%201%20-%20uma%20discuss%C3%A3o%20conceitual%20sobre%20ra%C3%A7a,%20racismo,%20etnicidade%20e%20cultura.doc#_ftn1" name="_ftnref1" style="mso-footnote-id: ftn1;" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, em seu texto “A consciência negra e a busca da verdadeira humanidade” do livro “Escrevo o que eu quero”, publicado em 1990 no Brasil, define a consciência negra como um laço de solidariedade entre negros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Steve Biko fala do contexto em que a África do Sul vivia o apartheid, e a população negra encontrava-se em condição desfavorável em relação aos brancos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Para Biko, falar sobre a consciência negra seria irrelevante em uma sociedade igualitária, em que as pessoas não fossem exploradas ou diferenciadas pela cor da sua pele. Ele afirma que a questão da discriminação baseada na cor foi deliberada por razões econômicas para favorecer um grupo em detrimento de outro. Biko propõe uma reflexão crítica sobre a construção de uma “verdade” cuja motivação é “a autoridade, a segurança e o conforto”, ou seja, na relação entre grupos colocados sobre fronteiras diferentes, o privilégio do qual goza um dos grupos é construído e naturalizado como se o seu lugar fosse estabelecido, e não edificado socialmente, o que cria barreiras para os grupos que estão fora da linha do privilégio, tornando mais lento seu processo de mobilidade social.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Na perspectiva do autor, quando um grupo tem a oportunidade de vivenciar a riqueza, a segurança, o prestígio, pode começar “acreditar numa mentira óbvia e aceitar como normal que só ele tenha direito ao privilégio”, convencendo-se de todos os argumentos que sustentam a mentira. Assim, o que seria uma questão econômica, para manter regalias, pode se transformar em um problema sério em si mesmo, que neste caso seria o desprezo e a crença na inferioridade do negro pelo branco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;A mentira naturalizada como verdade é sustentada através de mecanismos institucionais que negam aos negros oportunidades de provar que são iguais aos brancos impossibilitando-os de adquirir conhecimentos e de serem protagonistas de suas próprias vidas. Para Biko “os limites dos tiranos são determinados pela resistência daqueles a quem oprimem”, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;A consciência negra, defendida por Biko, quer desmistificar o lugar do negro, mostrando-o como teve a sua humanidade roubada, e uni-los em torno daquilo que se tornou causa de sua opressão, a cor da sua pele, para assim trabalharem em conjunto pela libertação das amarras ideológicas. Esta consciência propaga o “orgulho grupal” e estimula que os negros exerçam suas potencialidades, de forma “menos dependente e mais livre para expressar sua dignidade humana”. Para isto é necessário: 1) questionar velhos conceitos, valores e sistemas; 2) ao encontrar as respostas, trabalhar coletivamente para a conscientização que tem como objetivo colocá-las em prática.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;A “mentira” não serviu somente para excluir o sujeito negro, mas para inferiorizar todos os valores culturais que eles compartilhavam. A consciência negra tem a missão reescrever a história enfatizando as experiências negras bem-sucedidas, já que a narrativa colonial retrata o negro como derrotado, anulando suas contribuições, e valorizar as tradições e dinâmica cultural não permitindo que os ideais de “civilização” anule suas importâncias. Assim, para Steve Biko, chegaríamos a “uma verdadeira humanidade, onde a política de poder não tenha lugar”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt; line-height: 150%;"&gt;Como podemos observar, Steve Biko defende que a apropriação da identidade racial, esta usada para diferenciar e desumanizar o sujeito social negro, seja utilizada por este grupo como elemento unificador na luta pela busca de sua humanidade. Seria uma união através daquilo que os generalizou enquanto grupo: a negritude de sua pele.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="margin-left: 14.2pt; text-align: justify; text-indent: -14.2pt;"&gt;&lt;a href="file:///C:/Users/Jack/Documents/Mestrado/Orienta%C3%A7%C3%A3o,%20Disserta%C3%A7%C3%A3o,%20Pesquisa/Disserta%C3%A7%C3%A3o/cap%C3%ADtulo%201%20-%20uma%20discuss%C3%A3o%20conceitual%20sobre%20ra%C3%A7a,%20racismo,%20etnicidade%20e%20cultura.doc#_ftnref1" name="_ftn1" style="mso-footnote-id: ftn1;" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 10pt; line-height: 115%;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; BIKO, Steve. A consciência negra e a busca de uma verdadeira humanidade. In: &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Escrevo o que Eu Quero - Seleção dos principais textos de Steve Biko. Editora Ática, 1990.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-1389549999843543353?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/1389549999843543353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2011/06/refletindo-sobre-definicao-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/1389549999843543353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/1389549999843543353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2011/06/refletindo-sobre-definicao-de.html' title='Refletindo sobre a definição de &quot;consciência negra&quot; do Steve Biko'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-22haBIS02Ns/Te2Sn7jsWEI/AAAAAAAAAJ8/MPGYgwk65Ks/s72-c/tombiko.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-5892134198576028986</id><published>2011-05-11T07:24:00.001-07:00</published><updated>2011-06-06T19:58:46.889-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eventos'/><title type='text'>UMOJA PROMOVE ENCONTRO DE TAMBORES</title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="349" src="http://www.youtube.com/embed/vDq496Jk8kA" width="560"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 24px;"&gt;Mostra de música popular reunirá de tambores africanos a japoneses&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 24px;"&gt;A Casa de Cultura do M’Boi Mirim, um dos primeiros pólos culturais da região, localizada na Zona Sul de São Paulo,&amp;nbsp;sediará na noite do 13 de maio, a partir das 19h, o evento&amp;nbsp;&lt;i&gt;Noite dos Tambores,&lt;/i&gt;&amp;nbsp;realizado pelo grupo Umoja em parceria com o Sesc Santo Amaro. Esta atividade consiste em reunir grupos que promovem a musicalidade percussiva e suas diversidades presentes nas culturas brasileiras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 24px;"&gt;Esta mostra de música popular promoverá um intercâmbio e uma interação entre os grupos convidados e o público. Por meio de uma programação bem diferenciada, que iniciará com a palestra&amp;nbsp;&lt;i&gt;A presença do tambor nas culturas brasileiras,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;ministrada pelo Profº Drº Salloma Salomão e também por uma exposição de fotos idealizada pelo Instituto Tambor em parceria como fotógrafo Guma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 24px;"&gt;A diversidade da música percussiva estará presente no evento que começará com os tambores do candomblé&amp;nbsp;&lt;i&gt;Oya Aguerê&lt;/i&gt;, depois tambores árabes -&amp;nbsp;&lt;i&gt;Trio do Oriente&lt;/i&gt;, tambores do maracatu -&amp;nbsp;&lt;i&gt;Ilê Alafia e Umoja,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;tambores japoneses –&lt;i&gt;Taikô Kôdaiko,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;tambores do maculelê –&amp;nbsp;&lt;i&gt;Espírito de Zumbi,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;tambores africanos –&amp;nbsp;&lt;i&gt;Ballet Afro Koteban,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;tambores do Maranhão –&amp;nbsp;&lt;i&gt;Tambor de Crioula Juçaral dos Pretos&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e a finalização com o Jongo do Tamandaré, tambores do jongo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 24px;"&gt;Programação:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;19h - Palestra:&amp;nbsp;&lt;i&gt;A presença do Tambor nas culturas brasileiras,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;com o Prof. Drº Salloma Salomão.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;20h - Exposição fotográfica:&amp;nbsp;&lt;i&gt;Noite dos Tambores&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;parceira do fotográfo Guma e Instituto Tambor.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;20h30&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Tambores do Candomblé -&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;i&gt;Oya Aguerê.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;21h30 - Tambores Árabes –&amp;nbsp;&lt;i&gt;Trio Tambores do Oriente.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;22h30 - Tambores do maracatu –&amp;nbsp;&lt;i&gt;Ilê Alafia&lt;/i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;e&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;i&gt;Umoja.&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;23h20 - Tambores Japoneses –&amp;nbsp;&lt;i&gt;Taikô Kôdaiko&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;23h50&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Tambores do Maculelê – Espírito de Zumbi&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;00h20 - Tambores Africanos –&amp;nbsp;&lt;i&gt;Ballet Afro Koteban&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;01h - Tambores Maranhão –&amp;nbsp;&lt;i&gt;Tambor de Crioula Juçaral dos Pretos&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: normal; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;02h30&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;-&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;Tambores do Jongo –&amp;nbsp;&lt;i&gt;Jongo do Tamandaré&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 24px;"&gt;Dia 13 de maio de 2011, a partir das 19h. Casa de Cultura do M’Boi Mirim – Av. Inácio Dias da Silva, S/N. Piraporinha, Zona Sul. Entrada franca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 24px;"&gt;Informações:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 24px;"&gt;&amp;nbsp;(11) 8626-4283/8079-5169.&amp;nbsp;&lt;a href="mailto:eulleralves@gmail.com" style="color: #0089aa;" target="_blank"&gt;eulleralves@gmail.com&lt;/a&gt;.&amp;nbsp;&lt;a href="http://umojabrasil.wordpress.com/" style="color: #0089aa;" target="_blank"&gt;http://umojabrasil.wordpress.&lt;wbr&gt;&lt;/wbr&gt;com&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 24px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 24px;"&gt;Mjiba Comunicação – Assessoria de Imprensa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 24px;"&gt;Elizandra Souza – (11) 6751-2293&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: 16px; line-height: 24px; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; line-height: 24px;"&gt;E-mail:&amp;nbsp;&lt;a href="mailto:mjiba.comunicacao@gmail.com" style="color: #0089aa;" target="_blank"&gt;mjiba.comunicacao@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-5892134198576028986?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/5892134198576028986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2011/05/umoja-promove-encontro-de-tambores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/5892134198576028986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/5892134198576028986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2011/05/umoja-promove-encontro-de-tambores.html' title='UMOJA PROMOVE ENCONTRO DE TAMBORES'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/vDq496Jk8kA/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-5654469647717985938</id><published>2011-04-02T08:17:00.000-07:00</published><updated>2011-06-06T19:59:40.243-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Coisas de Jaqueline'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eu na universidade'/><title type='text'>Minha primeira intervenção pública e solitária na universidade</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Meu povo e minha pova,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Mexendo nos meus arquivos do velho e-mail Yahoo, achei o primeiro texto de intervenção pública que eu fiz quando estava na graduação. Entrei na graduação em janeiro de 2004, aos 17 anos, cheia de expectativas com as Ciências Políticas, mas logo a Antropologia roubou a cena, era o que eu mais gostava.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;O que me levou tão cedo a universidade foi o contato com o Hip Hop, e foi nos fóruns articulados por esse movimento que passamos a questionar porque era o “Outro” que escrevia a nossa história, e que poderíamos ser nós os protagonistas dessa escrita. Assim como eu, diversos ativistas, estimulados pelo Hip Hop, sem tirar o peso do incentivo familiar, passaram a ocupar os bancos das instituições de ensino superior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;E o que acontece a partir daí? O negócio não era tão simples assim. O método e o rigor acadêmico quebrava as nossas pernas, um tal discurso de distanciamento, cientificidade e neutralidade tentava nos impor sobre o que, como, e do que nós poderíamos falar. Essa merda deu pano pra manga: “Quem disse que eu não posso falar sobre mim? E você professor, se questiona tanto o meu lugar como Hip Hopper que quer falar de Hip Hop, de negra que quer falar de manifestações negras, por que nunca trouxe nenhum texto de intelectuais negros e africanos para contribuir com a nossa formação?”, e no embate eu enumerava os diversos intelectuais negros das Ciências Sociais que eu conhecia e que poderiam estar nas ementas das disciplinas, e concluía que nem o professor falava de um lugar neutro, pois ele, com esta postura, legitimava o lugar do homem branco na universidade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Eu questionei tanto, fui taxada como segregacionista por montar núcleo de estudantes negros para difundir idéias como o panafricanismo, espalhei textos de intelectuais negros e negras diversos que contribuíam com a construção de conhecimento, resumindo, era mal vista por muitos, só porque eu queria e chamava a quebra de paradigmas. Em 2006, depois de produzir fanzines, debates, chamar reuniões, e do “*** *****” do Peter Fry ir na semana de Ciências Sociais da universidade, cujo o tema era “Reforma Universitária”, para falar que as desigualdades no Brasil não tem cor, e que as cotas instauravam a segregação racial e o conflito nas universidades, comecei a fazer intervenções públicas que pensavam o racismo de uma forma mais estruturante, questionando, no primeiro momento, a epistemologia.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: small;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: normal;"&gt;Segue o primeiro texto espalhado na praça de alimentação, nas redes sociais e e-mails.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;EU ERA A CARNE AGORA SOU A PRÓPRIA NAVALHA&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 141.6pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 10pt;"&gt;“NÃO FOI SEMPRE DITO QUE PRETO NÃO TEM VEZ ENTÃO, OLHA O CASTELO E NÃO FOI VOCÊ QUEM FEZ CUZÃO, EU SOU IRMÃO DOS MEUS TRUTAS DE BATALHA, EU ERA A CARNE AGORA SOU A PRÓPRIA NAVALHA, TIM TIM UM BRINDE PRA MIM, SOU EXEMPLO DE VITÓRIAS, TRAJETOS E GLÓRIAS” (RACIONAIS MC’S – NEGRO DRAMA).&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Sempre quando vejo mais um(a) negro(a) conquistando espaço na universidade, lembro-me desse trecho dos Racionais, é um tapa na cara de “alguém coletivo” que se vê em um lugar hegemônico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Três séculos e meio de escravidão formal, cento de dezoito anos de liberdade forjada, a abolição não pagou o preço de quase quatro séculos de trabalho forçado, de violência no tronco e de agressão cultural. Nessa corrida de quinhentos e seis anos nos amarraram, tentaram nos impedir a emancipação de 1500 a 1888 e nos colocaram barreiras de 1888 até os dias de hoje. Mas o nosso povo é forte, resiste e vem tentando destruir esse imagem negativa criada pelo homem ocidental, e que durante muito tempo fez com que o negro incorporasse “uma imagem depreciativa de si próprio” (Kabengele Munanga, 2002).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;O ambiente acadêmico, com a sua visão de mundo eurocentrada, nos nega o conhecimento de nossa própria história, nega também o direito de falarmos de nós mesmos, e o que predomina é o discurso do homem branco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Você médico, sabia que a medicina iniciou-se no continente africano? O nome de “pai da medicina” dado ao grego Hipócrates deveria ser dado ao cientista e clínico egípcio Imhontep, que a três mil anos antes de Cristo praticava quase todas as técnicas básicas da medicina(Cunha, 2004).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 106.2pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 10pt;"&gt;“O Egito possuía uma ciência médica e farmacológica sistematizada e muito desenvolvida, cujas as recentes descobertas mostram que os cientistas egípcios&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 10pt;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 10pt;"&gt;tiveram a capacidade de promover cirurgias complexas como as cerebrais, de catarata ou o engessamento de membros como os ossos quebrados, conhecer substancias cicatrizantes e anestésicos. O avanço da medicina foi impulsionado, principalmente, pelo desenvolvimento da técnica de mumificação que consistia em um conjunto de procedimentos químicos e físicos, que visavam a preservação dos corpos, já que o sistema religioso no Egito pregava que, para se alcançar a vida eterna , a alma dos mortos precisavam de um corpo. A mumificação permitiu acesso ao interior do corpo humano e, com isso, os egípcios passaram a conhecer o sistema circulatório, o funcionamento de cada órgão e a relação entre eles”. (Cunha, 2004).&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Essas conquistas da medicina egípcia estão registradas nos “papiros médicos” encontrados em sítios arqueológicos no Egito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Você engenheiro sabia que os conhecimentos matemáticos, a tecnologia de fundição, além de outros conhecimentos científicos na sua área se iniciaram no continente africano? E os créditos mais uma vez são dados aos gregos, como Pitágoras em relação à matemática e geometria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Você historiador já leu sobre a história da África e de outros continentes escrita por intelectuais africanos? Ou suas leituras são embasadas na visão etnocêntrica do europeu? Já percebeu que passa quatro anos ou mais na universidade estudando a história européia e a sua intervenção no mundo e um semestre somente de história da África? História da África que na maioria das universidades é abordada somente pelo viés da escravidão, aquele velho discurso: “negros foram escravizados na América e no continente africano”. E os valores, a cultura, a organização social e os conhecimentos dos povos do continente africano? Estamos cercados da visão eurocentrada não acha?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;E você cientista social, já tentou enxergar a realidade racial brasileira sem ser por um viés positivista, levando em consideração que para resolver problemas construídos em um panorama sócio-histórico não basta dizer que raças não existem?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Bom, espero que essas perguntas tragam uma reflexão, pena que as respostas para as mesmas não são muito positivas.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;A mudança depende da intervenção que nós estudantes negros e negras travamos dentro do espaço acadêmico, a mudança de paradigmas se inicia quando colocamos em questão as “verdades absolutas”. Essa mudança esta sendo buscada a algum tempo por intelectuais como: Kabengele Munanga, Abdias Nascimento, Sueli Carneiro, Clóvis Moura, Cheick Anta Diop, Nilma Lino Gomes, Valter Silvério, Petronilha Gonçalves, &amp;nbsp;entre outros que vem construindo uma ciência anti-racista.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Não entramos na universidade para ouvir e decorar, além de adquirir conhecimento temos a responsabilidade de produzir conhecimento, socializar nossas experiências e contribuir para o progresso da ciência, é necessário questionar o “inquestionável”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;O negro na universidade não pode esquecer o passado ao olhar o presente, nós somos fruto de um passado de relações sociais que determinou muito do que vivemos hoje, e o que fizermos hoje terá reflexo no nosso futuro. Se quisermos continuar contrariando as estatísticas e buscar a igualdade é preciso intervir e colocar em evidencia as verdades escondidas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Estou em busca de uma epistemologia mais africana!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Jaqueline Lima Santos&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Estudante de Ciências Sociais&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Militante do movimento HIP HOP&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Militante do CENNSP - Coletivo de Estudantes Negros e Negras de São Paulo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Referência Bibliográfica&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;CUNHA, Lazaro. Contribuição dos povos africanos para o conhecimento cientifico e tecnológico universal. Disponível em:&lt;a href="http://www.smec.salvador.ba.gov.br/documentos/contribuicao-povos-africanos.pdf" target="_blank"&gt;&lt;span style="color: #0089aa;"&gt;http://www.smec.salvador.ba.gov.br/documentos/contribuicao-povos-africanos.pdf&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;MUNANGA, Kabengele. Uma Abordagem conceitual das noções de Raça, Racismo, Identidade e Etnia. In: Relações Raciais e Educação: Temas Contemporâneos. Editora EdUFF, Niterói, RJ: 2002: 15-34.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 18.0pt; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: normal;"&gt;No ultimo semestre, chutei o balde, entreguei meu TCC falando de Hip Hop e fiz a conclusão em forma de rima.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-5654469647717985938?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/5654469647717985938/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2011/04/minha-primeira-intervencao-publica-e.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/5654469647717985938'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/5654469647717985938'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2011/04/minha-primeira-intervencao-publica-e.html' title='Minha primeira intervenção pública e solitária na universidade'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-4357095810444171267</id><published>2011-01-30T06:59:00.000-08:00</published><updated>2011-06-06T20:00:28.434-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Mulheres Negras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Hotentote'/><title type='text'>Mulheres Negras: Nós Carregamos a Marca</title><content type='html'>&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 24px;"&gt;&lt;i&gt;Por Jaqueline Lima Santos&lt;/i&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="file:///C:/Users/Jack/Documents/MNU/jornal/n%C3%B3s%20carregamos%20a%20marca.doc#_edn1" name="_ednref1" title=""&gt;[i]&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span lang="PT" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;b&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large; line-height: 150%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;“Nós carregamos a marca” é uma frase clássica de Luiza Bairros que serve para exemplificar a forma pela qual nós negr@s somos perseguidos e violentados física e simbolicamente. A marca que carregamos esta relacionada a nossa cor, a nossa sexualidade, e logo a nossa classe social, e sobre ela são construídos uma séria de significados que são atribuídos aos nossos corpos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Nesse texto quero falar especificamente sobre as marcas que nós mulheres negras carregamos, e as marcas que nós criamos sobre os nossos próprios corpos e que queremos carregar. Vou começar por aquelas marcas que pesam, responsáveis por uma realidade social que a maioria de nós compartilhamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;O colonialismo europeu violentou de todas as maneiras possíveis a população negra em África e na diáspora, e se realizarmos uma reflexão sobre a condição da mulher negra neste contexto, há algo de peculiar. No caso do Brasil, por exemplo, a miscigenação não significou a ausência de racismo, mas a causa de uma racismo diferente, que envolve uma discussão sobre raça e sexualidade (SANTOS, 2003)&lt;a href="file:///C:/Users/Jack/Documents/MNU/jornal/n%C3%B3s%20carregamos%20a%20marca.doc#_edn2" name="_ednref2" title=""&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;span lang="PT" style="line-height: 150%;"&gt;[ii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. A miscigenação ainda hoje é glorificada como exemplo da nossa “democracia racial”, utilizada para justificar a existência de uma harmonia entre a&amp;nbsp; Casa Grande e a Senzala, como dizia Gilberto Freire em seus escritos. O que não é levado em consideração é a violência pela qual foram expostas milhares de mulheres negras diante do sistema colonial, desconsidera-se os atos de violência sexual, estupros em detrimento do discurso de que não temos conflitos raciais e que somos um povo misturado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-left: 108pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Sufragaram o racismo sem raça, ou um racismo mais “puro” do que a sua base racial. Sufragaram também o sexismo sob o pretexto do anti-racismo. Por essa razão, a cama sexista e inter-racial pôde ser a unidade de base da administração imperial e a democracia racial pôde ser exibida como um troféu anti-racista sustentado pelas mãos brancas, pardas e negras do racismo e do sexismo. (SANTOS, 2003, P.28).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;/span&gt;O que acontece é que os corpos das mulheres negras foram marcados por um tipo de violência que, ao ser mascarado pela ideologia da mistura cordial, tem sido ignorada e dessa forma interfere no processo de desconstrução dos estereótipos sobre os quais as mesmas estão expostas. Quando não se reconhece a existência do problema, nada se faz para combatê-lo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Um exemplo dos estigmas que estão colocados sobre os corpos das mulheres negras é o caso de Vênus Hotentote. Seu nome original é &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Sarah Baartman, nascida em 1789 na região da África do Sul, no início do século XIX foi levada para a europa e exposta em espetáculos públicos, circenses e científicos, devido aos seus traços corporais. Segundo Damasceno (2008)&lt;a href="file:///C:/Users/Jack/Documents/MNU/jornal/n%C3%B3s%20carregamos%20a%20marca.doc#_edn3" name="_ednref3" title=""&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;span lang="PT" style="line-height: 150%;"&gt;[iii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Sarah Baartman deu um corpo à teoria racista, explico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Pertencente ao grupo Khoi-san, Sarah, assim como outras mulheres desta origem, tinha nádegas protuberantes, característica que chamava a atenção dos europeus. Os contornos desta mulher negra eram explorados publicamente por cientistas e curiosos em geral. Seu corpo deu vida a teoria de raça na modernidade, e as diferenças do corpo de Vênus Hotentote em relação aos europeus, serviu para os mesmos, através do olhar sobre a outra, estabelecer que seus corpos masculinos, brancos eram a base da normalidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/TUV_c90ucOI/AAAAAAAAAJ0/MkbiEV_BD_w/s1600/VenusResearch.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/TUV_c90ucOI/AAAAAAAAAJ0/MkbiEV_BD_w/s400/VenusResearch.jpg" width="317" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;“Para Wiss (1994), foram pelas exibições públicas do século XIX que os europeus começaram a perceber a diferença. E notam ao escrutinizar Sarah, que esta pode assumir um caráter racializado e sexualizado através do corpo. Se no século XIX o corpo europeu masculino representa a normalidade, o quê se não o corpo de uma mulher, negra, para representar sua radical alteridade? Não foi com surpresa que Jay Gould (1990) notou ao visitar o Museu do Homem de Paris no início dos anos 1980, que próximo de onde estavam expostos os cérebros de franceses “notáveis” como Renée Descartes e Pierre Broca, representantes do racionalismo francês, não havia um só cérebro de mulher, como contraponto eram expostos próximos deles os genitais de “uma negra, uma peruana e da Vênus Hotentote”. Se Saartje servia no século XIX para marcar a diferença entre homens e mulheres, contribuiu também para que se constituísse a identidade masculina européia. (...)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-left: 108pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;A medicina do século XIX foi uma dessas práticas discursivas que inscreveu o corpo como lugar de significação de diferença. Segundo Gilman (1985), o discurso científico médico construiu o conceito de negritude e de racismo a partir da diferenciação do corpo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-left: 108pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;feminino negro pensado como anormal, desviante em relação ao corpo masculino europeu. Naquele se articulavam categorias de raça e gênero que universalizadas, acabaram por criar uma iconografia de hipersexualidade da mulher negra que impera até hoje (...)” (DAMASCENO, 2008)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;Após sua morte em 1815, Sarah continuou sendo exposta na europa, “&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;sua genitália, seu&amp;nbsp; esqueleto e o molde de seu corpo passaram a ser expostos publicamente no Museu do Homem”, e só em 1985 seus restos mortais foram devolvidos ao continente africano.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;A exotização exacerbada do corpo da mulher negra, construída historicamente a partir da experiência colonial, está presente até hoje, em todos os lugares onde há a diáspora africana. No Brasil, quando nos remetemos ao mundo das passarelas, o predominante ainda é o corpo ocidental, a mulher branca, magra, de traços finos, e tudo isto dita quais são os padrões de beleza dominantes em nossa sociedade. Se nos voltarmos ao corpo da mulher negra, percebemos, assim como o caso de Vênus Hotentote, que o mesmo continua sendo visto como objeto de exploração sexual, basta comparar o mundo das passarelas com as avenidas do carnaval.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;/span&gt;E de que forma isso interfere em nossas vidas? O olhar exotizado construído sobre o corpo da mulher negra nos coloca uma barreira para alcançar espaços de poder, nos torna mais vulneráveis a agressões sexuais, simbólicas, e nos reserva o paradoxo de exploração sexual e solidão, além de termos que carregar diversos estereótipos. E como reagimos a isso?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Os movimentos de mulheres negras vêm, há anos, tentando desconstruir os estigmas que são colocados sobre nós, e uma das reações é a forma como ressignificamos as características corporais a nosso favor. Nós agenciamos a cor, os traços, o cabelo e as origens como características valorativas, e assim vamos contribuindo para a construção da auto-estima da mulher negra. Além da construção da identidade, fazemos uma coisa ainda mais importante, que é forçar as barreiras e ocupar os espaços de poder, e esse movimento não é de hoje, mas começou com as nossas ancestrais que pensaram, realizaram e lideraram movimentos de resistências contra as opressões racistas e sexistas. Essa luta é secular.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Errou quem olhou para nós, historicamente, e nos colocou como passivas diante da opressão. Nós sempre existimos como movimento de resistência, não é a toa que hoje a nossa realidade é diferente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Talvez o maior erro do colonizador seja ignorar a nossa existência como sujeitos de transformação social. São vários corpos de Hotentotes criando novos lugares.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;br clear="all" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="edn1"&gt;&lt;div class="MsoEndnoteText" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;a href="file:///C:/Users/Jack/Documents/MNU/jornal/n%C3%B3s%20carregamos%20a%20marca.doc#_ednref1" name="_edn1" title=""&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;[i]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  &lt;span lang="PT"&gt;Jaqueline Lima Santos é militante do Movimento Negro Unificado. Mestranda em Ciências Sociais – Antropologia pela UNESP. Contato: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:santos.jaquelinelima@gmail.com"&gt;santos.jaquelinelima@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;span lang="PT"&gt; .&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="edn2"&gt;&lt;div class="MsoEndnoteText" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;a href="file:///C:/Users/Jack/Documents/MNU/jornal/n%C3%B3s%20carregamos%20a%20marca.doc#_ednref2" name="_edn2" title=""&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;[ii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  &lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Santos, Boaventura de Sousa. “Entre Próspero e Caliban: Colonialismo, pós-colonialismo e interidentidade”. In:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Novos Estudos&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;, n° 66, 2003 (p.23-52).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="edn3"&gt;&lt;div class="MsoEndnoteText" style="line-height: normal; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&lt;a href="file:///C:/Users/Jack/Documents/MNU/jornal/n%C3%B3s%20carregamos%20a%20marca.doc#_ednref3" name="_edn3" title=""&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;span class="Caracteresdenotadefim"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;[iii]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  DAMASCENO, Janaina. &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;O corpo do outro. Construções raciais e imagens de controle do corpo feminino negro: O caso da Vênus Hotentote. Caderno de Publicações Fazendo Gênero 8, 2008.&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-4357095810444171267?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/4357095810444171267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2011/01/mulheres-negras-nos-carregamos-marca.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/4357095810444171267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/4357095810444171267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2011/01/mulheres-negras-nos-carregamos-marca.html' title='Mulheres Negras: Nós Carregamos a Marca'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/TUV_c90ucOI/AAAAAAAAAJ0/MkbiEV_BD_w/s72-c/VenusResearch.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-7140223126723345467</id><published>2011-01-13T09:26:00.000-08:00</published><updated>2011-06-06T20:01:15.598-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diversidade e Diferença'/><title type='text'>A celebração da diversidade e a condenação da diferença: O que queremos para além das ações afirmativas?</title><content type='html'>&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Por Jaqueline Lima Santos*&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 144.0pt; text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;"A Consciência Negra é, em essência, a percepção pelo homem negro da necessidade de juntar forças com seus irmãos em torno da causa de sua atuação – a negritude de sua pele – e de agir como um grupo, a fim de se libertarem das correntes que os prendem em uma servidão perpétua. Procura provar que é mentira considerar o negro uma aberração do “normal”, que é ser branco. É a manifestação de uma nova percepção de que, ao procurar fugir de si mesmos e imitar o branco, os negros estão insultando a inteligência de quem os criou negros. Portanto, a Consciência Negra toma conhecimento de que o plano de Deus deliberadamente criou o negro negro. Procura infundir na comunidade negra um novo orgulho de si mesma, de seus esforços, seus sistemas de valores, sua cultura, religião e maneira de ver a vida."&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt; (Steve Biko, 1990)&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;Hoje, 13 de janeiro de 2011, o que me motiva a escrever é um incomodo interior, o de não ver novas perspectivas na militância do movimento negro, embora em qualquer espaço que eu esteja, sozinha ou acompanhada, não esqueça qual o meu papel. É uma guerra interior entre aquilo que eu acredito que seja importante, e entre formas de atuar que me motive, que entre as alternativas atuais, são quase nulas. Talvez muitas pessoas, especialmente jovens, compartilhem desse meu sentimento.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;Procuro algo que seja mais do que uma terapia coletiva em que as pessoas se encontram, se acham lindas, e se contentam com qualquer pouca coisa que ONG’s, Estado e instituições diversas têm a nos oferecer. Também cansei do discurso que, com o passar dos anos, se rende ao cansaço, tornando-se &amp;nbsp;mais domesticado, contraditório e conciliador.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;O problema é muito maior do que a forma como a maioria das instituições do movimento negro tem lidado com ele, e as vezes me parece que quem está acostumado com nada, se contenta com o pouco que, como demonstra as experiências atuais, servem para calar as nossas bocas, afinal, não há nenhuma mudança estruturante prevista, o que se contrapõe ao nosso discurso histórico de que o racismo está intrínseco as estruturas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;Torna-se repetitivo falar da nossa história para nós mesma(o)s, mas as vezes parece que, coletivamente, enquanto sujeitos políticos do movimento negro, não fomos convencidos de qual é a gênese do problema, e nem do que a história já provou que deu certo ou errado, criando uma sequência repetitiva de erros hipocritamente comemorados, então tenho minhas dúvidas se entendemos de fato o que é o racismo, mesmo vivenciando-o em nossa pele. É um erro ainda aparente compreender este fenômeno somente pelas nossas experiências individuais, que violenta nossas identidades e consciência, e se persistirmos nesse erro, continuaremos celebrando o orgulho negro, o que é um grande avanço, mas não avançaremos naquilo que eu entendo por relações de poder. A construção do orgulho negro já é uma conquista, mesmo que ainda em processo, mas só isso basta? Se assim acharmos, podemos concordar com o senso comum de que o Brasil, hoje, não é um país racista, “porque eu tenho uma vizinha negra que é linda, se afirma e faz sucesso”, “porque meu chefe me deixa trabalhar de black power”, “porque eu tenho um namorado negro”, “porque uma negra foi “protagonista” da novela” e etc.. E o que somos além disso? Quais os valores que são por nós “assimilados”?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;Primeiro a colonização portuguesa, de maneira tão sutil como explícita e violenta, traçou o destino de nossas vidas durante séculos, estabelecendo um lugar para cada qual, fazendo-nos acreditar que para nós existia um limite. &lt;span style="color: black;"&gt;Um país que, marcado por uma colonização que nunca pregou a igualdade, mesmo com a passagem da população negra de “escrava” a “cidadã”, não conseguiu, através da Lei Áurea, abolir as desigualdades raciais nele existente, pois continuou operando sob o sistema de hierarquias.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;O plano do colonizador ainda é operante, e nós, como usamos nossa inteligência para planejar nosso destino a longo prazo? O que eu vejo hoje é a(o)s nossa(o)s “representantes” se satisfazendo com tão pouco (cargos e turismo étnico), entregarem toda a nossa história para política de pão e circo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;Quando vejo o desespero das organizações nacionais do movimento negro frente ao que as corporações internacionais e os governos podem lhe oferecer, lembro-me da cena do filme “Besouro”, onde negros, no contexto em que, no Recôncavo Baiano, a capoeira era proibida, diante da presença do homem branco param a roda, e ao ouvirem deste último a permissão para continuar, violentam-se entre si para mostrar ao “dominador” quem é melhor, enquanto o branco debocha do auto-depreciativo entre os próprios negros. Falam tanto em controle social, e o que eu vejo é uma relação inversa, o Estado e as grandes corporações ditando a agenda dos movimentos sociais, e poucos destes se mostram combativos, a não ser que seja entre eles próprios.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;O Brasil, repetindo a experiência da diáspora, é sim um país racializado. Nós falamos &amp;nbsp;isso a todo momento, mas parece que nem toda(o)s entendemos este fenômeno, e muit(a)os entre nós não tem a humildade de assumir isso, o importante é aparecer, mesmo que se diga, se faça, se legitime, e se repita um monte de bobagens.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;O limite da elite do poder vai até a celebração da diversidade: capoeira, feijoada, samba... ela permite sim que nós afirmemos: a(o) negra(o) é linda(o), afinal isso não muda profundamente as hierarquias que lhe sustenta durante séculos, e se essa for a nossa única reivindicação, que seja feita. O que seria de mais para ela? Reivindicar a desmistificação da diferença, porque a diferença é estabelecida a partir de relações de poder, e isso seria contrapor ideologia dominante, colocar em cheque poder, valores e costumes. Ambas, a identidade e a diferença, carregam o traço do outro, são resultantes de um processo de produção simbólica e discursiva, e estão estabelecidas dentro de um campo de relações de poder, podem servir para incluir/excluir, classificar, e etc.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;As Ações Afirmativas gera um grande incomodo a elite do país, porém, ela por si só não resolve nosso problema. Embora coloque o debate sobre relações raciais em evidência, na universidade, por exemplo, continuamos sendo formados pelos paradigmas ocidentais, os mesmos que servem como operadores ideológicos da nossa exclusão. A universidade continua sendo eurocêntrica e cartesiana, fechada a novas possibilidades, e qual o grande problema? Nosso objetivo é somente formar uma elite negra que dê sustentação ao poder do “outro”, ou que possa desmantelar o racismo estruturante? (Obama é negro, mas a casa ainda é branca) Se a(o) negra(o) não tem a possibilidade de descolonizar a sua mente, como vai se despir dos paradigmas ocidentais?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;Em uma sociedade em que a brancura é sinal de normalidade, humanidade e superioridade, Ações Afirmativas, sem quebra desses paradigmas, significaria a possibilidade para que, “no mundo das(o) branca(o)s”, a(o) negra(o) esteja mais perto da “civilidade ocidental” e alcance o sonho propagado pelo Show da Xuxa (branqueamento), isto porque não temos uma proposta mais ampla para combater o racismo, que proponha a desconstrução do colonialismo europeu que permeia o imaginário social, reivindicamos inclusão, mas não fazemos nada &amp;nbsp;para desmistificar o desejo pelo mundo da(o)s branca(o)s, ou seja, não mexemos nos fundamentos das relações de poder (mistificação da superioridade e inferioridade).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;Não ignoro os avanços das Ações Afirmativas, mas o embate não para ai. Tem quem acredite que Ações Afirmativas por si só seja a solução, que Estatuto da Igualdade Racial sem “raças” seja um avanço, mesmo que este não reconheça raça como operador ideológico, onde se localiza o ponto central do problema. Se não avançarmos no debate e embate, nas correntes ideológicas que se materializam em nossas vidas, passarão décadas e continuaremos fazendo discurso de vítimas e oprimidos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 36.0pt; text-justify: inter-ideograph;"&gt;Assim, “inclusos”, o Estado celebra a diversidade, “mas não me venha você com a sua religião, com os seus saberes tradicionais, com a sua história, valores e costumes, reivindicar terra, reparações e poder, você já conseguiu muito!”. Os movimentos negros batem palma enquanto outros riem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;*Militante do Movimento Negro Unificado, Mestranda em Ciências Sociais – Antropologia pela UNESP.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-7140223126723345467?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/7140223126723345467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2011/01/celebracao-da-diversidade-e-condenacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/7140223126723345467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/7140223126723345467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2011/01/celebracao-da-diversidade-e-condenacao.html' title='A celebração da diversidade e a condenação da diferença: O que queremos para além das ações afirmativas?'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-243468621336311535</id><published>2010-12-15T01:57:00.001-08:00</published><updated>2010-12-15T01:57:34.797-08:00</updated><title type='text'>A vida é desafio</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/52NT9cSWC_8?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/52NT9cSWC_8?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-243468621336311535?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/243468621336311535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/12/vida-e-desafio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/243468621336311535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/243468621336311535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/12/vida-e-desafio.html' title='A vida é desafio'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-8097020426851623910</id><published>2010-12-09T16:57:00.000-08:00</published><updated>2010-12-09T17:12:15.675-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cabelo crespo'/><title type='text'>I love my hair</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois produtores brancos do programa "Sesame Street" (Vila Sésamo) adotaram uma criança negra, e quando se depararam com o fato de que essa criança queria ter o cabelo liso como o de suas amigas brancas, resolveram criar esse vídeo.&lt;/div&gt;Eu adorei, I love my hair!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/zIdyfM0AEDg?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/zIdyfM0AEDg?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I love, I love...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-8097020426851623910?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/8097020426851623910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/12/i-love-my-hair.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/8097020426851623910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/8097020426851623910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/12/i-love-my-hair.html' title='I love my hair'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-3137272731913637788</id><published>2010-10-07T16:23:00.001-07:00</published><updated>2010-11-26T07:48:21.638-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O RAP'/><title type='text'>Eu, o RAP e a escrita</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No início da minha adolescência eu me descobri através das letras de RAP, rolava uma identificação de cor, classe, geracional, musical, entre tantas outras. Foi através do RAP que eu comecei a ver-me como sujeito da minha própria história, e a ter sonhos inacabáveis. As músicas falavam dos problemas sociais, das contradições, e alimentavam meu espírito revolucionário, eu queria sempre mais, as vezes não sabia o que, mas eu desejava abraçar o mundo e fazer a diferença.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Era como se eu tivesse me encontrado no mundo, aos 12 anos o RAP revelou quem eu era. Eu passava horas transcrevendo músicas que tinham 8, 10, e até 12 minutos, versos que não se repetiam, e que alimentavam a minha alma, era incrível, talvez um sentimento que até hoje eu não saiba descrever. Não ligava para televisão, o meu negócio era o rádio, quando não estava na escola, estava ouvindo rádio ou na rua conversando sobre o RAP com amigas e amigos. Eu gravava fitas e fitas dos programas de RAP das rádios comunitárias, a maioria eram piratas, pois o RAP não tinha espaço em outra sintonia que não fosse a 105.1 FM, esta que eu não deixava de escutar das 18h00 as 22h00 todos os dias. Minha mãe enlouquecia quando chegava a conta de telefone, eu sempre ligava muitas vezes até conseguir dar um "salve" ao vivo para os manos e minas, e pedir minha música preferida. Meu pai não entendia porque eu só falava de RAP, e um certo dia ele me disse que o RAP não me levaria a lugar nenhum, engano dele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;As fitas que eu gravava eram todas muito úteis e era com elas que eu ocupava boa parte do tempo, tinha uma pasta onde guardava as transcrições das letras de RAP que eu fazia, não havia coisa melhor para eu ocupar os meus dias, eu pirava naqueles versos que eu julgava revolucionários. Com o tempo passei a escrever minhas próprias letras, e passei uma fase da minha vida cantando RAP, tive alguns grupos: "Estilo de Vida", "Distúrbio Verbal", e também cantei uns solos. Até hoje a melhor fase da minha vida, ainda não teve outro momento que mexa com as minhas emoções como a época que me descobri através do RAP, isso alimenta quem eu sou até hoje.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu tinha uma professora de português que ficava admirada, e pedia para eu cantar minhas letras para ela, eu sempre tinha vergonha. Talvez o que tenha a deixado admirada seja o fato de que foi através do RAP que eu desenvolvi a minha escrita, seja transcrevendo as minhas músicas favoritas, seja escrevendo as minhas próprias letras, e por isso não deixava de entregar nenhuma das redações que ela solicitava em sala de aula, eu escrevia sobre tudo, o que antes do RAP não era tão comum. Através do RAP eu comecei a construir minhas narrativas, desenvolver o senso crítico, e expressar a minha identidade. O RAP mudou muitas coisas em minha vida, se revelou como uma ferramenta pedagógica, me ensinou a escrever, a escutar, a opinar, e a ler, pois com o tempo percebia que aquelas letras eram textos que falavam de assuntos diversos, e o que eu escrevia, tendo o RAP como método, eram textos, o que me fazia escrever cada vez mais. Hoje, escrevendo minha dissertação do mestrado fico lembrando de tudo isso, e não poderia deixar de fazer esse depoimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez muitas das estratégias que as professoras que eu tive durante a minha educação básica não tenham dado certo porque não adentraram meu universo como o RAP, eu não guardo boas lembranças de todas essas fases. Ao contrário, o RAP deu muito certo na minha vida, e na vida de uma geração de Hip Hoppers que extrapolaram os limites expressos nas estatísticas. É uma geração de jovens negros e periféricos que tiveram a oportunidade de, através desse movimento, construir novas expectativas de vida e mudar seu itinerário. Hoje, olhando os manos e minas que atuavam comigo lá atrás percebo que este movimento foi capaz de transformar nossas vidas, são grandes mudanças, a maioria conquistas individuais, mas acredito que o alcance dos nossos sonhos individuais nos fortaleça para a atuação coletiva.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Salve Márcio Brown, Márcio Banto, Josué, Juliana, W.M, L.D., Diego, Adilson, Hélen, Ariane, Afonso, Idi, Leandro (Tufo), Magda, Macarrão, Seu Zé (Dimensão 5), Marcela, Juliano, Kizzy, Veiga, Sarah, Mary, Mancha, Deivison, Kamarão, Raisuli, Priscila, Fred, Nino Brown, Cassia Preta, Ciro, Adriano, Cibele, Mara, Magu, Morfy, L.G, Panikinho, Maurício Correria, Janaina Machado, Família MLK, VPP, Ação Periférica, Elizandra, Fórum de Hip Hop do interior, Força Ativa, R.O.T.AÇÃO, Kilombagem, Tchuck, Família Pic Favela, entre tantos outros que compartilham histórias de transformações proporcionadas pelo Hip Hop e do mesmo amor que tenho por este movimento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman'; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Agradeço ao RAP por ter me ensinado a escrever.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-3137272731913637788?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/3137272731913637788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/10/eu-o-rap-e-escrita.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/3137272731913637788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/3137272731913637788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/10/eu-o-rap-e-escrita.html' title='Eu, o RAP e a escrita'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-3531611584867742283</id><published>2010-10-07T15:08:00.001-07:00</published><updated>2010-11-26T07:49:30.562-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Haiti'/><title type='text'>O Vodu e a Resistência Negra no Haiti</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Jaqueline Lima Santos &lt;/em&gt;(1)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Resumo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 71pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;No dia 12 de janeiro de 2010 o Haiti foi atingido por um terremoto que destruiu parte do território do país e deixou milhares de mortos e feridos. O Haiti teve uma árdua experiência de luta contra a colonização e foi o primeiro país das Américas a acabar com a escravidão e se tornar independente. Essa luta protagonizada pela população negra do país desembocou na primeira república negra das Américas. Após esse terremoto declarações de um pastor norte-americano e do cônsul do Haiti no Brasil geraram polêmicas na mídia a nível mundial, ambos associam a catástrofe ambiental a escolha religiosa do povo haitiano, o Vodu. Este presente ensaio aborda a trajetória que levou o Haiti a independência em 1804 e o papel que o Vodu cumpriu nesse processo, além da perseguição religiosa sofrida pelos praticantes do Vodu antes e depois desse período.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;strong&gt;Palavras-chave:&lt;/strong&gt; Vodu, Haiti, Intolerância religiosa, negros.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 246pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;em&gt;Os comunicados triunfantes das missões informam, na verdade, sobre a importância dos fermentos de alienação introduzidos no seio do povo colonizado. Falo da religião cristã e ninguém tem o direito de se espantar. A igreja nas colônias é uma igreja de Brancos, uma igreja de estrangeiros. Não chama o homem colonizado para a via de Deus mas para a via do Branco, a via do patrão, a via dos opressor. E como sabemos, neste negócio são muitos os chamados e poucos os escolhidos&lt;/em&gt;. (FANON, 1968)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A Ilha de Santo Domingo, primeiro território americano que os europeus tiveram contato, era habitada no século XVI por cerca de 1 milhão de nativos, o que foi reduzido no período de 15 anos para uma média de 60 mil habitantes. Esse processo de genocídio do povo nativo foi acompanhado da ocupação europeia e do intenso tráfico de africanos escravizados para trabalhar no território haitiano. Os homens brancos exploraram todos os recursos naturais desse território como forma de alimentar o mercado europeu. Segundo Popkin (2008), no século XVIII a ilha de Santo Domingo era indispensável para a manutenção da sociedade européia e da economia, pois era responsável pela metade da produção de café e açúcar no mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Os povos africanos trazidos para o Haiti vieram da região de Guiné, Angola, Nigéria, Senegal, Sudão, sendo a maioria do Golfo do Benin. Os europeus tinham como estratégia de escravização dos africanos a dissolução de laços familiares, étnicos e linguísticos, a divisão de trabalho baseada em hierarquias que quebravam a coesão entre os negros, a proibição dos cultos religiosos africanos e era imposto a todo negro escravizado o batismo católico. Essas estratégias eram utilizadas com o intuito de dividir para dominar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Diante da violência racial a que esses africanos estavam sujeitos, a história da escravidão também é marcada por uma história de resistência a escravidão, e a resistência negra nesse período se deram sobre as bases das crenças antepassadas: "(…) Desde os navios negreiros, pelo suicídio, pela greve de fome, pela recusa de medicamentos, o vento da revolta começou a soprar: os negros deixavam os corpos aos brancos e iam reunir-se no mundo de suas avós." (HURBON, 1987, P. 67). Em território haitiano os escravos fugiam das plantações para lugares inacessíveis onde:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 72pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;(…) reconstituíram a solidariedade étnica, recriavam suas tradições antepassadas e redescobriram a unidade espiritual para melhor afrontar os senhores brancos. É aí, nessas comunidades de resistência, que se constrói a consciência e autonomia política e cultural dos escravos. Nessa época é o Vodu que realiza a coesão dos escravos, impelindo-os à luta contra o domínio dos brancos. (HURBON, 1987, P. 67)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ao enxergar o potencial que a prática do Vodu trazia para a resistência dos negros a escravidão, a Igreja Católica começa a propagar que a prática do Vodu era algo vergonhoso e realizou campanhas anti-supersticiosas, chamadas por alguns de operação de limpeza. Os padres se referiam ao Vodu como macaquice indigna de um povo civilizado, além de satanizar e demonizar essa prática religiosa e tudo que era usado supersticiosamente. A igreja caracterizou-se por sua prática repressiva e perseguidora do Vodu no Haiti. Eles diziam que iriam tirar o país do domínio de Satã e colocá-lo dentro da civilização, "ou servia-se a Jesus, ou servia-se ao Diabo".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O dualismo ocidental define que "o mundo é palco de um conflito radical entre Deus e o demônio ou demônios. Do ponto de vista do homem, obviamente, Deus é o elenco positivo, já que o seu projeto inclui a felicidade humana, antes é a própria garantia desta, enquanto o demônio pretende justamente que esta não se efetive" (GOMES, 1996, P. 234).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Segundo Bourdieu (1976), a oposição entre os detentores do monopólio da gestão do sagrado e os leigos definidos como profanos, é a base do princípio da oposição sagrado e profano, "entre a manipulação legítima (religião) e a manipulação profana ou profanadora (magia e feitiçaria) do sagrado". A ideologia religiosa relega os antigos mitos ao estado de magia e de feitiçaria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Bourdieu (1976) diz que existe uma tendência de associar à magia características, práticas e representações dos grupos populares.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Pode-se observar, através da prática da igreja, o papel que o catolicismo cumpriu como braço estratégico da colonização européia e para a sustentação da ideologia de superioridade da "raça" branca, pois quando pressupõe que "o que é cristão é civilizado, o que é civilizado é branco" está construindo assim bases para a legitimação das práticas racistas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 71pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;(…) o tema da missão como implantação da Igreja e a noção da universalidade implícita na teologia católica são, para dar um exemplo, pilares da ideologia racista. Ela encontra aqui um álibi que permite ao Ocidente justificar sua supremacia cultural e política no conjunto do Terceiro Mundo. (HURBON, 1987, P. 29)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Para Bourdieu (1976) "a manutenção da ordem simbólica contribui diretamente para a manutenção da ordem política, ao passo que a subversão simbólica da ordem simbólica só consegue afetar a ordem política quando se faz acompanhar por uma subversão política desta ordem". A igreja contribui para reforçar simbolicamente as divisões da ordem política:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 71pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;"(I) pela imposição e inculcação dos esquemas de percepção, pensamento e ação objetivamente conferidos às estruturas políticas e, por esta razão, tendentes a conferir a tais estruturas a legitimação suprema que é a naturalização, capaz de instaurar o consenso acerca da ordem do mundo mediante a imposição e a inculcação de esquemas de pensamentos comuns, bem como pela afirmação ou pela reafirmação solene de tal consenso por ocasião da festa ou da cerimônia religiosa, que constitui uma ação simbólica de segunda ordem que utiliza a eficácia simbólica dos símbolos religiosos com vistas a reforçar sua eficácia simbólica reforçando a crença coletiva em sua eficácia; (II) ao lançar mão da autoridade propriamente religiosa de que dispõe a fim de combater, no terreno propriamente simbólico, as tentativas proféticas ou heréticas de subversão da ordem simbólica" (BOURDIEU, 1976, P. 70)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Se o vodu era o que dava elementos para que os negros confrontassem o sistema escravocrata, combatê-lo através do catolicismo era uma das principais estratégias dos colonizadores. A partir da crença da inferioridade racial dos negros, os colonizadores apostavam na assimilação cultural dos valores ocidentais como forma de desconstruir a identidade do negro, mas ao contrário do que pensavam, os escravos utilizarão e interpretarão os ritos católicos à maneira de sua própria religião, "servindo-se do catolicismo como máscara, consolidarão suas próprias práticas e crenças" (HURBON, 1987, P. 69).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Segundo Marshall Sahlins (1993), a cultura é uma capacidade singular da espécie humana de organizar as experiências e as ações através de símbolos. Cultura não é a matéria, mas é a forma como o ser humano estabelece suas relações com o mundo, seja ele material ou imaterial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Marshall Sahlins (1993) crítica o fenômeno de aculturação e afirma esse processo não existe, nem mesmo a extinção de uma cultura. O que existe no contato com novos valores e práticas sociais é a &lt;em&gt;intensificação cultural&lt;/em&gt; da comunidade local, ou seja, o "desenvolvimento simultâneo de uma integração global e uma diferenciação local" onde os novos elementos apresentados servem para fortalecer a cultura de um grupo que dá a eles uma dinâmica e interpretação própria. Sahlins (1993) crítica as antropologias que negam a autonomia cultural dos grupos localizados e diz que as mesmas quando fazem isso se portam "muito semelhantes ao colonialismo que elas, justificadamente, condenavam".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Fazer uma leitura de que esses processos culturais continuam vivos e interpreta o mundo a sua maneira por meio dos símbolos que o grupo compartilha não significa ignorar a exploração e violência vivenciada por diferentes sociedades no período de colonização, mas reconhecer que não é só o fenômeno da globalização que interfere nas comunidades locais, mas que elas também oferecem elementos para a interpretação do mesmo, realizando assim o que Sahlins chama e já apresentei acima de &lt;em&gt;intensificação cultural. &lt;/em&gt;Por mais violenta que tenha sido a colonização esses grupos não eram coisas, eram sujeitos capazes de organizar simbolicamente os novos elementos impostos ou não no contato com o colonizador.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 72pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;O que se segue, portanto, não deve ser tomado como um otimismo sentimental, que ignoraria a agonia de povos inteiros, causada pela doença, violência, escravidão, expulsão do território tradicional e outras misérias que a "civilização" ocidental disseminou pelo planeta. Trata-se aqui, ao contrário, de uma reflexão sobre a complexidade desses sofrimentos, sobretudo no caso daquelas sociedades que souberam extrair, de uma sorte madrasta, suas presentes condições de existência. (SAHLINS, 1993, P. 53).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Sahlins (1993) afirma que por mais limites que a colonização tenha colocado para os grupos que oprimiu não podemos negar que "esses grupos construíram suas próprias contraculturas, para além e por vezes no interior mesmo dos contextos diretos de sua servidão".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Segundo Hurbon (1987) no Haiti se diz frequentemente que é necessário ser católico para praticar o Vodu, pois nenhuma possibilidade de escolher a religião foi e é dada ao haitiano que é obrigado a adaptar-se as imposições dos valores ocidentais, e disfarçar sua crença através do sincretismo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O processo histórico que levou a independência do Haiti em 1804 foi marcado pela resistência negra que tinha como um dos seus principais instrumentos a prática religiosa do Vodu. Em 1757 um escravo originário de Guiné chamando Makandal assume a liderança de um grupo de negros fugitivos e usa a crença no Vodu e o seu sentido profético para incentivar os negros a matar os brancos colonizadores através da prática de envenenamento. Makandal é capturado e queimado vivo pelos colonizadores, mas continua sendo venerado como profeta e os venenos utilizados a partir de então passaram a ter o seu nome. "O caráter político do Vodu tornou-se tão evidente que tudo se fez para impedir qualquer manifestação religiosa dos negros" (HURBON, 1987, P. 66).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em 1791 uma cerimônia do Vodu no país uniu os negros com o objetivo de lutar pela independência do colonizador branco. Eles firmam um pacto de sangue onde todos se comprometem com a luta pela libertação do país, exterminação dos brancos e a criação de uma sociedade autônoma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #231f20; font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em 1793 o governo colonial, devido as intensas rebeliões estabelecidas pelos negros escravizados no território do Haiti, declara o fim da escravidão. Isso não abafa as rebeliões negras no país, pois os negros queriam mais que a liberdade, exigiam autonomia e a retirada dos colonizadores do território haitiano. A próxima década foi marcada por intensas rebeliões e a derrota por muitas vezes do exército colonial.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;span style="color: #231f20;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em novembro de 1803 a última tropa francesa deixa o Haiti, e em 1804, sob a liderança de &lt;/span&gt;Toussaint L'Ouverture&lt;span style="color: #231f20;"&gt;, o povo Haitiano conquista a sua independência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 71pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Além do aparecimento de profetas e heróis que levarão os negros a vitória, em 1804, é preciso, sobretudo, notar que, para os escravos, o vodu significou, desde cedo, linguagem própria, a consciência de sua diferença em relação ao mundo dos senhores, a força que aguçará a sua capacidade de luta. (HURBON, 1987, p. 68)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O Haiti foi palco de uma revolução racial onde as pessoas que eram definidas como inferiores pelo mundo europeu conseguiram virar a mesa sobre o opressor. Os colonizadores não acreditavam que essa hierarquia racial sob a qual se legitimava a dominação e exploração dos povos não ocidentais pudesse ser subvertida e tentaram esconder por muito tempo a história da revolução negra haitiana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;O Vodu pós-independência&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mesmo após a independência, o Vodu continua sendo condenado pelo sistema político haitiano. Segundo Bourdieu (1976), as fronteiras religiosas só podem ser abolidas através de uma revolução simbólica correlata a uma profunda transformação política. Os haitianos que resistiram à colonização conseguiram subverter a ordem política, mas esse processo não foi acompanhado por uma mudança da ideologia dominante que foi, durante muitos anos, imposta pelos brancos. Embora a maioria dos haitianos mantivesse a prática do Vodu, foi introjetado sobre o mesmo um imaginário social de que essa crença religiosa era inferior, e que o ocidente era o símbolo do desenvolvimento e da civilidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 71pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;"Por outro lado, se a religião católica se apresenta como a religião da civilização, religião da "sociabilidade", o praticante do vodu sente-se reduzido a um ser primitivo, supersticioso, seguidor de Satã. Rejeitar essas práticas àvitas passa a ser então algo até honroso para ele. Ei-lo imitando a civilização, a sociedade, o estrangeiro, o "branco", o burguês". (HURBON, 1986, P. 26)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Hurbon (1987) defende que o Vodu continua sendo perseguido pelo sistema político após a independência por dois motivos, o primeiro seria a crença por parte dos chefes de Estado de que era necessário mostrar que a primeira república negra nascia à altura das sociedades civilizadas, e o segundo seria que o Vodu tinha potencialidades políticas que poderia gerar práticas suspeitas, perigos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Em 1860, o governo independente do Haiti, influenciado pelos valores civilizatórios europeus que mesmo após a independência não deixou de permear o imaginário social, assinou uma concordata com o Vaticano que estabelecia uma cristandade e a luta contra o Vodu no país. Essa concordata tinha como meta elevar o país a "civilização, o oposto da barbárie e da sua superstição representadas pela africanidades radical dos haitianos." Neste período o clero desempenha o mesmo papel que teve durante a colônia, o de legitimar o Estado e a burguesia haitiana. (HURBON, 1987, P. 70)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 72pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;(…) o vodu "sempre foi considerado fora da lei, legado indesejado do passado, vergonhoso e inadequado ao estatuto político do cidadão haitiano". De fato, o código penal conferia ao braço secular o direito de punir qualquer delito de superstição ou qualquer ato que afrontasse a ortodoxia da igreja católica, graças a um Concordata assinada pelo vaticano e pelo Haiti em 1860 (HURBON, 1987, P. 19).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não seria contraditório afirmar que o Vodu continua vivo até os dias de hoje na sociedade haitiana e que o mesmo foi o elemento fundamental para a libertação do Haiti, e ao mesmo tempo dizer que esse novo poder composto daqueles que fizeram parte da revolução repudiaram após a independência a prática dessa crença religiosa, como também parte da população? O povo haitiano antes e depois da independência encontra-se diante de um paradoxo. O paradoxo seria a existência de uma consciência da necessidade de libertação frente a violência colonial ao mesmo tempo em que se incorpora elementos ideológicos dela, aqueles que legitimam as práticas mais preconceituosas. Isso fez com que houvesse uma libertação física, mas não da ideologia a que estavam submetidos que inferiorizava seus valores culturais em detrimento da super valorização da cultura ocidental.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O que podemos responder é que a missão civilizadora da igreja católica colocou o Haiti em um mar de contradições. O Vodu no Haiti foi violentado de tal forma que se tornou uma prática religiosa alimentada por uma população imersa na contradição, pois ao mesmo tempo que persistem em sua existência e praticam essa religião, carregam a vergonha e o estigma que foi colocado sobre a mesma pela ideologia colonizadora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 70pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;O cristianismo, tal como existe no Haiti, impôs novo sistema de referências que começou por desvalorizar os costumes antigos e os modos originais de existir. Compreende-se, assim, por que o praticante do vodu não consegue escapar à dominação. Despojado de sua linguagem, exilado de si mesmo, não dispõe mais de nenhuma defesa. (HURBON, 1987, P. 26)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O Vodu ao longo da história foi caracterizado pelo seu papel contestador da ordem estabelecida. Embora seus praticantes estejam diante de valores civilizatórios que oprimem sua religião, e tenham ao longo da história interiorizado muitos desses valores, foi na contradição frente a igreja católica que ele se renovou diante de cada mecanismo de opressão, encontrou meios de sobrevivência através das práticas daqueles que viam no catolicismo formas de reinterpretar os rituais e valores religiosos do Vodu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 71pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Não deixa de ser surpreendente que, apesar de todas as perseguições, o vodu tenha sobrevivido no Haiti. De fato, ele chegou ao país sob o signo da perseguição e foi o modo de resistência utilizado pelos negros no confronto com os brancos. Sua capacidade de adaptação a todas as situações é, pois, congênita."(HURBON, 1987, P. 72)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No Haiti do pós – independência, poder estava ligado a ideia de desenvolvimento e civilidade, palavras associadas às sociedades brancas, européias e ocidentais pela ideologia colonial; tudo fora desses padrões era visto como atrasado, primitivo e bárbaro. A igreja católica contribuiu com a naturalização dessas ideias por meio das suas pregações religiosas. O haitiano, ao incorporar essa visão de mundo quando assume o poder, põe em prática um modo de governar muito similar ao do colonizador, reprimindo seus próprios valores e tradições culturais, o que o impossibilita a uma completa libertação. O que querer para além do poder? Segundo Hurbon a libertação do povo haitiano se dará pela redescoberta de sua própria identidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;É evidente também que na história do Haiti houveram aqueles que se negavam a esse processo de alienação, e fizeram por muitas vezes um apelo as tradições africanas para salvar o país. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;A colonização americana&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De 1915 a 1934 o Haiti passa por um dos seus momentos mais terríveis de humilhação, a colonização americana. Antes de 1915 havia uma disputa do mercado haitiano entre as grandes potências européias e a elite do país.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A partir de 1915, os EUA, através da colonização direta, inclui o Haiti no capitalismo monopolista, "o banco nacional, o comércio, a administração e o exército serão totalmente colocados sob controle do imperialismo americano. Camponeses serão expropriados e condenados a trabalhos forçados"(HURBON, 1987, P.71). &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O imperialismo político e econômico americano no Haiti também se justificou pelo objetivo de "combater a barbárie que atingia as massas haitianas em consequência das crenças do Vodu". Segundo Hurbon (1987) o Vodu era considerado a expressão da "haitianidade" que poderia recuperar a autonomia cultural do país frente ao racismo americano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mais uma vez, na história do Haiti, o Vodu é responsabilizado pelo atraso e problemas sociais do país e combatê-lo era um dos objetivos do colonizador. Na verdade, o que a história nos mostra, é que a prática do Vodu sempre esteve presente e cumpriu papel fundamental nas ações que buscavam autonomia do povo haitiano, e a sua prática era vista como um perigo que poderia subverter a ordem estabelecida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Durante o período de colonização americana surgiram muitas produções literárias que questionavam a situação a qual o Haiti estava submetido. Jean Price-Mars, o fundador da negritude no Haiti, escreve uma das principais obras desse gênero no país, "Ainsi parla L'Oncles", onde chama os haitianos para reencontrar sua originalidade no Vodu ao invés de recusá-lo e associá-lo a inferioridade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Após 1937, quando o EUA deixa o território haitiano, os governos que se sucederam no país ficaram por um bom tempo sendo influenciados pelo poder político e econômico dos americanos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;O Vodu e os problemas naturais, econômicas e sociais no Haiti&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A demonização do Vodu no Haiti é utilizada para esconder as reais contradições sociais do país.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 71pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;A posição da Igreja Católica em relação ao vodu teve o efeito de impedir que o povo haitiano tivesse consciência real das contradições econômicas e dos antagonismos sociais. Por quê? O subdesenvolvimento do camponês não seria, de nenhum modo, resultado da exploração secular e da violência que ele sofre da parte das classes dominantes, mas simplesmente fruto de mentalidade supersticiosa. São os ugã e os bckc, os feiticeiros e os espíritos que fazem sofrer o camponês haitiano; não as empresas norte-americanas, nem os grandes proprietários (o Estado, os grandes senhores, os altos funcionários, os especuladores). E o camponês acredita tanto no poder espiritual e coail do sacerdote que acabou por aceitar a violência do aparelho eclesiástico e por integrar o sistema cristão em seu próprio universo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 71pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Deste modo, o cristianismo torna-se simples consolo. Mesmo quando o clero promove obras de caridade entre os camponeses – escolas, dispensários, cooperativas, etc. - na realidade está sempre a serviço das classes dominantes: por um lado, a Igreja dispõe de bens materiais, quase todos fornecidos pelas classes dirigentes; por outro, ela apoia o regime político em vigor, ou seja, a Ordem e o Poder, mesmo se o regime é repressivo. Em tal situação, é óbvio que o catolicismo só pode manter as estruturas sociais do país e desviar para o terreno imaginário uma luta que deveria ser travada no plano concreto do sistema econômico, social e político. (HURBON, 1987, P. 28)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A religião ocidental vê o cristianismo como a única possibilidade de crença, o universal, "o acabamento de toda a religião", sem pensá-lo dentro do seu contexto histórico particular, o que a impossibilita de reconhecer outras práticas religiosas. Cria assim uma dualidade ao refletir sobre o mundo: o certo e o errado, o bom e o ruim, o sagrado e o profano; essa perspectiva associa tudo que se refere ao mundo ocidental e cristão como positivo, e tudo que esteja fora dos seus padrões e crenças como negativo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Segundo Bourdieu (1976), a oposição entre os detentores do monopólio da gestão do sagrado e os leigos definidos como profanos, é a base do princípio da oposição sagrado e profano, "entre a manipulação legítima (religião) e a manipulação profana ou profanadora (magia e feitiçaria) do sagrado". A ideologia religiosa relega os antigos mitos ao estado de magia e de feitiçaria. Existe uma tendência de associar à magia características, práticas e representações dos grupos populares.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Hurbon (1987) diz que o Vodu, &lt;span style="color: #231f20;"&gt;"como religião e cultura por excelência das camadas populares, ele é taxado de superstição primitiva ao mesmo tempo em que seus adeptos são explorados pelas classes dominantes". O Vodu, predominante nas comunidades rurais haitianas, é apresentado como motivo de atraso dessas regiões, justificativa daqueles que projetaram uma missão civilizadora dos moradores dessas comunidades via catolicismo, meio pelo qual a igreja defendia que esse povo tornaria-se "desenvolvido".&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Segundo Gomes (1996), o dualismo ocidental olha o mundo como palco de um conflito existente entre Deus e o Demônio, em que "Deus é o elenco positivo, já que o seu projeto inclui a felicidade humana, antes é a própria garantia desta, enquanto o demônio pretende justamente que esta não se efetive" (Gomes, 1996, P. 234).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Assim todos os problemas sociais como pobreza, doença, infelicidade, entre outros são demonstração de que há uma ausência de Deus e presença dos demônios na vida daqueles que enfrentam esse tipo de situação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O Vodu, uma religião totalmente diferente do cristianismo, passa a ser colocado como responsável pelos problemas diversos existente no país e na vida das pessoas, sob a crença de que seus praticantes estão longe dos caminhos de Deus e por isso vivenciam tantas dificuldades. Poderíamos chamar esse processo de alienação do povo frente às verdadeiras causas das contradições sociais, pois culpa-se o Vodu por um problema do qual ele não é o determinante, mas sim as relações de exploração e a colonização européia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Segundo Hurbon (1987) o cristianismo ocidental reforça o complexo de inferioridade cultural do povo haitiano e ao mesmo tempo consegue desviá-lo da luta (luta política) pela transformação de suas condições econômicas e sociais da vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Qualquer problema que a sociedade haitiana enfrente, seja ele de ordem natural, social e econômica, é visto pelas instituições cristãs como um problema causado pelo Vodu, assim como acontece em outros países em que diversas dificuldades vivenciadas pelas pessoas são associadas às religiões de matriz africana. Um exemplo disso é a declaração do Cônsul do Haiti no Brasil Gerge Samuel Antoine e do Pastor norte-americano Pat Robertson frente ao terremoto que destruiu parte do Haiti no início do ano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;No dia 12 de janeiro de 2010 o território Haitiano enfrentou um terremoto de magnitude 7, que matou aproximadamente 200 mil pessoas, 300 mil ficaram feridas e 4 mil foram amputadas", além disso cerca de 250 mil casas e 30 mil empresas foram destruídas, existem mais de 1 milhão de pessoas desabrigadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Após o desastre natural, veículos de comunicação de todo o mundo se deslocaram para cobrir os acontecimentos no país. Iniciou-se um processo de mobilização de ONGs internacionais, instituições religiosas, Nações Unidas e exércitos de diferentes países para ajudar nas buscas, no atendimento a população e na reorganização do Haiti.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A maioria dos meios de comunicação abordaram de forma sensacionalista a situação no Haiti, explorando imagens de pessoas andando pelas ruas sem rumo, de mortos espalhados pelos escombros, de crianças que ficaram sem suas famílias, do desespero do povo haitiano. Nos canais de televisão houveram discussões de todos os tipos sobre a situação do Haiti, muitos fizeram um resgate histórico do país e enfatizaram sua condição de país mais pobre das Américas. Os episódios que ganharam destaque na cobertura jornalística foram as declarações do Cônsul do Haiti no Brasil Gerge Samuel Antoine para o SBT e do Pastor norte-americano Pat Robertson no seu canal "Christian Broadcasting Network".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O Cônsul do Haiti no Brasil sem saber que estava sendo gravado declarou em programa do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) que o problema do Haiti é a religião: "Acho que de tanto mexer com macumba, eu não sei o que é aquilo. O Africano em si tem maldição, todo lugar que tem africano ta f...". O Cônsul através dessa declaração demonstra o quanto o imaginário racista e o ideal civilizador esta presente em países que tiveram a experiência da exploração e colonização dos povos africanos. Além disso, ele explora a ideia de que "A desgraça de lá ta sendo uma boa pra gente aqui ficar conhecido". Ele crítica a prática religiosa dos africanos ao mesmo tempo em que anda com um terço na mão, e declara que é para trazer energias positivas, acalmar as pessoas, "Como eu estou muito tenso, deprimido com o negócio do Haiti, a gente fica mexendo com vários para se acalmar".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O pastor norte-americano Pat Robertson no seu canal "Christian Broadcasting Network" também faz associação entre o desastre natural no Haiti e o Vodu, como prática religiosa. Ele afirma que o terremoto que aconteceu no Haiti é consequência de um "pacto com o diabo" que a população do país fez para se tornar independente da França: "- Eles [haitianos] se reuniram e selaram um pacto com o demônio. Disseram a ele: "Serviremos a você se nos livrar dos franceses." A história é verdadeira. E o demônio respondeu: "Está certo!". Desde então, eles são vítimas de uma série de maldições."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tanto a declaração do pastor como a declaração do cônsul partem de pressupostos religiosos do cristianismo, sendo que o primeiro é evangélico e o segundo católico. Ambas as denominações não estão abertas a reconhecer outras formas de crer, como se as suas doutrinas fossem o único caminho possível, demonstrando assim a intolerância religiosa. Segundo Mariano (2007) intolerância seria a certeza de possuir uma verdade absoluta que deve ser imposta aos demais. Foi de maneira intolerante que a igreja se manifestou diante das religiões não cristãs em países que foram colonizados pelo mundo ocidental.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mais uma vez o profano, o mal, os demônios da visão de mundo ocidental associados ao Vodu o culpabiliza por um problema que não é seu, mas de ordem da natureza, o terremoto. Mais uma vez a intolerância, o preconceito e a discriminação religiosa são utilizados para encobrir os reais problemas existentes no Haiti, é utilizada para alimentar as mentes daqueles que não consegue ver outras formas de vivenciar o mundo que não seja a sua e alienar a mente daqueles que estão sendo violentados simbolicamente pelos valores civilizatórios europeus. Mais uma vez o diabo e os demônios são responsáveis por todos os males que afetam a humanidade, e não a exploração do capital, as relações de poder, o racismo, as invasões e etc. Seria importante perguntar para os haitianos praticantes do Vodu aonde existe o demônio em sua religião.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Desde 2004, tropas do exército brasileiro estão presentes no Haiti em "missão humanitária" com o objetivo de garantir a segurança do país e os direitos humanos fundamentais para a população. São seis anos de ocupação e presença de um corpo militar que já é violento no Brasil, e que não serve de exemplo para implementar missão de paz em lugar nenhum do mundo, aliás, algum exército no mundo poderia implementar uma missão de paz? São várias as denúncias do povo haitiano em relação à violência policial, homicídios, estupros e abuso de poder por parte do exército brasileiro, e além dessas críticas da própria população, em seis anos de ocupação o exército brasileiro não conseguiu preparar o país para possíveis catástrofes como o terremoto de 2010, então me pergunto: Qual o objetivo da presença brasileira e da ONU no Haiti? Thomaz (2010) faz o seguinte questionamento: "Após seis anos de ocupação, os hospitais e as escolas ruíram. Depois da tragédia de Gonaives, quando essa cidade foi soterrada na passagem de um furacão, em 2004-, não teríamos de estar minimamente preparados para a gestão de uma calamidade?". Para onde vão os bilhões de dólares que a ONU investe anualmente no Haiti?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ao invés de se discutir a violência em que o Haiti esta sendo submetido antes e depois de sua independência em 1804, a violação da autonomia dos povos, a presença incompetente da ONU e das tropas brasileiras no país, e exploração, se discute a crença do povo haitiano. Não se discute a exploração internacional, e o Vodu, somente o Vodu, é o culpado de tudo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Conclusão&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-left: 248pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Diante da fúria da natureza não cabe outro sentimento que o de uma frustração que deita raízes numa história profunda e que subitamente pode ganhar cor: o mundo dos brancos nos destruiu; o mundo dos brancos diz que quer fazer alguma coisa, mas o que faz, além de nutrir seus telejornais com fotos miseráveis que só fazem alimentar a satisfação autocentrada dos países ditos ocidentais? &lt;span style="color: black;"&gt;(THOMAS, 2010)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A história do Haiti, primeira república negra das Américas, subverteu a crença dos colonizadores sobre a inferioridade racial dos negros, pois jamais imaginavam que estes seriam capazes de lutar pela sua liberdade, derrotar o exército francês e construir uma nação independente. A história que levou a independência do Haiti em 1804 é motivo de orgulho para a diáspora africana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O Vodu como religião majoritária no Haiti foi fundamental para o processo de resistência que se inicia na travessia forçada de africanos pelo atlântico. Foi através do Vodu que os negros haitianos tomaram consciência da fronteira que existia entre eles e os colonizados e da necessidade de se libertar e tornar uma nação independente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Por seu caráter revolucionário, o Vodu foi historicamente perseguido pelas instâncias políticas e religiosas, sendo que esta última funcionava como braço legitimador da primeira. A igreja "(...) por estar investida de uma função de manutenção da ordem simbólica em virtude de sua posição na estrutura do campo religioso (...) contribui sempre para a manutenção a ordem política." (BOURDIEU, 1976, P. 72).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A intolerância religiosa no Haiti foi uma prática de instituições católicas e protestantes ao longo de todos esses séculos. Ao condenar o Vodu e separar o universo religioso entre sagrado e profano, impunham um modo de crença ao povo Haitiano, e tudo que se diferia dele era demonizado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 70pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Ora, quando o crente ocidental vê no cristianismo a plenitude e o acabamento de toda a religião e deixa de pensá-lo traduzido numa instituição ou confissão, isto é, dentro de uma história particular, simplesmente ele suprime a possibilidade de reconhecer o valor atual de outras tradições religiosas. (HUNTER, 1987, P. 34) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Essa perseguição religiosa criou estigmas sobre o Vodu, violentando simbolicamente a identidade de seus praticantes. A Igreja difundia através de seus discursos religioso uma ideologia que condenava o Vodu a vergonha, atraso e incivilidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Talvez um dos maiores problemas do povo Haitiano após a independência foi não se libertar exatamente dessa violência simbólica que condenava suas tradições culturais. Embora tenham tomado o poder, muitos desses estigmas implantados pelo colonizador no imaginário social continuaram permeando as relações de poder e condenando o povo do país a civilidade ocidental. A colonização implantou mais que uma violência física, mas uma violência simbólica da qual se vivencia suas consequências até hoje nos territórios que passaram por essa experiência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mesmo assim, diante de todas as repressões, o Vodu encontrou mecanismos históricos de sobrevivência, foi reinterpretado até dentro daquelas instituições religiosas que se declararam suas inimigas, e assim seus praticantes foram estratégicos na luta pela manutenção de seus rituais e crenças religiosas. Assimilados? Assim diziam os colonizadores, porém erraram. Era nos elementos católicos que o Vodu reforçava a sua resistência em tempos de perseguição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Tudo foi feito pelas grandes potências para negar a história da revolução negra haitiana; era impensável e proibido falar sobre os negros que derrotaram o exército ocidental. Tudo foi feito para apagar esse episódio da história e destruir as perspectivas haitianas de uma nação livre e independente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Após a independência em 1804, o Haiti enfrentou diversas dificuldades como o embargo político, ocupação americana, imposições do imperialismo internacional, exploração de seus recursos naturais por grandes potências, guerra civil, invasões e hoje a presença das tropas brasileiras em seu território. Tudo foi feito para tirar a autonomia do povo haitiano, e muitas vezes sob a justificativa de ocupar o território para ajudar a reorganizar o país.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O que a história nos mostra é que não poderia, pelas grandes potências internacionais, deixar que uma história como a do Haiti desse certo. Isso contraria suas perspectivas sobre os povos colonizados e põe por baixo o status que carregam de países "desenvolvidos". Por isso tudo foi feito para implantar no território haitiano a miséria, os conflitos, o racismo, a exploração econômica e etc. Após a independência o Estado Haitiano não era menos que nenhum outro Estado das Américas, mas sua perseguição política fez com que se tornasse o país mais pobre das Américas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 70pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Sua derrota e o massacre posteriores deram lugar ao quadro de miséria e abandono em que voltou a viver o Haiti e que persiste - é o país mais pobre das Américas. Tivessem triunfado plenamente os ideais de Toussaint L'Ouverture, outro seria o destino do Haiti. Mas sua gesta confirma a capacidade dos negros de afirmar sua cidadania e ser dono dos seus próprios destinos. (SADER, 2004)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Além de ter deixado o Haiti na situação a qual se encontra, o mundo ocidental nutriu e continua nutrindo uma ideologia que busca esconder o peso que a colonização teve para a atual condição do país. Prova disso são as declarações do Cônsul do Haiti no Brasil e do Pastor norte-americano. Tudo é um problema da religião, e sob esse argumento esconde-se a exploração realizada pelos países ocidentais nos territórios denominados hoje "subdesenvolvidos". Esconde-se as reais causas de suas condições miseráveis, e esconde-se também sua história de vitórias e triunfos, tudo afim de acabar com a identidade do povo haitiano.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Podemos identificar práticas similares à intolerância religiosa no Haiti aqui no Brasil. As igrejas católicas, pentecostais e neo-pentecostais costumam culpabilizar as religiões de matriz africanas do pelos problemas existentes na vida de indivíduos, famílias e instituições e alienar as pessoas frente às reais contradições sociais em que estão inseridas (GOMES, 1994). As instituições religiosas a partir dessas práticas acabam por legitimar e desresponsabilizar as instituições do Estado e o mercado corrente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Para concluir, tenho motivos para chorar ao olhar para o Haiti, mas também tenho motivos para sorrir ao olhar para o Haiti. Os motivos que me fazem chorar advêm da colonização, que explorou o território, a mão-de-obra, seus recursos, instaurou o conflito, a miséria e condenou as práticas culturais do haitiano, deixou o Vodu na mira da perseguição e violentou a identidade de seus povos. Os motivos que me fazem sorrir é a história de luta e resistência que foi travada pelos negros naquele país, experiência que tem inspirado as ações da diáspora africana.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Como bem disse Hurbon (1987, P. 26) "se as estruturas econômicas e sociais do país não mudam, o povo permanecerá afundado na mesma sujeição". As religiões ocidentais contribuem para a manutenção da ordem estabelecida, o que permite com que elas continuem exercendo o monopólio da fé.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Referências Bibliográficas:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;AMARAL, Leila. "Sincretismo em movimento". In: Carozzi, Maria Júlia e outros: Nova Era. Editora Vozes, 1999.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;BOURDIEU, Pierre. "Estrutura e gênese do campo religioso. In A economia das trocas simbólicas. Editora Perspectiva 1992&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;GOMES, Wilson. "Nem anjos nem demônios". In: Alberto Antoniazzi e outros: Nem anjos nem demônios. Editora Vozes, 1996.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;HURBON, Laennec. O Deus da Resistência Negra: O Vodu Haitiano. São Paulo: Paulinas, 1987.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;MARIANO, RICARDO. "A demonização dos cultos afro-brasileiros. In: Vagner Gonçalves da Silva (org.): Intolerância religiosa. Edusp 2007&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;SADER, Emir. A grande Revolução no Haiti. In: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.consciencia.net/2004/mes/01/sader-haiti.html"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;http://www.consciencia.net/2004/mes/01/sader-haiti.html&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;, 2004.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;SAHLINS, Marshall. &lt;span style="color: black;"&gt;"O 'pessimismo sentimental' e a experiência etnográfica: porque a cultura não é um 'objeto' em via de extinção" (Parte I e II) . Mana, v. 3, n. 1, 1997.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;THOMAS, OMAR Ribeiro. O Haiti já estava de joelhos; agora, está prostrado. Especial para a Folha em Porto Príncipe, 14/01/2010.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;&amp;nbsp;--&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;Mestranda em Ciências Sociais – Antropologia pela Universidade Estadual Paulista – UNESP. Militante do Movimento Negro Unificado e do Fórum de HIP HOP do Interior Paulista. E-mail: &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:santos.jaquelinelima@gmail.com"&gt;&lt;span style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif; font-size: large;"&gt;santos.jaquelinelima@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-3531611584867742283?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/3531611584867742283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/10/o-vodu-e-resistencia-negra-no-haiti.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/3531611584867742283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/3531611584867742283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/10/o-vodu-e-resistencia-negra-no-haiti.html' title='O Vodu e a Resistência Negra no Haiti'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-5290925723143420318</id><published>2010-06-23T12:46:00.001-07:00</published><updated>2010-06-23T12:50:48.252-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Estatuto da Igualdade Racial'/><title type='text'>Estatuto da Igualdade Racial: o debate que não houve</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;Por Jaqueline Lima Santos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Encontramos, no Movimento Negro, há alguns anos, diferentes posturas sobre o texto, tantas vezes alterado, para implementação desta lei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apresentado em 2005 pelo Senador Paulo Paim, a lei 6.264/05 tinha como objetivo geral "garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades, a defesa dos direitos étnico-raciais individuais, coletivos e difusos e o combate à discriminação e às demais formas de intolerância étnico-racial". Ao longo desses cinco anos, uma série de alterações foram realizadas no texto original, provenientes de acordos e negociações entre as forças presentes no legislativo brasileiro, retrocedendo frente às reivindicações do Movimento Negro, estas construídas em encontros, congressos, seminários e conferências.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inicialmente, a crítica maior é de que o Estatuto tem um caráter autorizativo, sem o poder de imposição legislativa, ou seja, não obriga o Estado Brasileiro, em todas as suas instâncias, a implementar os pontos nele apresentado. Outra crítica é a de que não havia nenhum recurso direcionado para a implementação do mesmo, logo, um Estatuto autorizativo, sem verba, seria implementado como? Se o Estado lhe garante o status de facultativo, e não direciona nenhum recurso para sua implementação, o Estatuto se configura, parafraseando Reginaldo Bispo, como a nova Lei Áurea, não muda nada, e continuamos reféns do racismo institucional, preconceitos, discriminações e da ausência de políticas específicas que atendam nossas demandas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O debate que não houve, sobre esse estatuto, foi com a sociedade civil. O Estatuto não foi discutido em audiências públicas, e pouco se levou em consideração os documentos retirados em conferências, congressos e seminários de organizações do movimento negro sobre o mesmo, isto é, quando as organizações se propuseram a discutir o documento em questão, pois esse debate ficou esvaziado dentro desses próprios grupos, como se o Estatuto, independente do seu texto, trouxesse grandes avanços para nós, negras e negros. Muitos defendem o Estatuto sem ao menos conhecê-lo na íntegra, acompanhar o debate que está sendo travado em torno do mesmo, simplesmente por carregar o nome "Estatuto da Igualdade Racial". Ainda há uma alienação coletiva do processo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O MNU (Movimento Negro Unificado), como resolução de Congresso Nacional, propôs na II Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CONAPIR), e em debates públicos, a retirada desse Estatuto para que este fosse debatido pelos setores do movimento negro e sociedade civil, e posteriormente fosse apresentado ao Estado brasileiro. Esta proposta dividiu a delegação da II Conferência, que mesmo votando a favor do Estatuto, se posicionou contra as negociações partidárias que tirassem da pauta direitos reivindicados por negras e negros. Nossa organização tem travado um debate crítico sobre o Estatuto a mais de três anos, sem recuar em nossas reivindicações históricas e nos negamos a abrir mão dos nossos direitos, nos recusamos a trocá-los por migalhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo estes e outros problemas sendo levantados, o Estatuto, ao invés de avançar, levando em consideração os apontamentos trazidos por alguns setores movimento negro, retrocede novamente. Isto mostra como as vozes que ainda tem força na sociedade brasileira são as vozes das elites brancas, isto porque, nós negros, neste campo, não temos o direito de decidir sobre o nosso próprio futuro, e as políticas de Estado que são direcionadas para o nosso segmento ainda depende dos "superiores" sobre o que é o mais importante para nós, dou exemplos para esta afirmativa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Estatuto da Igualdade Racial aprovado no dia 16 de junho de 2010, fruto do acordo entre os DEMOcratas e a SEPPIR, esta ultima responsável pela Conferência Nacional de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, espaço onde delegadas e delegados de todo o Brasil se manifestaram contra a retirada de direitos reivindicados historicamente pela população negra do Estatuto, teve como suprimidos pontos referentes as ações afirmativas, identidade, direitos dos quilombolas e saúde da população negra. &lt;span style="color: black;"&gt;Segundo Reginaldo Bispo "o projeto diz não a titulação das áreas quilombolas, a cota no serviço publico, nas universidades, nas legendas partidárias. Não ao auto-reconhecimento identitário. Proíbe que doenças com maior incidência em negros, sejam consideradas assim (...)".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Para Jurema Werneck as mudanças no capítulo de saúde do Estatuto e a supressão quesito cor no atendimento do SUS desrespeitam deliberações construídas em espaços de democracia participativa, como o Conselho Nacional de Saúde, e ignora uma série de conquistas históricas no campo da saúde, além de prejudicar diretamente a população negra. Ignora as especificidades e os dados estatísticos que trazem a tona a vulnerabilidade e risco social que este segmento está submetido, o que contribuiu para o reconhecimento da necessidade de um atendimento específico para esta parcela da população. Logo concluí que "o Estatuto faz mal para a saúde da população negra, ao Sistema Único de Saúde, e à sociedade brasileira".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Frei Leandro, integrante da Educafro, considera este Estatuto "capenga, descaracterizado em sua origem e sem forças políticas para o movimento negro brasileiro. Com efeito, a aprovação satisfez as posturas conservadoras de algumas entidades negras. Porém, na verdade, o que foi aprovado foi um Estatuto do Senador Demóstenes Torres (DEM - GO) que fez descer goela a dentro um texto que, político e ideologicamente, representa o Partido Democratas, corado por seu conservadorismo e atraso social".&lt;/span&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;Guacira Cesar de Oliveira apresenta os argumentos do setor conservador que defende as alterações no Estatuto: "o estatuto vai racializar a sociedade brasileira, como se a idéia de raça, da superioridade branca e inferioridade negra não tivesse fundado o Brasil desde a colônia; não existe racismo no Brasil, como se quem vive o racismo na pele, na verdade estivesse sofrendo delírios; as quotas vão racializar a sociedade brasileira e gerar confrontos que hoje não existem, como se o assassinato de jovens negros pela polícia nesse país fosse uma peça de ficção". Estes argumentos, segundo ela, se contradizem com a realidade colocada, em que o racismo se expressam em dados de exclusão, preconceito e discriminação.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, anos depois, o Estatuto é colocado no centro do debate das redes do movimento negro. Alguns celebram, outros lamentam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Edna Roland defende que não há mais negociações, e que o Estatuto de Demóstenes viola uma série e Convenções, Declarações e Documentos em que o Estado brasileiro assinou, e logo teria o compromisso de combater o racismo em forma de discriminação e preconceito, além de promover políticas de promoção da igualdade racial. Para Edna Roland, o Senador Demóstenes nega as contradições sociais produzidas pela escravidão e, ao substituir palavras como "derivadas da escravidão" do Estatuto, ao afirmar que no Brasil não há discriminação por causa da cor, ao defender a meritocracia, mutilou um projeto original construído pelo Senador Paulo Paim. Ela afirma também que é "impossível para o relator manter a coerência: não ousou retirar o Racial do nome do Estatuto, nem pode eliminar tais palavras dos conceitos discriminação racial ou étnico-racial, e desigualdade racial, mas pretende eliminar do conteúdo de tais conceitos.&amp;nbsp; Assim, o Senador Demóstenes Torres, se arvora o direito de mutilar não apenas o projeto do Estatuto, mas também a própria Convenção Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial: para ele raça não é um fator com base no qual ocorra a discriminação racial, já que ele insiste em utilizar uma definição genética de raça e geneticamente raça não existe.&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Para ser coerente, o Senador deve propor o veto integral ao projeto, pois se trataria, segundo ele, de um projeto acerca de algo que não existe". Com isso, ela conclui afirmando que estamos por nossa própria conta, e que "não podemos esperar nada de um Senador da República com a mentalidade de um senhor de escravos: segundo ele qualquer política que promova a igualdade no mercado de trabalho vai produzir rancor dos que vão perder os seus privilégios e portanto não devem ser aprovadas", e que é preciso relembrar Palmares, se a história já mostrou o que deu certo, "há momentos em que somente a derrota pode nos salvar".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segundo Onir de Araújo, membro do GT quilombola do MNU-RS, o Estado brasileiro, desde a conquista da Constituição de 1988, não cumpriu o seu papel de entregar os devidos títulos as terras quilombolas, e o Estatuto de Demóstenes, ao retirar o direito à titulação das terras quilombolas do texto original, marca a posição da bancada ruralista e reforça a ADI 3239 dos DEMOcratas, que defende os interesses dos grandes latifundiários e viola os direitos das comunidades quilombolas, ameaçando-as de perderem o direito a titulação de seus territórios. Não foi a toa que elegeram tal Senador para ser o relator desse projeto lei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O propositor das alterações, Demóstenes Torres, é o mesmo que nas audiências públicas sobre cotas no STF, em março deste ano, negou as mazelas da escravidão brasileira e afirmou que as mulheres negras consentiram com os estupros dos quais foram vítimas de senhores brancos no período da colonização, utilizando este argumento para, mais uma vez, afirmar que nós constituímos uma harmonia racial, sem contradições e correlações de força. No caso do Brasil, por exemplo, a miscigenação não significou a ausência de racismo, mas a causa de uma racismo diferente, que envolve uma discussão sobre raça e sexualidade. A miscigenação ainda hoje é glorificada como exemplo da nossa "democracia racial", utilizada para justificar a existência de uma harmonia entre a Casa Grande e a Senzala, como dizia Gilberto Freire em seus escritos. O que não é levado em consideração é a violência pela qual foram expostas milhares de mulheres negras diante do sistema colonial, desconsidera-se os atos de violência sexual, estupros em detrimento do discurso de que não temos conflitos raciais e que somos um povo misturado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nós, negras e negros, que devemos ser os propositores, temos que ser protagonistas das nossas próprias histórias. Até quando teremos que ter nossas vozes caladas pelas vozes da elite branca, ou teremos que falar pelas vozes das elites brancas? Temos nossos próprios enunciados, e estes devem ser levados em consideração. Porém, nosso debate sobre esse Estatuto ainda está esvaziado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Brasil fala-se tanto da democracia participativa, da importância dos Conselhos e Conferências como forma de exercer o controle social sobre o Estado, mas diante desta questão eu me pergunto: quem tem exercido o controle social, a sociedade civil ou o Estado? Como afirma Silvany Euclênio, "fomos traídas e traídos".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há quem jogue a culpa do fracasso do Estatuto nos críticos que colocaram os problemas desta lei em debate, defendendo que deveríamos ir para o Congresso Nacional pressionar os parlamentares para que a nossa pauta seja atendida. Ora, já fomos para conferências, congressos, seminários, organizamos marchas e caravanas, ajudamos a eleger uma série de parlamentares, e mesmo assim houve quem tentou esvaziar o debate crítico, e hoje temos esse Estatuto, fomos traídas e traídos. Não existe mais negociação, o Estado, a SEPPIR, o DEM e os adesistas desse Estatuto passaram por cima da democracia participativa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos aderir a Mobilização Nacional para que o Presidente Lula não sancione o Estatuto do Demóstenes e da SEPPIR.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-5290925723143420318?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/5290925723143420318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/06/estatuto-da-igualdade-racial-o-debate.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/5290925723143420318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/5290925723143420318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/06/estatuto-da-igualdade-racial-o-debate.html' title='Estatuto da Igualdade Racial: o debate que não houve'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-2731482952531628694</id><published>2010-06-09T18:29:00.001-07:00</published><updated>2010-06-09T18:35:37.631-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Epistemicídio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Produção Intelectual de Mulheres Negras'/><title type='text'>A Produção Intelectual das Mulheres Negras e o Epistemicídio: Uma breve contribuição</title><content type='html'>&lt;span xmlns=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Jaqueline Lima Santos (1)&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;A primeira vez que escutei esta palavra estranha, epistemicídio, levantei várias hipóteses sobre o seu significado. "Episteme" estaria ligada ao conhecimento, e "cídio" me lembrou a palavra homicídio, que significa "crime que mata outrem", logo cheguei à conclusão que o epistemicídio seria o assassinato do conhecimento de alguém. E quem seria este alguém que está sujeito ao epistemicídio? Nesse texto pretendo trazer uma breve apresentação do conceito, e posteriormente tratar da produção intelectual das mulheres negras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Em busca de referências para entender melhor o epistemicídio, encontrei trabalhos da filósofa Sueli Carneiro(2), que citavam o sociólogo Boaventura de Souza Santos(3), idealizador do conceito. Segundo Sueli Carneiro, epistemicídio é um conceito que se refere às formas de conhecimento que não estão estabelecidas.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 108pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Alia-se nesse processo de banimento social a exclusão das oportunidades educacionais, o principal ativo para a mobilidade social no país. Nessa dinâmica, o aparelho educacional tem se constituído, de forma quase absoluta, para os racialmente inferiorizados, como fonte de múltiplos processos de aniquilamento da capacidade cognitiva e da confiança intelectual. É fenômeno que ocorre pelo rebaixamento da auto-estima que o racismo e a discriminação provocam no cotidiano escolar; pela negação aos negros da condição de sujeitos de conhecimento, por meio da desvalorização, negação ou ocultamento das contribuições do Continente Africano e da diáspora africana ao patrimônio cultural da humanidade; pela imposição do embranquecimento cultural e pela produção do fracasso e evasão escolar. A esses processos denominamos epistemicídio (Carneiro, 2005). (4)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Em seu livro "Renovar a Teoria Crítica e Reinventar a Emancipação Social"(5), Boaventura de Souza Santos defende que a produção de conhecimento ocidental, colocada como hegemônica, precisa ser deslocada do lugar de ciência única e legítima, pois "a compreensão de mundo é muito mais ampla que a compreensão ocidental de mundo". &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Segundo Boaventura, essa ciência ocidental, o saber no Norte (dos países denominados "desenvolvidos"), acabou se tornando predominante nas relações do Sul (países periféricos), o que teve como conseqüência a produção de teorias fora do lugar, que não se ajustam as realidades sociais locais, e, apesar de diversas experiências estarem sendo desenvolvidas no Sul, elas continuam sendo pensadas através da perspectiva do Norte. As universidades do Sul ainda seguem o modelo do Norte, e ao olhar para o Sul a partir do saber do Norte as teorias acabam por reproduzir as desigualdades entre Sul e Norte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Para o conhecimento do Norte, ao longo da história, foram construídos mecanismos para sua legitimação e negação dos conhecimentos alternativos e científicos das comunidades não ocidentais, tornando-os objetos de pesquisa. Para mudar este quadro, Santos propõe que reinventemos a emancipação social a partir do Sul, o que permitiria um pensar organizado fora dos centros hegemônicos, através daquilo que ele propõe como "Sociologia das Ausências", uma maneira de enfrentar o desperdício de experiências sociais que é o mundo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 108pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;(...) uma sociologia insurgente para tentar mostrar que o que não existe é&amp;nbsp;produzido ativamente como não-existente, como uma alternativa não crível, como uma alternativa descartável, invisível a realidade hegemônica do mundo. (BOAVENTURA, 2007, P. 28-29).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;A lógica positivista ocidental impôs que a ciência é independente da cultura. Boaventura contraria esta idéia propondo que nós devemos ser objetivos e não neutros:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 108pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Objetividade, porque possuímos metodologias próprias de ciências sociais para ter um conhecimento que queremos que seja rigoroso e que nos defenda de dogmatismos. E, ao mesmo tempo, vivemos em sociedades muito injustas, em relação as quais não podemos ser neutros. (BOAVENTURA, 2007, P. 32).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Segundo Boaventura há cinco formas de produzir ausência em nossa racionalidade ocidental que as ciências sociais compartem. A primeira seria a &lt;em&gt;monocultura do saber e do rigor&lt;/em&gt; – aquela para a qual existe um único saber científico, os outros não têm validade, eliminam as realidades fora dos padrões ocidentais, os saberes populares. "(...) Essa monocultura do rigor baseia-se, desde a expansão européia, em uma realidade: a da ciência ocidental". Essa &lt;em&gt;monocultura do saber e do rigo&lt;/em&gt;r ao negar as outras formas de se produzir conhecimento, produz o que Boaventura chama de "epistemicídio": "a morte de conhecimentos alternativos". A segunda seria a &lt;em&gt;monocultura do tempo linear&lt;/em&gt;: "(...) a idéia de que a cultura tem um sentido, uma direção, e de que os países desenvolvidos estão na dianteira". Parte do pressuposto que tudo que existe nesses países desenvolvidos estão à frente dos outros países, eles se colocam na condução da história. A terceira &lt;em&gt;monocultura da naturalização das diferenças&lt;/em&gt;: Naturaliza as condições das diferenças, como se as hierarquias fossem frutos de classificações naturais, "(...) não se pensa diferenças com igualdade; as diferenças são sempre desiguais". A quarta seria a &lt;em&gt;monocultura da escala dominante&lt;/em&gt;: Coloca a Hegemonia do global, universal, invisibiliza o local, o particular. A quinta e última forma de produzir ausências seria a &lt;em&gt;monocultura do produtivismo capitalista&lt;/em&gt;: a idéia de que o ciclo de produção determina a produtividade humana, tudo que não é produtivo na lógica ocidental é considerado improdutivo e estéril. Ser improdutivo é a maneira de produzir ausência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;A sociologia das ausências seria o mecanismo pelo qual o que esta ausente passe a estar presente. "Há cinco formas de ausência que criam esta razão metonímica, preguiçosa e indolente: o ignorante, o residual, o inferior, o local ou particular e o improdutivo" (BOAVENTURA, 2007).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 108pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Se queremos inverter essa situação – por meio da sociologia das ausências- temos de fazer com que o que está ausente esteja presente, que as experiências que já existem, mas são invisíveis e não-críveis estejam disponíveis; ou seja, transformar objetos ausentes em objetos presentes". (BOAVENTURA, 2007, P. 32).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;O fato de não sabermos trabalhar com os objetos ausentes é uma herança do positivismo. Boaventura afirma que a falta da ausência é um desperdício, e propõe a substituição das monoculturas pelas ecologias no procedimento da Sociologia das Ausências, com o objetivo de tornar as experiências ausentes em experiências presentes.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;São cinco as Ecologias para tornar as experiências ausentes em experiências presentes: A primeira é a &lt;em&gt;ecologia dos saberes&lt;/em&gt; – Fazer com que o saber científico dialogue com todos os saberes, fazendo um uso contra-hegemônico da ciência hegemônica. Essa ecologia contraria a idéia de ciência única e valoriza outros saberes, os conhecimentos tradicionais. A segunda é a &lt;em&gt;ecologia das temporalidades&lt;/em&gt; – reconhecer a existência de outros tempos além do tempo linear. Se reduzirmos todas as temporalidades a temporalidade linear afastamos todas as outras coisas diferentes das nossas. Ex: O tempo dos antepassados nas comunidades africanas, "os que estão antes estão conosco". Cada um tem o seu tempo. A terceira é a &lt;em&gt;ecologia do reconhecimento&lt;/em&gt; – somente aceitar as diferenças depois que as hierarquias forem descartadas. Descolonizar as mentes para entender o que é produto da hierarquia e o que não é. A quarta é a &lt;em&gt;ecologia da transescala&lt;/em&gt; – Articulação em nossos projetos das escalas locais, nacionais e globais. O local pode ser embrionário se pode conduzir ao nacional. A quinta e última é a &lt;em&gt;ecologia das produtividades&lt;/em&gt; – recuperação e valorização dos sistemas alternativos de produção, das organizações populares, cooperativas, movimentos sociais que a ortodoxia capitalista desacreditou.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;O que Boaventura nos propõe é a valorização das diversas possibilidades de pensar a vida, das diversas formas de produzir conhecimento, e que uma não seja mais importante que a outra. Outro mundo é possível dentro das diversas possibilidades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Não podemos reduzir a heterogeneidade do mundo em homogeneidade, e por isso o autor propõe o "procedimento de tradução" para entender a realidade do outro: "é traduzir saberes em outro saberes, traduzir práticas e sujeitos uns aos outros, é buscar inteligibilidade sem "canibalização", sem homogeneização". É preciso compreender sem destruir a diversidade.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;E porque esta discussão é importante aqui? A universidade é um espaço de produção de conhecimento para a sociedade, ela produz a ideologia dominante, logo ela sustenta a existência de uma elite, as relações de poder. Hoje estamos reivindicando a inclusão de grupos historicamente excluídos nesses espaços, mas queremos que eles reproduzam as mesmas relações de dominação e desigualdades que estão postas? Ou queremos que sejam capazes de transformar, a partir das respectivas realidades vivenciadas em suas comunidades, as maneiras conservadoras, pautadas em um modelo de pensar único e universal, que estruturam a sociedade? É preciso que esses grupos possam valorizar as suas diferentes experiências, e não entrem na universidade para se tornarem meros receptores do conhecimento hegemônico, ocidental. Precisamos formar questionadores, que busquem a valorização do saber marginalizado, saberes que estão historicamente ligados com o seu passado e o passado de seus ancestrais, com a situação dos seus semelhantes nos dias de hoje. É preciso valorizar as diferentes experiências sociais, evitando o desperdício tão criticado por Boaventura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Segundo Sueli Carneiro:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 108pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;O genocídio que pontuou tantas vezes a expansão européia, foi também um epistemicídio. Eliminaram-se povos estranhos porque também tinham formas de conhecimento estranhas. E eliminaram-se formas de conhecimento estranhas porque eram sustentadas por práticas sociais e povos estranhos". Adequada aos dias correntes, essa idéia permite pensar a incapacidade de diversos grupos sociais conviverem com a diversidade, criando mecanismos desiguais de reprodução social. No caso dos negros, o epistemicídio atua como um conjunto de práticas educacionais desfavorecedoras e constrangimentos sociais quotidianos, visando obstar a trajetória do sujeito negro como sujeito de conhecimento. Impossibilitando esse papel, trava-se um processo social de emancipação do sujeito e de seu grupo.(6)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Em 7 anos de universidade, levando em consideração a graduação e o mestrado, na área de Ciências Humanas, tive pouco contato com intelectuais negras e negros, africanas e africanos, que transgrediram o pensamento tradicional, e posso afirmar que se não fosse o meu interesse em buscar a contribuição que os mesmos trouxeram para a minha área de pesquisa, teria, ao longo desses anos, uma formação totalmente branco-ocidental. Posso dizer também que o pouco contato que tive com produções intelectuais indígenas, partiu do meu próprio interesse. Outro dado relevante é que de todo o referencial teórico apresentado a mim pela universidade, as produções de mulheres não superaram os 10%, e se levar em consideração a produção intelectual das mulheres negras, esta foi nula, nunca nenhum professor me indicou uma referência teórica deste segmento, mesmo sabendo da existência de Lélia Gonzalez, Maria Firmino dos Reis, Maria Nazareth Fonseca, Petronilha Betriz Gonçalvez, Nilma Lino Gomes, Sueli Carneiro, bell hooks (7), Patrícia Hill Collins, Edna Roland, Deise Benedito, Margareth Menezes, Maria Inês Barbosa, Maria Beatriz Nascimento, Vilma Reis, Jurema Werneck, Fernanda Lopes, Luiza Bairros, Ilma Fátima, Conceição Evaristo, Mãe Menininha dos Gantóis, Makota Valdina, Maria Nilza Iracy, Luiza Bairros, Matilde Ribeiro e tantas outras Aqualtunes, Dandaras e Acotirenes que produzem conhecimento em seus diferentes campos: na academia, na música, no terreiro, na comunidade, na política, nas ruas e etc.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Em muitos momentos, ao citar o trabalho dessas autoras, ativistas, artistas, que produzem, de uma forma ou de outra, conhecimento sobre a nossa sociedade e em prol da mesma, fui questionada sobre a objetividade de seus trabalhos, isto porque, a maioria delas não separam sua condição social de mulher negra de suas produções intelectuais. Cansei de ter que intervir, na maioria das vezes, no sentido de provar que as produções intelectuais dessas mulheres trazem grande contribuição para a sociedade, e que na produção intelectual não existe um olhar que não seja comprometido, todo discurso, todo o enunciado, parte de algum lugar, e está comprometido com algo, principalmente nas Ciências Humanas onde o conhecimento não é algo exato, está em constante construção.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Pude perceber que as pessoas que me questionavam, sendo a maioria homens brancos, falavam também de um lugar, do lugar em que legitimavam seu espaço dentro da universidade, como o único produtor e legítimo dono de conhecimento, que continuava subjugando-nos como objetos de pesquisa. Não seria esse também um olhar comprometido? Comprometido com a dualidade ocidental, com o colonialismo, com a dominação?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;As mulheres negras, desde a colonização do Brasil, trouxeram diversas contribuições intelectuais que constituem a formação do país. Hoje continuam inseridas nos diversos espaços, sejam eles políticos, acadêmicos, comunitários, em movimentos sociais, culturais, comunidades tradicionais e etc. Ignorar essas contribuições e trajetórias de vida é o mesmo que cometer o epistemicídio. Segundo Sueli Carneiro, anular e tornar invisíveis seus conhecimentos faz parte de um "conjunto de estratégias que terminam por abalar a capacidade cognitiva das pessoas negras, que conspiram sobre a nossa possibilidade de nos afirmarmos como sujeito de conhecimento, ou seja, todos os processos que reiteram que nós somos, por natureza, seres não muito humanos, e portanto, não suficientemente dotados de racionalidade, capazes de produzir conhecimento e, sobretudo, ciência".&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Para finalizar, reafirmo as colocações de Sueli Carneiro em sua palestra realizada no evento "Resposta ao Racismo: Um Seminário na UNICAMP", em que a autora afirma que a experiência das (os) estudantes negras (os) nos espaços de orientação educacional é uma experiência de obstáculos:&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-left: 108pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;"Desde os primeiros estágios, ele tem de se defrontar com, pelo menos, uma tríade de desafios: "A branquitude do saber, a profecia auto-realizadora e a autoridade da fala [brancas]", que articulam intrincadamente as idéias de racialidade, saber e poder, gerando submissão, abandono escolar, desprezo pela atividade intelectual e a franca percepção do não-lugar. "O processo de discriminação contra crianças negras constitui uma prática pedagógica", nos diz a autora. O sujeito negro é forçado a perceber desde cedo os fantasmas com os quais terá de lutar, hostilizado por eles continuamente. A confrontação final desse embate pedagógico, segundo a filósofa, se dá na Universidade. Apoiando-se nos intelectuais negros e ativistas estadunidenses bell hooks e Cornel West(4) – ambos interessados em discutir a situação do intelectual negro como sujeito de conhecimento e os mecanismos sociais que obstam essa realidade – afirma que o enfrentamento nesse espaço ocorre sem mediações. O dilema do intelectual negro, para usar uma expressão de West, se constitui, entre outras ações, em superar a visão de ser um herói solitário. Ele deve agregar à sua produção de conhecimento uma ação comunitária, capaz de diferenciar seu produto intelectual, com uma perspectiva negra. Isso, em grande medida, significa correr o risco de sair do padrão esperado e controlado pelo ambiente universitário, provocando, portanto, uma insubordinação às expectativas acadêmicas em relação a esse intelectual negro.(8)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;Espero que possamos desconstruir a lógica cartesiana de um único lugar, uma única possibilidade, uma única resposta, uma única verdade, e que os conhecimentos ditos "periféricos" e "subalternos" também sejam deslocados para o centro de nossas formações.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 12pt;"&gt;__________&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 10pt;"&gt;(1) Jaqueline Lima Santos é estudante de mestrado em Ciências Sociais – Antropologia pela UNESP, pesquisadora do NUPE – Núcleo Negro da UNESP para Pesquisa e Extensão, militante do Movimento Negro Unificado (MNU), do Fórum de HIP HOP do interior e da AMO. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 10pt;"&gt;(2) Sueli Carneiro possui doutorado em Educação pela FE - Universidade de São Paulo (2005). Atualmente é coordenadora executiva do Geledes Instituto da Mulher Negra. Tem experiência em pesquisa e atuação nas áreas de raça, gênero e direitos humanos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 10pt;"&gt;(3) Boaventura de Souza Santos é doutor em sociologia do direito pela Universidade Yale, professor titular da Universidade de Coimbra, Diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Diretor do Centro de Documentação 25 de Abril da mesma Universidade e Coordenador Científico do Observatório Permanente da Justiça Portuguesa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 10pt;"&gt;(4) Em Legítima Defesa – Sueli Carneiro. Fonte: &lt;a href="http://www.geledes.org.br/"&gt;http://www.geledes.org.br/&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 10pt;"&gt;(5) SANTOS, Boaventura de Sousa. Renovar a Teoria Crítica e Reinventar a Emancipação Social. São Paulo: Boitempo, 2007.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 10pt;"&gt;(6) Trecho da apresentação de Sueli Carneiro no evento "Respostas ao Racismo: Um seminário na Unicamp", retirado da matéria elaborada por Mário Augusto Medeiros da Silva e publicada no Portal Irohin: &lt;a href="http://www.irohin.org.br/"&gt;&lt;span style="color: blue; text-decoration: underline;"&gt;www.irohin.org.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 10pt;"&gt;(7) Escreve seu nome com letras minúsculas como forma de protesto a condição social que lhe é colocada como mulher negra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 10pt;"&gt;(8) Mário Augusto Medeiros da Silva (2009), "Respostas ao Racismo: Um seminário na Unicamp", publicada no Portal Irohin: &lt;a href="http://www.irohin.org.br/"&gt;http://www.irohin.org.br/&lt;/a&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-2731482952531628694?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/2731482952531628694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/06/producao-intelectual-das-mulheres_09.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/2731482952531628694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/2731482952531628694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/06/producao-intelectual-das-mulheres_09.html' title='A Produção Intelectual das Mulheres Negras e o Epistemicídio: Uma breve contribuição'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-3724906836404195854</id><published>2010-05-13T13:01:00.000-07:00</published><updated>2010-06-09T18:36:55.435-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='13 de maio?'/><title type='text'>13 DE MAIO: COMEMORAR O QUÊ?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;Jaqueline Lima Santos*&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Brasil, ultimo país a abolir a escravidão nas Américas, aquele que explorou aproximadamente 4 dos 10 milhões de africanas e africanos que foram trazidos para exercer trabalho escravo desse lado do Atlântico, possui hoje o maior número de população negra fora do continente africano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estamos aqui para falar de negras e negros como sujeitos políticos no período da escravidão. Todo mundo sabe que no Brasil existiu mais de três séculos de exploração, violência e desumanização das(os) não brancas(os) pela colonização européia, mas o que a história não conta é que as(os) negras(os) também eram agentes frente às formas de opressão, que não eram “coisa”, e sim “ser” diante do sistema escravocrata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes da chegada do 13 de maio, a população negra organizou diferentes movimentos de resistência, através da formação dos quilombos, das irmandades, dos trabalhos urbanos, rebeliões nas senzalas, além das diversas revoltas: Malês, Balaiada, Sabinada, entre outras, e foram protagonistas da primeira tentativa de independência no país, através da formação do Quilombo de Palmares, este que sobreviveu mais de 100 anos como um Estado organizado e independente, derrotou por diversas vezes o exército colonial, até que, depois de diversas tentativas, foi invadido e vencido covardemente em 1695 pelo exército de Domingos Jorge Velho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vale lembrar que as mulheres negras tiveram papel fundamental nesses movimentos de resistência negra, exercendo papel de líderes, estrategistas, guerreiras, informantes e organizaram as alternativas criadas pelas(os) negras(os) frente ao Estado colonial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A população negra dinamizou a história do Brasil, não aceitando a condição de escravizada, estabeleceu contra-movimentos e foi conquistando aos poucos sua liberdade, seja através de fugas, ou através da compra de cartas de alforria, e no 13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel assina a leia Áurea, apenas 5% da população negra ainda exercia trabalho escravo. No entanto, é dado o bônus pelo fim da escravidão a princesa boazinha que “libertou os negros”, e nada se fala da luta das(os) negras(os) pela sua liberdade. A lei áurea foi uma estratégia para desmobilizar a população negra que, a exemplo do Haiti, em algum momento, através das explosões constantes de rebeliões, tomaria o Estado brasileiro. Além disso, o processo de industrialização no país exigia a passagem do trabalho escravo ao trabalho livre, só assim o empregador poderia comprar a força de trabalho de acordo com as suas necessidades, e quando contratada, custaria os meios de subsistência do trabalhador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que aconteceu a partir de 14 de maio de 1888? A população negra não foi indenizada pelos três séculos e meio de escravidão, as senzalas sobem para os morros, onde hoje se localizam as favelas. A partir de então a imigração européia é incentivada para o Brasil, a fim de ocupar os postos de trabalho assalariado e embranquecer o país, havia até quem acreditasse que em 100 anos não haveriam mais negros no Brasil, e olha nós aqui. Mesmo reconhecendo que estes novos imigrantes foram explorados na venda da sua força de trabalho, eles estavam em condições favoráveis em relação à população negra, através das políticas de doação de terras e moradias que os eram direcionadas, além de serem priorizadas(os) nos postos de trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso hoje, mesmo a lei áurea tendo marcado “oficialmente” a passagem da(o) negra(o) da condição de escrava(o) a cidadã(o), o que não garantiu nenhum direito da cidadania brasileira a esta parcela da população, que até os dias de hoje encontra-se em condições extremamente desiguais em relação a população branca, o movimento negro no Brasil não comemora o dia 13 de maio, mas tornou essa data o DIA NACIONAL DE DENÚNCIA CONTRA O RACISMO, e comemora o dia 20 DE NOVEMBRO COMO DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, dia em que morreu Zumbi dos Palmares, mais um dia de luta para a luta de todos os dias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, 122 anos após a abolição inacabada, não temos o que comemorar. Queremos nossas carteiras de trabalho assinadas, queremos reparações, ações afirmativas nas universidades, queremos punições contra os crimes de racismo, e colocamos o Estado brasileiro no banco dos réus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;* Mestranda em Ciências Sociais – Antropologia pela UNESP, Militante do Movimento Negro Unificado (MNU), do Fórum de HIP HOP do interior e da AMO.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-3724906836404195854?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/3724906836404195854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/05/13-de-maio-comemorar-o-que.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/3724906836404195854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/3724906836404195854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/05/13-de-maio-comemorar-o-que.html' title='13 DE MAIO: COMEMORAR O QUÊ?'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-1546242991738974840</id><published>2010-04-05T00:19:00.000-07:00</published><updated>2010-06-09T18:38:00.520-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Corinne Bailey Rae'/><title type='text'>Corinne Jacqueline Bailey Rae - The Sea</title><content type='html'>&lt;div align="justify" class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;Por Jaqueline Lima Santos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S7mNH9onpXI/AAAAAAAAAIw/nS1dXFLDRQ4/s1600/corine......jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" nt="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S7mNH9onpXI/AAAAAAAAAIw/nS1dXFLDRQ4/s320/corine......jpg" width="212" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corinne Bailey Rae, aquela que me inspira, lançou no dia 20 de fevereiro o álbum “The Sea”, preenchido com todo tipo de sentimento. A cantora tem encantado corações e mentes pelo mundo, e vêm se apresentado de norte a sul, leste a oeste, mas ainda não esteve no Brasil :(.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde que inclui este novo álbum em minha playlist, aqueles que compartilham muito tempo de suas vidas comigo tem dado “graças a não sei o que”, pois como eu costumo escutar as mesmas músicas durante muito tempo, e falar das mesmas músicas, principalmente daquelas que marcam a minha vida, agora tenho escutado algo novo. Por quanto tempo “Put your record on” não ficou como o toque oficial do meu celular?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corinne Bailey tem 31 anos, nasceu e cresceu em Leeds, na Inglaterra, da onde sua voz se espalhou pelo mundo. Ela canta desde a infância, período em que&amp;nbsp;iniciou sua trajetória em corais de igreja. Com 15 anos montou uma banda chamada Helen, na qual era vocalista e compositora, que ganhou destaque em sua cidade, mas não durou mais que três anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após o fim da primeira banda Corinne entrou na faculdade, e graduou-se em Literatura Inglesa pela Universidade de Leeds no ano de 2000. Durante a graduação Corinne trabalhou na chapelaria de um clube de jazz, onde vez ou outra subia no palco e soltava a sua voz. Ela seguiu sua carreira musical por mais 10 anos sem produzir oficialmente nenhum álbum, período no qual reuniu material o suficiente para gravar um trabalho, e em 2006 lança o single “Like Star”, que se tornou um grande sucesso tornando-a conhecida mundialmente, e que deu um “UP” na sua profissão como cantora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S7mMjLHi7jI/AAAAAAAAAIo/gMePmW5w_NU/s1600/thesea+-+corinne+bailey.jpg" imageanchor="1" style="cssfloat: left; margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" nt="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S7mMjLHi7jI/AAAAAAAAAIo/gMePmW5w_NU/s320/thesea+-+corinne+bailey.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Algumas obras de sua discografia são: “Like a Star” (2006), “Trouble Sleeping” (2006), “Corinne Bailey Rae” (2006), “Corinne Bailey Rae – Deluxe album” (2007), e em 2010 “The Sea”.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Dizem por ai que a morte de seu marido teve grande influência sobre o novo álbum. Jason Rae morreu de overdose acidental em março de 2008, e após esse acontecimento, devido ao sofrimento, Corinne ficou alguns meses isolada, e só retomou o projeto do novo álbum no ano seguinte. Se o álbum foi influenciado pela morte do marido, Corinne nos mostra, com esse trabalho, como o sofrimento pode ser transformado em algo belo.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;A cantora me encanta pela suavidade da sua voz, por cantar a dor e a alegria, o sofrimento e a esperança. Ela faz uma bela mistura de Jazz, R&amp;amp;B e Soul, e na minha música preferida do novo álbum, “The Blackest Lily”, tem até um som de pandeirinho. A música dela é puro sentimento, doçura e elegância. Mas “Put yout record on” continua sendo a preferida e a minha trilha sonora, é uma mensagem que me fortalece, e acho que deve fortalecer um monte de mulher preta por ai.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom, deixo aqui a dica, disponível no 4shared, baixe o álbum “The Sea” e preencham o vazio em seus corações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abaixo the song list, com grifo em minhas preferidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S7mNqZuOoFI/AAAAAAAAAJI/ARNSp3ZNb5Y/s1600/Corinne.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" nt="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S7mNqZuOoFI/AAAAAAAAAJI/ARNSp3ZNb5Y/s320/Corinne.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;1. Are You Here&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;2. I’d Do It All Again&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;3. Feels Like The First Time&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;4. The Blackest Lily&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;5. Closer&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;6. Love Is On Its Way&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;7. I’d Like To Call It Beauty&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;strong&gt;8. Paris Nights And New York Mornings&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;9. Paper Dolls&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;10. Diving For Hearts&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;11. The Sea&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Detalhe, o nome dela é Corinne Jacqueline Bailey, eu não inventei nada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-1546242991738974840?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/1546242991738974840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/04/corinne-jacqueline-bailey-rae-sea.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/1546242991738974840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/1546242991738974840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/04/corinne-jacqueline-bailey-rae-sea.html' title='Corinne Jacqueline Bailey Rae - The Sea'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S7mNH9onpXI/AAAAAAAAAIw/nS1dXFLDRQ4/s72-c/corine......jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-3636452522371482100</id><published>2010-03-25T11:42:00.000-07:00</published><updated>2010-03-26T08:59:40.348-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O feminismo negro como perspectiva'/><title type='text'>O feminismo negro como perspectiva</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;Por Jaqueline Lima Santos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O movimento de mulheres negras no Brasil tem início no período colonial, quando as mesmas criavam estratégias de sobrevivência ao regime escravocrata e lideravam diversos movimentos de libertação do povo negro, como as rebeliões nas senzalas, os cuidados espirituais, as fugas, a formação dos quilombos, a compra de alforrias, o trabalho na cidade e a estruturação de suas famílias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na segunda metade do século XX, com a intensificação dos movimentos feministas pela ampliação e reconhecimento dos direitos das mulheres, as mulheres negras encontravam dificuldades de incluir sua pauta política nestes espaços que, liderado pelas brancas que tinham como referência o feminismo europeu e realizavam práticas racistas, se negavam a reconhecer as diferenças intra-gênero e tratavam a categoria mulher como homogênea e universal. Esta prática de anular a existência da mulher negra como grupo social com identidade e necessidades peculiares se estende até os dias de hoje, porém com menor impacto, pois desde o final dos anos 90 as organizações feministas tem avançado nessas discussões e assumido as reivindicações desses segmentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na década de 70 surgem novos movimentos sociais negros, como o Movimento Negro Unificado (MNU), dentro dos quais as mulheres negras também tinham dificuldades em discutir as relações de gênero e realizavam enfrentamento constante contra as ações machistas. Porém, foi no seio do movimento negro que os movimentos de mulheres negras do século XX tiveram possibilidade de se articular e incluir sua pauta política. Lélia Gonzales em seu texto “ Por um Feminismo Afro-Latino-Americano” afirma que a conscientização das mulheres negras em relação as opressões sociais ocorre antes de qualquer coisa pela via racial, e que as raízes e experiência histórico e cultural comum entre nós e os homens negros acabam por fortalecer nosso laços políticos, “(...) foi dentro da comunidade escravizada que se desenvolveram formas político-culturais de resistência que hoje nos permitem continuar uma luta plurissecular de libertação”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse contexto, começam a aparecer algumas organizações negras femininas com o objetivo de dar voz e articular politicamente as mulheres negras. As organizações de mulheres negras surgem em todo o mundo, e são responsáveis por criar aquilo que chamamos de feminismo negro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O feminismo negro traz para o centro do debate a articulação das categorias raça, gênero e classe que atuam como operadores ideológicos na configuração da realidade da mulher negra. Além disso ele cria um elo de solidariedade internacional entre as mulheres negras, que embora estejam inseridas em diferentes lugares e contextos sociais no mundo, são atingidas por formas de opressões comuns: raça, gênero e classe, e se encontram na base da pirâmide social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As mulheres negras, através da perspectiva do feminismo negro, conquistaram alguns espaços e direitos. Mesmo com os avanços, o cenário atual ainda não nos é favorável e encontramos muitos desafios para superar o racismo, machismo, sexismo e desigualdades sociais. Além disso, estamos encontrando problemas de organização dentro do próprio movimento negro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O debate em torno do feminismo negro nos permitiu fazer uma discussão qualificada no que se refere a realidade da população negra, a estratificação social e as relações de gênero. Para fazer essas discussões passamos por um processo de formação com o objetivo de entender a economia, organização do Estado, relações de poder, ideologia, opressões simbólicas, entre outros temas fundamentais. A mulher negra teve e tem um papel fundamental nas intervenções políticas e produção de conteúdo no campo das relações raciais e de gênero, mas a realidade social a qual esta submetida acaba por tira-la de diversos campos de atuação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A responsabilidade com a chefia do lar, com os filhos e filhas, e com o trabalho faz com que muitas dessas mulheres se ausentem da atuação nos movimentos sociais, o que gera um movimento de indas e vindas, de saída e de retorno. Esse movimento dificilmente acontece com os homens, o que nos mostra como raça e gênero como categorias articuladas criam um campo de exclusão até mesmo dentro dos próprias organizações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa realidade enfrentada pelas mulheres negras atingiu a maior parte das organizações existentes, e acredito que, mesmo que muitas dessas organizações tenham avançado nos utimos anos, a nossa retirada dos momentos da articulação política dificultou nosso constante processo de formação e logo a compreensão dos homens sobre as relações de gênero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nosso afastamento desqualificou a discussão articulada entre raça, gênero e classe dentro de organizações tradicionais do movimento negro. O movimento de retorno de nós mulheres negras que acontece constantemente é atingido pelo mal do machismo e sexismo que muitas vezes nos faz cair em um erro estratégico. E qual seria este erro? Quando nos deparamos com as ações machistas de nossos companheiros acabamos por dispor todas as nossas energias para discutir as relações de gênero por si só, sem articulá-la transversalmente com todas as questões que nos atingem cotidianamente, o que as vezes torna nossas discussões limitadas e sem grande impacto político.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um exemplo disso é quando passamos horas em discussões reivindicando espaços para nós mulheres, e essas discussões são tão desgastantes que acabamos não tendo tempo para nos preparar para ocupar esses espaços. E porque não nos preparamos? Porque dedicamos muito tempo para discutir as relações de gênero em si e pouco ou nenhum tempo para discutir gênero transversalmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o que seria discutir gênero transversalmente? Se gênero e raça são categorias estruturantes e nos condicionam a tal realidade de exclusão, vamos manipular essas categorias em nosso favor nas discussões sobre economia, reparações, políticas públicas, Estado, poder, ideologia, representação simbólica e etc, e começar a desmantelar essas estruturas. Assim, construímos uma discussão qualificada como nos ensinou o feminismo negro e retomamos os espaços de liderança como já fazemos desde o Brasil colonial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se assim fizermos, não precisaremos reivindicar nosso espaço pelo grito, mas pelo impacto político de nossas discussões, para os quais estamos bem preparadas. Somente nós poderemos fazer nossos companheiros enxergar as dimensões das relações de gênero dentro do movimento negro, mas para isso precisamos discutir essas categoria como estruturante assim como fazemos com o racismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A formação nesse momento seria a nossa principal ferramenta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-3636452522371482100?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/3636452522371482100/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/03/o-feminismo-negro-como-perspectiva.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/3636452522371482100'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/3636452522371482100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/03/o-feminismo-negro-como-perspectiva.html' title='O feminismo negro como perspectiva'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-6252567310601115406</id><published>2010-03-19T14:03:00.000-07:00</published><updated>2010-03-23T09:48:41.251-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eventos'/><title type='text'>O interior faz a sua: Fórum de HIP HOP em Tietê</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S6PmRud99sI/AAAAAAAAAII/-Cz5-_BngwM/s1600-h/flyer_forumdehiphop+-+colorido.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" src="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S6PmRud99sI/AAAAAAAAAII/-Cz5-_BngwM/s640/flyer_forumdehiphop+-+colorido.jpg" vt="true" width="550" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-6252567310601115406?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/6252567310601115406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/03/o-interior-faz-sua-forum-de-hip-hop-em.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/6252567310601115406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/6252567310601115406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/03/o-interior-faz-sua-forum-de-hip-hop-em.html' title='O interior faz a sua: Fórum de HIP HOP em Tietê'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S6PmRud99sI/AAAAAAAAAII/-Cz5-_BngwM/s72-c/flyer_forumdehiphop+-+colorido.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-721003354975637958</id><published>2010-02-28T13:37:00.000-08:00</published><updated>2010-03-23T09:48:59.445-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eventos'/><title type='text'>Abertura do Seminário Nacional de Formação do MNU</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S4rhraKfvGI/AAAAAAAAAIA/u4CUMADe-rI/s1600-h/folder+seminario.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" kt="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S4rhraKfvGI/AAAAAAAAAIA/u4CUMADe-rI/s640/folder+seminario.jpg" width="420" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-721003354975637958?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/721003354975637958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/02/abertura-do-seminario-nacional-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/721003354975637958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/721003354975637958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/02/abertura-do-seminario-nacional-de.html' title='Abertura do Seminário Nacional de Formação do MNU'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S4rhraKfvGI/AAAAAAAAAIA/u4CUMADe-rI/s72-c/folder+seminario.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-6078668114626426389</id><published>2010-02-12T15:40:00.000-08:00</published><updated>2011-01-14T17:44:46.787-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Rainha por um dia'/><title type='text'>Rainha por um dia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Por Jaqueline Lima Santos*&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_FoG84Ag51BE/SgYg2o4a92I/AAAAAAAACZI/rqh7Jia2cpM/s1600/DSC07539.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ct="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_FoG84Ag51BE/SgYg2o4a92I/AAAAAAAACZI/rqh7Jia2cpM/s320/DSC07539.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;Eu, mulher preta... nasci na Bahia, meus pais vieram para São Paulo quando eu ainda era criança. Fomos morar em um bairro de periferia na zona sul, e assim como nós, ali haviam pessoas de diferentes regiões do país que migraram a procura de uma vida melhor e viviam em centenas de casas amontoadas. O saneamento passava por alguns lugares, o asfalto também, mas era comum andar em ruas com esgoto a céu aberto, ver casas de madeiras sendo levadas em dias de chuva, e algumas vezes corpos no chão, e para complementar este cenário eu e meus amigos e amigas brincávamos nas ruas depois do horário de escola. Nas ruas encontrávamos nossas atividades extra-escolares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah, esqueci de me apresentar! Meu nome é Jamile, hoje resolvi contar a minha história de mulher preta, isso mesmo que você acabou de ler: MULHER PRETA! Eu já fui moreninha, morena, cor de jambo, parda, mulata, marrom bombom, mas hoje eu sei bem o que eu sou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando era criança tinha que acordar bem cedo para ir a escola, e quando chegava adorava brincar na rua, eu brincava de tudo: de boneca, esconde-esconde, futebol, rouba bandeira, e a minha preferida era polícia e ladrão. Quando dava umas 18h00 a gente via aquele monte de cara preta apontando na esquina da rua, eram nossas mães chegando de seus trabalhos. A maioria dos meus amigos não tinham pais, e a chefe de família era uma mulher preta. Elas chegavam, colocavam a gente pra dentro de casa e cumpríamos o restante do ritual diário: tomar banho, jantar, arrumar as coisas e ir dormir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu entrava no banheiro a primeira coisa que fazia era olhar no espelho, e lembro-me que por ficar a tarde inteira no sol meus cabelos crespos ficavam queimados, logo a parte de cima ficava um pouco mais clara. Eu sempre me dirigia a minha mãe dizendo que estava ficando loira, e isso me dava mais vontade de viver o dia seguinte para que meu cabelo queimasse ao sol, quem sabe um dia eu ficaria loira de verdade. Quanto mais ficava no sol mais a minha pele escurecia, mas o fato do cabelo ficar claro me fazia crer que um dia eu poderia ser loira, como a Eliana, a Angélica, a Xuxa, as Pakitas e tantas outras referências que a televisão me colocava quando ainda era criança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;Eu sempre aprendi a ter Fé, e as pessoas diziam que nós deveríamos usar a Fé para alcançar as coisas boas para nossas vidas. Ao mesmo tempo na escola, na televisão, nas revistas, e em tantos outros meios de comunicação me diziam que o bom era ser branco, então eu usava a minha Fé acreditando que um dia assim poderia ser e logo não teria mais problema como rejeição, preconceitos, piadinhas e frustrações diversas.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;&lt;a href="http://apirata.files.wordpress.com/2009/07/criancas-negras.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ct="true" height="232" src="http://apirata.files.wordpress.com/2009/07/criancas-negras.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;Na escola tinha eleição da menina mais bonita da sala, e eu e minhas amigas pretinhas, todas com os cabelos bem trançados pelas nossas mães que acordavam cedo para fazê-las antes de sairmos, nunca fomos eleitas e sempre ficávamos no fundo da sala. Sempre quando havia alguma coisa que tínhamos que fazer par com um menino da sala de aula ficávamos sozinhas, as mais pretinhas de nós eram masculinizadas e muitas vezes tinha que fazer o papel do menininho, como na festa junina, festa na qual nunca poderíamos ser as noivinhas, papel principal da quadrilha.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border: medium none; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;Sozinhas e rejeitadas desde criança, nos descobríamos mulher de uma forma muito cruel. Lembro-me que já na adolescência ficávamos horas no ritual de mutilação de nossos corpos, quantas vezes queimei minha cabela com aquele maldito pente quente, o mesmo pente que me deixou quase careca um dia. Parecia que para nos sentirmos mais mulher as tranças deveriam ser abandonadas, o alisamento nos deixava mais próxima daquele tipo ideal. Uma certa vez a Luanda, uma grande amiga minha, ficou horas na frente do espelho arrumando os cabelos, e quando chegou na escola um menino branco jogou água em sua cabeça para desmanchar o alisamento, aquilo foi tão humilhante para ela que nem pensou duas vezes, socou a cara daquele moleque, e sabe o que aconteceu? ela foi expulsa da escola, afinal a culpa era dela. Essa minha amiga nunca mais voltou para a escola, e hoje é faxineira, o que me faz pensar no tanto de pessoas que frente a indignação do racismo não tiveram seus direitos reconhecidos e foram obrigadas a abandonar os ambientes educacionais. A escola, ainda hoje, não sabe lidar com esse tipo de situação.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi na adolescência nosso corpo começou a ganhar forma, e ao andar nas ruas muitas pessoas olhavam para os nossos corpos e não para os nosso rostos, e sempre escutávamos: Que mulata gostosa! Nossa que morena!, era assim que as pessoas estavam acostumadas a olhar para nós, como objetos sexuais. Eramos chamadas de tudo, menos de mulheres negras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na vida amorosa nenhuma de nós tínhamos companheiros de fato como nossas amigas brancas, sempre eramos a segunda opção, mas eramos as mulheres gostosas. Era conveniente ficar com a gente, menos namorar. Mesmo os homens negros que também eram vítimas do racismo sempre preferiam as mulheres brancas, por elas faziam tudo, e para nós isso só seria possível se tivéssemos algum diferencial a oferecer para eles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o tempo comecei a perceber que lembrava muitas coisas de minha infância, e que eu e minhas amigas pretas sempre tínhamos algo em comum, e isso não era por acaso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda na adolescência comecei a trabalhar, dava um duro danado pois pretendia ter condições melhores de vida para estudar. Acordava cedo, fazia mais do que eu deveria em minha jornada, mas eu continuava sendo uma mulher preta e não era tão fácil ser promovida como foi para algumas amigas brancas com as quais eu trabalhava, aliás, elas conseguiam sempre as melhores vagas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://i.olhares.com/data/big/127/1279925.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ct="true" height="203" src="http://i.olhares.com/data/big/127/1279925.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tempo que sobrava eu tentava me divertir, afinal era muito nova. Foi nesse período que comecei a frequentar os ensaios da escola de samba da comunidade. Eu sambava, sambava, sambava, e foi nos Enredos que eu descobri um pouco da história negra do nosso país. Um dia fui convidada a ser rainha da bateria da escola da minha comunidade, uau, estava achando tudo aquilo o máximo e aceitei. Os anos foram se passando e eu continuei sendo a rainha da bateria, eu amava a minha escola de samba, mas conforme passava o tempo comecei a perceber que quando chega o carnaval a violência em que eu e minhas amigas pretas fomos submetidas desde a nossa infância era reforçada, estrangeiros de todos os cantos, burgueses dos jardins, de pinheiros, do morumbi e dos bairros ricos do Brasil saem nas ruas a procura de uma mulata gostosa, mas não são essas que procuram para casar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O carnaval, uma das minhas maiores paixões, é palco de uma das grandes contradições raciais do nosso país, e embora eu seja apaixonada por esse ritual festivo, foi através dele que o tempo me explicou o que é ser mulher negra aqui no Brasil. Comecei a perceber que enquanto mulher, a mulher branca era a que reinava em todos os espaços e em todos os lugares, e nós mulheres negras? Olhei pra minha quebrada e o que somos? Somos as chefes de nossas famílias, somos sozinhas, temos os piores empregos e carregamos o peso das desigualdades de raça e gênero, foi ai que consegui ligar toda a história e me descobri como mulher preta. Descobri que o carnaval me tornava por um dia Rainha, e o resto do ano escrava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É como o conto da Cinderela, mas ainda não fomos libertadas das amarras do racismo e do sexismo, e o carnaval acaba por consolidar nossa imagem enquanto meros objetos sexuais excluídas das relações de poder.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando eu conto essa minha história para outras mulheres pretas percebo que temos muito em comum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu ainda vivo o carnaval, amo o carnaval. Mas precisamos consolidar uma política para além da afirmação das nossas identidades, o que também é importante, mas que mexa nas estruturas e relações de poder.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom carnaval para todas e todos, e que nas nossas próximas festas tradicionais possamos mudar a forma como é vista a mulher negra no mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;*Jaqueline Lima Santos, 23 anos, é militante do Movimento Negro Unificado, da Associação Mulheres de ODUN e do Fórum de HIP HOP do interior, e estudante de Mestrado em Ciências Sociais/ Antropologia. Contato: santos.jaquelinelima@gmail.com&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-6078668114626426389?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/6078668114626426389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/02/rainha-por-um-dia.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/6078668114626426389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/6078668114626426389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/02/rainha-por-um-dia.html' title='Rainha por um dia'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_FoG84Ag51BE/SgYg2o4a92I/AAAAAAAACZI/rqh7Jia2cpM/s72-c/DSC07539.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-1579965319195839332</id><published>2010-02-05T14:12:00.000-08:00</published><updated>2010-03-23T09:48:24.513-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eventos'/><title type='text'>Várzea: a bola rolada na beira do coração.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;Várzea: a bola rolada na beira do coração, um filme de Akins Kinte, traz uma nova concepção do que é fultebol para o cinema. Em ano de copa do mundo o filme é lançado nesta semana, confira o calendário no folder abaixo.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S2yWucHiPmI/AAAAAAAAAH4/NHUURGdGTq0/s1600-h/v%C3%A1rzea.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" kt="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S2yWucHiPmI/AAAAAAAAAH4/NHUURGdGTq0/s640/v%C3%A1rzea.jpg" width="452" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;O filme será vendido nos locais de lançamento, eu vi alguns trailers e vale a pena conferir!&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-1579965319195839332?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/1579965319195839332/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/02/varzea-bola-rolada-na-beira-do-coracao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/1579965319195839332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/1579965319195839332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2010/02/varzea-bola-rolada-na-beira-do-coracao.html' title='Várzea: a bola rolada na beira do coração.'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/S2yWucHiPmI/AAAAAAAAAH4/NHUURGdGTq0/s72-c/v%C3%A1rzea.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-7976598274266698406</id><published>2009-12-24T14:14:00.000-08:00</published><updated>2011-01-14T17:58:08.536-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Natal e a exploração da fé do povo'/><title type='text'>O Natal e a exploração da fé do povo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Jaqueline Lima Santos&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Remetente: Aisha, Viela da Esperança, nº 1, casa 7, Favela da Fé, São Paulo – SP. Destinatário: Papai Noel, Pólo Norte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aisha todos os anos ficava horas com um pedaço de papel na mão tentando organizar tudo aquilo que desejava para o Natal que estaria por chegar e escrevia sua carta: "Papai Noel são tantos os meus desejos, eu gostaria que nesse Natal minha família pudesse fazer uma ceia como aquela que eu vi na novela das oito: Chester, Chocotone, Frutas, refrigerante e bebidas para os mais velhos. Sei que na minha casa não tem chaminé e deve ser por isso que você não veio nos outros anos mas eu pedi para a minha mãe fazer um buraco no telhado que é para você colocar a nossa ceia, ela disse que você não existe, mas eu continuo acreditando porque te vejo sempre na televisão. Papai Noel, eu iria dizer tchau, mas como você não veio nos outros anos e neste eu vou ter um buraquinho no meu telhado, gostaria que você trouxesse aquela Barbie que eu vi no programa da Rainha dos Baixinhos, e aquela Ceci cor de rosa do comercial das Casas Bahia. Se puder traz também alguns blocos pra construir a minha casa, eu um dia quero ter um quarto só meu, cor de rosa e cheio de brinquedos. Morar em casa de madeira é tão ruim. Obrigado Papai Noel por ler a minha cartinha".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aisha vai até a caixinha amarelinha dos correios e deposita o seu papel dobrado no meio, volta para casa esperançosa, suspira e diz: esse ano ele vem, eu vou ter um buraco no telhado, tomara que não chova. Assim como Aisha milhares de crianças escrevem para o Papai Noel todos os anos, e essas caixinhas amarelinhas ficam abarrotadas de cartinhas para o Polo Norte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao anoitecer Aisha vai para a igreja com a sua mãe e quando termina o culto ela recebe algo chamado “envelope dos sonhos”, onde ela pode escrever todos os seus sonhos para que se realizem no próximo ano. O espaço era de uma folha, Aisha pega uma caneta e escreve bem apertadinho para que caiba tudo, e não lhe falte nada a ser realizado no próximo ano: "Eu gostaria de morar em uma casa de blocos, que a minha mãe tivesse um carro, poder tomar o café da manhã da Rainha dos Baixinhos todos os dias, poder ir a escola de transporte escolar, ter um tênis cor de rosa e um uniforme para cada dia e não ter mais que calçar as meias molhadas. Agora que eu descrevi as coisas principais, meu Deus, por favor, eu sei que já pedi coisas de mais só que eu tenho muitos desejos, gostaria de comprar uma bicicleta Ceci cor de Rosa, uma boneca Barbie original porque as da feira quebram rápido, e poder ir a Disney um dia, pois eu vejo na televisão e parece muito legal. Se tudo isso for difícil só para você peça que o Papai Noel venha este ano por favor!"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Natal se aproximava, faltava uma semana, e Aisha vira para sua mãe e diz: "Você não vai fazer o buraco no telhado? Se você não fizer o Papai Noel não vai vir de novo mamãe!" A mãe de Aisha pensa que se ela fizer o buraco no telhado depois pode não ter dinheiro para arrumar, mas ao mesmo tempo lembra da sua infância e de como o realismo de sua mãe foi duro diante dos seus sonhos. A avó de Aisha trabalhava pegando lixo nas ruas e não conseguia visualizar mais nada na vida além da necessidade de colocar comida dentro de casa, o dinheiro era tão pouco que ela nem se permitia sonhar, o sonho era a mistura quando tinha. A mãe de Aisha percebeu que era necessário deixar sua filha sonhar, mas com os pés nos chão, para que tudo não pareça tão cruel como foi na infância que ela teve, por isso responde: "Vou fazer o buraco ainda hoje minha filha". Ao mesmo tempo essa mãe pensava em como fazer para dar um presente para a sua filha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No outro dia ao ir trabalhar a mãe de Aisha que era costureira pensava muito no que iria colocar naquele buraco do telhado que acabará de fazer para a sua filha. A noite anterior foi mais fria por causa do buraco no telhado que esperava o Papai Noel. Ao vasculhar o resto de suas costuras a mãe e Aisha encontra resto de linha vermelha e branca, lã preta, espumas e um grande pedaço de pano preto, rosa e vermelho. Com esse material resolveu fazer uma boneca e ficou trabalhando o resto da semana depois do expediente para terminar o presente de sua filha. Enfim, a boneca ficou lindaaaa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mãe de Aisha foi até uma papelaria, comprou papel celofane e embrulhou o presente. Olhava para a boneca e via a sua filha, pretinha, pretinha. Nem imaginava o que sua filha tinha pedido ao Papai Noel, mas sabia que a mesma tinha a mente aguçada e se preocupava com as ilusões que a mesma criava diante da televisão, mesmo assim não podava, pois ela como mãe também alimentava sonhos e ilusões desde a sua infância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na noite de véspera de natal a mãe de Aisha colocou a boneca embrulhada no buraco do telhado. Aisha depois de jantar com a família frango e arroz foi até o buraco e gritou: "Não disse mamãe, ele veio! Era só fazer o buraco mesmo".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aisha pega o presente e pensa: eu pedi tantas coisas, a minha ceia de natal foi um pouco melhor este ano e pelo menos ele veio e trouxe um dos presentes. Ao abrir o embrulho logo faz uma cara de frustração, era uma boneca, mas nada tinha a ver com a Barbie, não tinha os olhos azuis, o cabelo claro, a pele clara, não se parecia com a rainha dos baixinhos e com as pakitas, e até aquele momento não era bonita aos olhos de Aisha. Foi uma noite muito triste e sua mãe resolveu conversar sério com ela: "Filha, a boneca foi feita por mim com muito amor, o Papai Noel trouxe aquilo que eu tinha condições de te dar, e se ele existe, ele sou eu, sua mãe que trabalha para tentar fazer o melhor para você, sua boneca é linda assim como você, olhe no espelho agora e depois olhe para ela, ela tem tudo a ver com você que é a minha princesa linda". Aisha, embora aliviada com o aconchego de sua mãe, continuou frustrada porque as suas vontades não foram embora e ela continuou com seus desejos. Escutar de sua mãe que a boneca era linda assim como ela era foi muito importante naquele momento, momento que ela nunca esqueceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia 25 de dezembro pela manhã Aisha acorda com uma voz alta no quintal com mais de 10 casas chamando o seu nome, era uma homem gordo, de barba branca e vestido de vermelho: "Ebâ, é o Papai Noel!", e de um caminhão que lhe acompanhava descia muitas cestas básicas, a Ceci cor de rosa, várias Barbies e muitos briquedos e roupas. Aisha dizia: "Eu estou sonhando!" Sua mãe ficou sem reação. Foi um dia maravilhoso, mas depois que o Papai Noel foi embora a vida continuou...Aisha passou até na televisão e despertou esperança em muitas outras crianças do seu quintal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que aconteceu naquele dia foi que um dos programas de televisão desses que passam no domingo a tarde resolveu colher algumas daquelas cartinhas que eram colocadas nas caixinhas dos correios e escolheram alguma crianças pobrezinhas para através da miséria do povo elevar o seu IBOPE. Aisha naquele momento não conseguiu sentir mais nada do que estar feliz, estava ganhando muito presentes e conhecia de alguma forma o Papai Noel, ele foi até a sua casa. O problema estava em como a televisão, através de sua história , estava criando mecanismos de explorar a fé do povo, pois assim como aconteceu com ela milhares de crianças em todo o Brasil passaram a esperar o Papai Noel chegar com o caminhão baú cheio de comidas e brinquedos, “se aconteceu com a Aisha porque não pode acontecer comigo?” E a vida continua, difícil, desafiadora, injusta em um mundo excludente onde não se tem oportunidades para todo mundo e onde utiliza-se da miséria do povo para gerar lucros e status social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nessa época do ano o “espirito natalino” deixa todo mundo solidário, todos querem fazer o que não fizeram o ano inteiro e oportunistas é o que não falta para explorar a fé do povo. Esse é um dos momentos mais contraditórios do ano, e se todo mundo se torna solidário as dores, aos problemas e necessidades do “outro”, ninguém compartilha essas dores, sonhos e desejos cotidianamente, e ninguém abre os cofres para dividir sua riqueza com aqueles que sonham com tudo aquilo que nesse mundo só pode ser feito com dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas como a solidariedade não abre os cofres, a fúria ocasionada pelos desejos construídos pelo mercado os arrombam no resto do ano, afinal a vida continua, e a necessidade de “TER” continua sendo alimentada mesmo depois do natal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aisha só descobriu quando adulta que o fato mais importante que viveu naquele Natal foi a compreensão de sua mãe em não fazê-la tornar sonhos sinônimo de frustração, pois há sonhos que podem ser realizados e ela ainda teria muito o que sonhar em sua vida, e se desacreditasse de todos porque quando criança não alcançou alguns deles talvez futuramente nem tivesse a iniciativa de tentar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A boneca preta é o presente mais importante da sua vida, pois a história com a boneca fez sua mãe lhe dizer pela primeira vez o quanto era linda, e lhe fez sentir o quanto sua mãe a amava. O recado que Aisha deixa nessa Natal é o seguinte: A vida é difícil, mas não podemos deixar de sonhar, pois os sonhos alimentam a nossa coragem de tentar, e se tentarmos podemos conseguir, talvez não, mas toda tentativa serve como aprendizado. Só não temos a possibilidade de conseguir se não tentarmos, por isso ao colocar os pés de qualquer criança no chão para entender melhor o que é o mundo não arranque de maneira bruta a sua maneira de sonhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegou o Natal, Papai Noel vai trazer presente? Aquelas caixinhas amarelinhas do correio devem estar cheias de cartinhas escritas por crianças de tudo quanto é canto esperançosas para a realização de seus desejos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cuti deu o recado “Se o papai noel não trouxer boneca preta neste Natal, meta-lhe o pé no saco”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-7976598274266698406?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/7976598274266698406/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/12/o-natal-e-exploracao-da-fe-do-povo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/7976598274266698406'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/7976598274266698406'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/12/o-natal-e-exploracao-da-fe-do-povo.html' title='O Natal e a exploração da fé do povo'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-2894545312045660746</id><published>2009-12-03T18:01:00.000-08:00</published><updated>2009-12-25T16:36:48.404-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Obama e Anastácia'/><title type='text'>Obama e Anastácia</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhsP3y3kCI/AAAAAAAAAHU/wrm1cpylH3A/s1600-h/OO.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" er="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhsP3y3kCI/AAAAAAAAAHU/wrm1cpylH3A/s320/OO.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;A primeira coisa que me lembrei ao ver esse graffit do Obama foi a imagem abaixo, embora estejamos vivendo a crise da gripe suína.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhtK7fppsI/AAAAAAAAAHk/Nrc-zl7tHTs/s1600-h/anastacia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" er="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhtK7fppsI/AAAAAAAAAHk/Nrc-zl7tHTs/s320/anastacia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;E não foi só eu quem viajou nessas imagens, e vocês o que acham?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-2894545312045660746?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/2894545312045660746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/12/obama-e-anastacia.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/2894545312045660746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/2894545312045660746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/12/obama-e-anastacia.html' title='Obama e Anastácia'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhsP3y3kCI/AAAAAAAAAHU/wrm1cpylH3A/s72-c/OO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-6665248445513237420</id><published>2009-12-03T15:59:00.000-08:00</published><updated>2009-12-25T16:35:51.773-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Quatro décadas do assasinato de Fred Hampton e Marck Clark'/><title type='text'>Quatro décadas do assasinato de Fred Hampton e Marck Clark</title><content type='html'>&lt;div align="justify" style="border: medium none;"&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhPKyovUWI/AAAAAAAAAGs/3f0mpz_Hcd4/s1600-h/black+panthers.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" er="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhPKyovUWI/AAAAAAAAAGs/3f0mpz_Hcd4/s200/black+panthers.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;Na década de 60 nos Estados Unidos, período em que a segregação e violência racial eram legitimados pelo Estado, surge um grupo chamado Black Panthers que aterrorizou e causou medo na sociedade branca&amp;nbsp;norte-americana, isto porque reagiam aos efeitos do racismo e lutavam pela garantia de seus direitos, mesmo que tivessem que carregar as armas para isto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;Os Black Panthers ocupavam as ruas dos guetos norte-americanos onde viviam para garantir a proteção coletiva da população preta contra a violência policial, e para isso formavam um exército e carregavam suas armas que eram permitidas naquele período nos EUA. Realizavam reuniões secretas e traçavam estratégias de sobrevivência. Encorajavam &lt;a href="mailto:outr@s"&gt;outr@s&lt;/a&gt; &lt;a href="mailto:pret@s"&gt;pret@s&lt;/a&gt; a reagirem a violência racial e denunciar os casos de abuso de poder, fazendo valer os seus direitos. &lt;a href="mailto:Muit@s"&gt;Muit@s&lt;/a&gt; deles morreram em confrontos violentos&amp;nbsp;com a polícia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="border: medium none;"&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;&lt;div class="separator" style="border: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhQjQTJcRI/AAAAAAAAAHM/PFaDI5B0U2A/s1600-h/rea%C3%A7%C3%A3o+armada.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" er="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhQjQTJcRI/AAAAAAAAAHM/PFaDI5B0U2A/s200/rea%C3%A7%C3%A3o+armada.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;No dia 4 de dezembro de 1969 os Panteras Fred Hampton e Marck Clark foram brutalmente assassinados em uma operação policial na cidade de Chicago. Foram condenados a morte por terem lutado pela liberdade do povo preto, reagir a violência racial seria naquele momento um "crime", a sociedade norte-americana não estava disposta a acabar com os privilégios brancos; nesse mesmo dia outros Black Panthers foram espancados pelos mesmos policiais e depois acusados de agressão.Os Black Panthers tornaram-se referência para a luta negra a nível mundial, uniram as discussões de raça, classe e&amp;nbsp;gênero para pensar uma nova sociedade e criaram o programa de 10 pontos "What We Believe" (O que nós queremos), onde exigiam condições básicas para a vida da população negra norte-americana.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" style="border: medium none;"&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhPR-zNOAI/AAAAAAAAAG0/GCxDFpYOMTM/s1600-h/fred_hampton.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" er="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhPR-zNOAI/AAAAAAAAAG0/GCxDFpYOMTM/s200/fred_hampton.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhPm6u7hoI/AAAAAAAAAHE/2wGde0Wehtc/s1600-h/brutalidade.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" er="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhPm6u7hoI/AAAAAAAAAHE/2wGde0Wehtc/s200/brutalidade.bmp" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border: medium none;"&gt;Infelizmente os Black Panthers dissolveram-se, mas deixam uma puta história de luta como referência para o povo preto. Como diz Mano Brown "gente que acredito, gosto e admiro, brigava por justiça e paz levou tiro".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-6665248445513237420?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/6665248445513237420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/12/quatro-decadas-do-assasinato-de-fred.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/6665248445513237420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/6665248445513237420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/12/quatro-decadas-do-assasinato-de-fred.html' title='Quatro décadas do assasinato de Fred Hampton e Marck Clark'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxhPKyovUWI/AAAAAAAAAGs/3f0mpz_Hcd4/s72-c/black+panthers.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-3146187151182385610</id><published>2009-11-29T22:37:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T18:45:23.206-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Esculpindo o meu homem preto'/><title type='text'>Esculpindo meu homem preto</title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="CONTENT-TYPE"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;title&gt;&lt;/title&gt;&lt;meta content="OpenOffice.org 2.0  (Linux)" name="GENERATOR"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="20091129;16350900" name="CREATED"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="20091130;52800" name="CHANGED"&gt;&lt;/meta&gt; 	 	 	 	 	&lt;style&gt;	&lt;!--		@page { margin: 2cm }		P { margin-bottom: 0.21cm }	--&gt;	&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxNnWy49JxI/AAAAAAAAAGk/bOJslnZfTvU/s1600/esculpindo+o+homem+preto" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxNnWy49JxI/AAAAAAAAAGk/bOJslnZfTvU/s400/esculpindo+o+homem+preto" /&gt;&lt;/a&gt;Cuidar de nossos sentimentos é tão importante quanto lutar contra o racismo e o sexismo. Dar e receber amor não pode ser algo inexistente em nossas vidas, mas aquilo que possa nos trazer momentos de alegria, boas lembranças e amadurecimento frente ao ato de amar. A frustração não deveria ser um sentimento resultante da relação amorosa, e isso acontece porque talvez ainda não tenhamos aprendido a amar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Muitas vezes esperamos das pessoas aquilo que elas não são, e aquilo que elas não podem nos oferecer. Cada pessoa é uma pessoa, não podemos exigir delas que sejam aquilo que nós desejamos que ela seja, mas podemos exigir o respeito, a verdade, que só serão colocados verdadeiramente em prática quando esculpirmos o nosso amor. Esculpir significa construir uma relação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Em cada lugar desse mundinho, mesmo que diferentes e distantes, raça e gênero são fatores estruturantes das hierarquias socialmente construídas, das relações de poder. Isso reflete sobre as representações que permeiam nossas mentes em relação a homens e mulheres, os lugares naturalizados, as permissões e a nossa própria mobilidade. Tudo isso tem grande peso sobre aqueles que fogem dos padrões do homem branco, ocidental e heteronormativo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Posso falar do lugar da mulher preta, digo isso porque há uma grande diferença em falar “de” e falar “por”. Qualquer um pode falar do outro, mas não pelo outro. Eu falo por mim, pelo que eu sou, pelo que eu vivi e pelo o que eu sinto, d@s outro@s eu tenho minha opinião e posso até carregar as suas bandeiras, desde que sejam protagonizadas pel@s mesm@s.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Dentro dessas relações permeadas pelos estigmas de raça e gênero o lugar ocupado pela mulher negra é o pior dos lugares. Ela é mutilada fisicamente e psicologicamente desde a sua infância, pela professora, pelos amig@s, pelos “meninos”, pela mídia, pelo mercado de trabalho e pelo Estado. E o homem onde está? Ele aprende desde cedo a multilar. Multilar de uma maneira silenciosa e escandalosa ao mesmo tempo, porque o machismo e o racismo se materializam na prática, e na dificuldade de pegar o discurso numa sociedade onde tudo é “normal”, para muit@s parece que nada esta acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Nesse emaranhado de relações não é só o homem que internaliza o machismo, a mulher também. Mas não da para nos culpar de um problema que foi construído pelos homens e em uma sociedade onde quem ainda detém o poder são os homens, embora as mulheres façam muito mais coisas do que eles. Assim como não da para dizer que @ negr@ é negrofóbic@ ou racista, sendo que @s únic@s privilegiados por essas hierarquias raciais são @s branc@s, @s inventores da negrofobia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Se queremos aprender a amar sem frustrações precisamos desmantelar todo tipo de opressão existente em nossas relações. Precisamos amar libertos das correntes que o machismo, sexismo, racismo entre outras formas de opressão colocam em nossas vidas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;O moralismo não pode servir como ponto de avaliação de relacionamentos monogâmicos ou poligâmicos, o que deve ser respeitado são as maneiras que as pessoas escolhem para se relacionar, desde que essa escolha não oprima ninguém em ambos os lados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Se eu quero um amor baseado na relação de respeito, e como eu sei que o machismo é uma ideologia que privilegia os homens e que dificilmente eles deixam de ser machistas, eu tenho que esculpir o meu homem preto, eu não posso aceitar e nem legitimar as práticas que me oprimem, mas gritar mais alto para que ele me escute e reconheça a forma como os atos dele me prejudicam no cotidiano, &lt;b&gt;e se ele fechar os olhos diante disto maior do que o amor tem que ser a minha coragem para dar um pé na bunda dele&lt;/b&gt;, afinal eu quero ser feliz, e não vou ser feliz com um homem que não se proponha em deixar os seus privilégios de lado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Quando eu falo em esculpir o meu homem preto, estou querendo falar da construção de uma relação onde o respeito e a verdade são estabelecidos de maneira recíproca. Onde ele não tenha que ser o homem que eu desenhei, mas que tenha a ver com aquilo que eu sou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Eu não espero que ele seja o melhor dos cozinheiros, mas que diante de uma mulher ele possa enxergar além da imagem de dona-de-casa e tome inciativas em seu lar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Eu não espero que ele olhe só pra mim, mas se não quiser ficar só comigo que seja sincero e vá embora, pois eu respeito @s poligâmic@s embora não seja mais uma entre eles.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Eu não quero que ele me veja como superior a ele, mas como sei que o fato de eu ter nascido mulher não me faz inferior a ninguém eu quero poder ser olhada do mesmo lugar e com o mesmo respeito que ele recebe, e se for preciso eu grito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Eu não espero que ele leia um livro todos os dias, mas gostaria que fizesse isso periodicamente pois adoro uma discussãozinha teórica, literária e poética.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Ele não precisa ser um RAPPER, mas adoraria se fosse apaixonado pelo HIP HOP assim como eu sou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Eu não espero que ele não beba, mas espero que ele não faça isso cotidianamente, porque a vida demanda muitas coisas e o sistema não da brecha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Eu não espero que ele seja “o maloqueiro”, mas o estilo muito me agrada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Eu sempre quero mais que flores, mas receber e dar flores é uma coisa linda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Eu não espero que ele seja um acadêmico, mas espero que ele goste de estudar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Eu não espero que ele seja um militante, mas que pelo menos faça auto-militância todos os dias em suas ações, auto-reflexões cotidianas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Eu não espero dele uma serenata de amor em forma de RAP no Low Rider com pick'up de DJ instalada no porta-malas como apareceu naquele meu sonho (rs), mas espero alguém que me ame e que demonstre tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Desejar é importante e normal, nós temos que construir nossos desejos e esculpir o nosso amor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-3146187151182385610?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/3146187151182385610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/11/cuidar-de-nossos-sentimentos-e-tao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/3146187151182385610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/3146187151182385610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/11/cuidar-de-nossos-sentimentos-e-tao.html' title='Esculpindo meu homem preto'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SxNnWy49JxI/AAAAAAAAAGk/bOJslnZfTvU/s72-c/esculpindo+o+homem+preto' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-2953802682877003231</id><published>2009-11-23T20:47:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T18:45:44.833-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='20 de novembro'/><title type='text'>Um dia de luta para a luta de todos os dias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Jaqueline Lima Santos&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_w2DefNpsJD8/Rroy41kl-1I/AAAAAAAAAAM/OnkHfdvinoo/s1600/the%2520queens%2520copy%2520amarelo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_w2DefNpsJD8/Rroy41kl-1I/AAAAAAAAAAM/OnkHfdvinoo/s320/the%2520queens%2520copy%2520amarelo.jpg" yr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São vári@s Zumbis dos Palmares ao longo da história. Hoje gostaria de poder voltar naquela escolinha chamada Zumbi dos Palmares que estudei durante minha infância para saber se as crianças ainda acham que Zumbi é algo que assusta. Não pude ir pra ver se teve festa do patrono, mas ficaria muito feliz se soubesse que hoje as coisas acontecem diferente por lá. Foi lá que eu descobri o que me esperava como mulher negra nesse mundo, foi lá que eu e minhas amiguinhas pretinhas temiamos a tudo que nos expusesse ao sentimento de rejeição, como na festa junina onde eramos recusadas como pares, e onde a escola reforçava a super valorização do branco, só as mais branquinhas poderiam ser as noivas. Aquela escola já tentava nos dizer qual era o nosso lugar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queria tanto que a professora soubesse o quanto eu estrapolei esse lugar, mas ela nem deve lembrar do meu rostinho. Queria que ela soubesse a mudança que Zumbi dos Palmares trouxe para a minha vida quando descobri que ele não era um bixo da noite.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como bem nos lembra Clóvis Moura, uma das dívidas da sociedade brasileira para com @ negr@ seria o reconhecimento d@ mesm@ como sujeito e não passivo do regime escravocrata. Como pessoas que dinamizaram a história brasileira, trabalharam, produziram, resistiram, conquistaram sua liberdade e não foram objetos do senhor de engenho. O negro não foi coisa ao longo desse processo, foi “ser”, e Zumbi dos Palmares é uma das representações disto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São vári@s Zumbis porque ao longo desses séculos foram muit@s @s que resistiram as formas como racismo se manifesta e se reinventa. Reconhecer Zumbi dos Palmares é reconhecer o papel de luta e resistência do negro no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queria fazer uma volta ao Quilombo de Palmares, um tipo de volta simbólica. Como a primeira tentativa de libertação do sistema colonial, criando um universo separado onde as pessoas poderiam conviver em condições de igualdade, negr@s sabiam bem quem eram seus inimigos e contra o que deveriam lutar. Hoje, como as correntes que nos aprisionam são invisíveis, muitos de nós não conseguimos enxergar onde esta o problema, logo nossa luta está enfraquecida, como se tudo estivesse muito bem, mas não está. Queria fazer uma volta simbólica a Palmares para que negr@s pudessem se entender dentro do processo histórico, ter orgulho da luta de seus ancestrais, ter referência ao seu passado, pois isso facilitaria a compreensão do que somos e onde estamos hoje. Esse reconhecimento era presente em Palmares, e a partir dele travava-se uma luta contra as correntes do racismo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Franz Fanon diz que o negro não é um homem, é um homem negro. A condição de homem esta associada ao branco, e sempre que há referência ao negro é ao homem negro. Por isso um dia da consciência negra e não um dia da consciência branca. O negro teve sua humanidade roubada e esta em busca do seu reconhecimento ainda hoje. Para o branco não há a necessidade de se afirmar, ele já é o “homem”, agora para o negro a necessidade de afirmação é cotidiana, porque ele ainda é o outro, é o homem negro, a mulher negra, aqueles estereotipados e inferiorizados pelos laços simbólicos que permeiam nossas mentes. Afirmar-se negr@ é resignificar a identidade atribuida pelo colonizador dotada de sentido negativo, é negar o sentido pejorativo e construir uma identidade positiva que valorize quem somos nós.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que o dia da consciência negra não seja mais um dia, mas UM DIA DE LUTA PARA A LUTA DE TODOS OS DIAS, pois ainda temos muito a mudar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-2953802682877003231?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/2953802682877003231/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/11/um-dia-de-luta-para-luta-de-todos-os.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/2953802682877003231'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/2953802682877003231'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/11/um-dia-de-luta-para-luta-de-todos-os.html' title='Um dia de luta para a luta de todos os dias'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_w2DefNpsJD8/Rroy41kl-1I/AAAAAAAAAAM/OnkHfdvinoo/s72-c/the%2520queens%2520copy%2520amarelo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-5448862740249476750</id><published>2009-11-23T20:21:00.001-08:00</published><updated>2009-12-02T18:46:09.053-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Eventos'/><title type='text'>Resposta ao racismo na UNICAMP</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SwtfOteconI/AAAAAAAAAGE/LCwhi9nMhQs/s1600/unicamp+evento.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SwtfOteconI/AAAAAAAAAGE/LCwhi9nMhQs/s640/unicamp+evento.jpg" yr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-5448862740249476750?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/5448862740249476750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/11/resposta-ao-racismo-na-unicamp.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/5448862740249476750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/5448862740249476750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/11/resposta-ao-racismo-na-unicamp.html' title='Resposta ao racismo na UNICAMP'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SwtfOteconI/AAAAAAAAAGE/LCwhi9nMhQs/s72-c/unicamp+evento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-4610592089453091163</id><published>2009-11-23T09:00:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T18:44:14.521-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='RAP Futurista'/><title type='text'>A favor do RAP Futurista</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;Jaqueline Lima Santos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;RAP pode significar muitas coisas, originalmente “Ritmo e Poesia”. Devido ao seu caráter político foi ganhando novos sentidos pelas ruas do mundo, aqui em São Paulo por exemplo “Revolução através das palavras”, “Ritmo Alternativo e Protestante”, entre outras resignificações são utilizadas para descrever o que é esse estilo musical.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Existem diversas formas de fazer um RAP, diversas formas de se apropriar do microfone e rimar em cima da batida, de construir um discurso, de dialogar com o público. Algumas dessas categorias são: Rap Tradicional, Gangsta, P.I.M.P., Underground, Bate-Cabeça, Estilo Tormento, Rap Pop e Futurista. São algumas categorias usadas por rappers brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://fotoexpresso.imusica.com.br/fotos/20020521_art_potencial_3.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://fotoexpresso.imusica.com.br/fotos/20020521_art_potencial_3.jpg" width="200" yr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O RAP Futurista é uma das categorias que mais me chama atenção, surge nos anos 90 no Brasil e traz algo novo, ele acrescenta às denuncias e críticas sobre o cotidiano as novas expectativas de vida, o estimulo para estrapolar as barreiras. É o estilo que tenta eliminar o pensamento pessimista não deixando de ter um olhar crítico sobre a sociedade. O mais importante nessas letras é levantar o astral das pessoas através da valorização dos sonhos, das metas, da vida e de suas identidades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estilo adorado por uns e criticados por outros. Adorado por aqueles que gostam sonhar além das nuvens, que gostam de ser estimulados a seguir em frente mesmo que a caminhada seja dura, e criticado por alguns chatos que gostam de teorizar tudo, até os sonhos. Eu não sou adepta a essas críticas porque comparam esse estilo de RAP a livros de auto-ajuda, isso quando não remetem o mesmo ao discurso da meritocracia.&lt;br /&gt;Alguém lembra de Potencial 3, Duck Jam e a Nação HIP HOP, Da Guedes, SNJ, Elementos da Terra, Záfrica Brasil, Slim, Kamau, Emicida, Rincon Sapiencia? Vocês acham que as músicas deles podem ser comparadas a um livro de auto-ajuda? Fala que não é bom escutar as músicas desse povo? Eu piro com o IPOD no ouvido, me da muito mais vontade de seguir em frente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://www.blog.ritmoepoesia.net/introdusom/wp-content/uploads/2009/07/FOTO-DUCK-JAM-WEB1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: right; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="164" src="http://www.blog.ritmoepoesia.net/introdusom/wp-content/uploads/2009/07/FOTO-DUCK-JAM-WEB1.jpg" width="200" yr="true" /&gt;&lt;/a&gt;Acho que o RAP futurista nada tem a ver com essas críticas, e a galera das quebradas precisa ouvir um pouco mais dele. Quantos de nós não mudamos nossa trajetória por conta das coisas que escutamos nas letras de RAP. Eu conheço várias pessoas que através do contato com o RAP foram muito mais além dos limites que estavam colocados para elas. O HIP HOP já formou gerações de militantes, intelectuais, educadores no Brasil e no mundo, fez muita gente entender o que se passava em suas quebradas e a buscar outras alternativas de vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem todo mundo que tem contato com o HIP HOP vai ser DJ, Grafitteiro, MC ou Breaking, porém o HIP HOP pode mudar a vida de muitas dessas pessoas. As vezes eu sou questionada sobre o meu não lugar no HIP HOP hoje, pois não danço, não canto mais, não grafitto, mas me sinto HIP HOPper. Continuo no meu não lugar até que resolvamos esse dilema, mas tenho certeza do que sou, e que tudo que eu escrevo é HIP HOPologia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pra mim o HIP HOP é um estilo de vida, e o RAP é uma das minhas maiores paixões. Gosto daquele som do “União Racial” que diz o seguinte: “Hip-Hop direciona a luta / pra quem ta perdido rap é a bússola / indica o sentido no caminho que eu sigo / sempre atrás do que me faz ter paz e equilíbrio”. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se o HIP HOP salva eu não sei, depende da forma como a gente materializa as idéias que ele nos traz. Muit@s daqueles(as) amig@s de infância que eu imaginava que não passariam dos 20 anos foram além através do movimento HIP HOP e das idéias trazidas pelo RAP Futurista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para finalizar deixo uma letra do Kamau que tem me estimulado muito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;a href="http://pontemusical.files.wordpress.com/2009/01/kamau-non-ducor-duco-20082.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; cssfloat: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://pontemusical.files.wordpress.com/2009/01/kamau-non-ducor-duco-20082.jpg" width="199" yr="true" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Equilíbrio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;(…) meus sonhos me despertam&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;até que eu os tornem em conquistas&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;minha meta não deixa que eu a perca de vista&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;realista, sei que nem tudo é tão poético&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;mas, não vou ser feliz observando o mundo sético&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;por isso equilibro vontade, necessidade&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;responsabilidade, felicidade&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;plena satisfação é utopia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;mas faço o que posso pra ter minha cota todo dia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;espero, poder cumprir com as obrigações&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;e quero, poder sumir com as preocupações&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;ter condições de ser o que eu sou&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;e deixar bem mais que saudade quando eu me for&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Eu vou buscar onde for&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Como for preciso &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Eu preciso encontrar [2x]&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Música é terapia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;então, eu tenho que ser paciente&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;E ajudar pra que o Onisciente me oriente&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;a mudar a situação a meu favor&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;lutar com convicção aonde for&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;buscar sempre inspiração o bastante&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;pra olhar pro futuro e apreciar um instante&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;é evidente que quantia é suficiente&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;se eu dividir meu tempo e não me achar no quociente&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;agradeço por poder escolher&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;e ofereço cada linha traçada&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;ainda há muito trabalho a fazer&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;porque sucesso é caminhada &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;e não a linha de chegada&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Eu vou buscar onde for&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Como for preciso &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom: medium none; border-left: medium none; border-right: medium none; border-top: medium none;"&gt;Eu preciso encontrar&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-4610592089453091163?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/4610592089453091163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/11/favor-do-rap-futurista.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/4610592089453091163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/4610592089453091163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/11/favor-do-rap-futurista.html' title='A favor do RAP Futurista'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-3198825609117151454</id><published>2009-11-03T17:18:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T18:47:36.216-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Campanha REAJA'/><title type='text'>Campanha Reaja ou será morta! Reaja ou será morto: Dia de Finados</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SvDWHJxAWcI/AAAAAAAAAF8/omkzINqrsbE/s1600-h/carta.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SvDWHJxAWcI/AAAAAAAAAF8/omkzINqrsbE/s640/carta.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-3198825609117151454?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/3198825609117151454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/11/campanha-reaja-ou-sera-morta-reaja-ou.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/3198825609117151454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/3198825609117151454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/11/campanha-reaja-ou-sera-morta-reaja-ou.html' title='Campanha Reaja ou será morta! Reaja ou será morto: Dia de Finados'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SvDWHJxAWcI/AAAAAAAAAF8/omkzINqrsbE/s72-c/carta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-1390771403792239783</id><published>2009-10-19T17:24:00.000-07:00</published><updated>2009-10-20T19:17:10.051-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A merda do ônibus esta sempre lotado'/><title type='text'>A merda do ônibus esta sempre lotado</title><content type='html'>&lt;div align="justify" class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Depois de um longo dia de trabalho e estudos Nubia chega em casa as 23h00. Sem a opção de ir logo descansar, toma banho e senta-se a mesa para ler o texto da aula seguinte ao mesmo tempo em que janta, segue para o computador onde realiza seus trabalhos e coloca a conversa em dia com @s &lt;a href="mailto:amig@s"&gt;amig@s&lt;/a&gt;. São 3h00 da manhã e ela finalmente consegue finalizar suas tarefas e pode ir dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Nubia sonha intensamente, fala enquanto dorme e nos melhores momentos dos seus sonhos o relógio desperta com aquele “ti-ti-ti” insuportável, já começou o novo dia. Enquanto se arruma pensa na longa viagem que tem pela frente, e como pode aproveitar as duas horas que viaja até o centro da grande São Paulo para adiantar seus estudos, separa o que tem que ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/St0Bp4CQGuI/AAAAAAAAAFg/VaZW4Mviso4/s1600-h/onibus_lotado.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/St0Bp4CQGuI/AAAAAAAAAFg/VaZW4Mviso4/s320/onibus_lotado.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Quando chega no ponto de ônibus tem aquela esperança de ter um assento sobrando, e a merda passa sempre lotado. As vezes encontra um daqueles banquinhos amarelinhos reservados a gestantes, deficientes e idosos e na esperança de não aparecer ninguém nessa condição senta-se, mas logo aparece alguém com as características e na maioria das vezes idosos. Ela não consegue compreender o porque uma pessoa com mais de 65 anos aposentada sai de casa tão cedo quando as pessoas estão saindo em sua maioria cansadas para trabalhar, mas respeita a condição da pessoa e levanta-se. Não da tempo de ler uma página daquele texto de infinitas páginas que tem para ler.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;P...Q...P.... além de dormir pouco todo dia tem que encarar esse transporte público, ficar duas horas no trânsito sendo abarrotada dentro de um ônibus cuja a passagem é cara e não ter direito a um assento, é um desrespeito com a dignidade humana.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma viagem desconfortável Nubia chega ao trabalho já cansada, e antes dela chegou sua amiga que veio de carro e mora no centro com ótima aparência, dormiu bem, acordou mais tarde e chega no trabalho feliz. Nubia para não ficar por baixo esconde todo o cansaço e abre logo um sorriso ao dizer: “Vamos ao trabalho!”. Dispõe de todas as suas energias para ser tão boa e dedicada como qualquer outra pessoa apesar de cansada. Consegue enxergar as desvantagens que tem uma jovem, moradora de periferia que tem que estudar, trabalhar, estruturar a sua família além de encarar as mas condições do serviço público em relação a uma jovem de classe média que usufrui de recursos privados e está batalhando pela sua independência financeira enquanto ela batalha para ajudar a família. Mas mesmo assim Nubia não acha justo que essas condições que a deixa vulnerável atrapalhe sem desempenho profissional e por isso se sacrifica de uma maneira desumana para alcançar o seu desejo maior.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;Final do expediente é elogiada, ela sempre da o melhor de si em seus trabalhos. A cada intervalo da um fugidinha para o banheiro onde aproveita os miseros minutos para dormir sentada na privada, depois lava a cara e volta ao trabalho toda sorridente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/St0DBrG858I/AAAAAAAAAFw/o9VRNvla5i8/s1600-h/onibus+lotado+2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/St0DBrG858I/AAAAAAAAAFw/o9VRNvla5i8/s320/onibus+lotado+2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;É hora de ir para aula, e Nubia pensa de novo: “O tempo que eu vou ficar no ônibus da para eu ler aquele texto...”, mas a merda do ônibus esta lotado, e depois de um dia de trabalho cansativo ou uma noite de estudos cansativa Nubia encara os apertos do ônibus novamente. Chega na aula com poucas energias, quando não tem tempo de ler os textos vai lendo em aula e participa das discussões, mas o habitual é sempre virar as noites para realizar as leituras e não ficar por fora do debate.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify" class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;Nubia já esta cansada e não sabe até onde vai agüentar, mas ela continua acreditando que seus sonhos são possíveis, talvez seja daí que ela tira suas energias.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Hora de ir para casa e a merda o ônibus esta lotado de novo, não vai dar pra ler aquele entre vários outros textos que Nubia tem que estudar. É, hoje será mais uma noite mal dormida. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;E a merda do ônibus nunca muda. Nubia só fica feliz nos dias de sábado que tem que trabalhar e costuma encontrar aquele banco vazio para sentar e desenrolar suas leituras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-1390771403792239783?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/1390771403792239783/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/10/merda-do-onibus-esta-sempre-lotado.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/1390771403792239783'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/1390771403792239783'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/10/merda-do-onibus-esta-sempre-lotado.html' title='A merda do ônibus esta sempre lotado'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/St0Bp4CQGuI/AAAAAAAAAFg/VaZW4Mviso4/s72-c/onibus_lotado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-1962131046280755161</id><published>2009-10-15T23:47:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T18:03:09.607-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sinto saudades não sei do que...'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Subjetividade'/><title type='text'>Sinto saudades não sei do que...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/StgUnpA3P1I/AAAAAAAAAEw/kGRxQoprjYs/s1600-h/bailes.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/StgUnpA3P1I/AAAAAAAAAEw/kGRxQoprjYs/s200/bailes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Quando escuto a batida do funk e o grito de James Brown me bate uma saudade não sei do que. Quando vejo @s &lt;a href="mailto:negr@s"&gt;negr@s&lt;/a&gt; “véi@” falando do 7 de julho de 1978 sinto saudades não sei do que. Quando vejo minha mãe que hoje é crente falando mal das festas de terreiro que ela frequentava durante a sua adolescência no interior da Bahia sinto saudades não sei do que. Quando entro nos antigos clubes negros sinto saudades não sei do que. Quando eu vejo Nino Brown falando dos bailes blacks dos anos 70 sinto saudades não sei do que. Quando eu vejo um Baobá sinto saudades não sei do que. Quando escuto Senhor Tempo Bom do Thaide e DJ Hum sinto saudades não sei do que. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto saudades não sei do que porque sinto saudade de tempos que eu não vivi, mas que sinto dentro de mim como se a minha história fosse uma história que antecedesse o meu nascimento, é como se o sentimento de negritude me fizesse incorporar tudo aquilo que eu não presenciei.  No meu centro há um umbigo que me liga aos meus ancestrais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Antes de conhecer a tal da negritude eu não sabia quem eu era nesse mundo, não sabia do que   ter orgulho e o por que de carregalo em meu peito. Quando tinha cinco anos de idade estudei em uma escola de educação infantil chamada Zumbi dos Palmares, e diferente das outras escolas que estudei durante a minha formação lá não tinha festa do patrono, me lembro até hoje que todos nós achavamos que Zumbi era um bicho da noite e tinhamos medo dele, e desse tempo eu não tenho saudades. Descobri quem foi zumbi muito tempo depois através de um RAP.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/StgWYFicIWI/AAAAAAAAAFA/kklNKZbAXtg/s1600-h/zumbi.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/StgWYFicIWI/AAAAAAAAAFA/kklNKZbAXtg/s200/zumbi.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;Já passei pela fase da multilação onde tudo que eu poderia ser era no máximo a “morena clara”, já quiz se pakita da Xuxa mas eu não nasci loira, tentei fazer igual ao Cirillo do Carrosel mas a pasta de dente não me embranqueceu, as minhas bonecas eram todas brancas e projetava nelas o desejo de como eu queria que fossem os meus filhos. Desse tempo eu também não sinto saudades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;A minha saudade foi sendo construída de acordo com o descobrimento de mim mesma. Quando descobri a África dos meus ancestrais, a história dos negros na diáspora, o sentido da música, da dança e da religião, o tocar do tambor me chamou, e tudo que tinha significado pejorativo e depreciativo foi resignificado. O corpo, a mente e o coração ganharam uma nova vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/StgYCmrjwCI/AAAAAAAAAFI/INouThrNgYc/s1600-h/CRIAN%C3%87AS+NEGRAS+EM+C%C3%8DRCULO.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/StgYCmrjwCI/AAAAAAAAAFI/INouThrNgYc/s320/CRIAN%C3%87AS+NEGRAS+EM+C%C3%8DRCULO.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;Quando me falaram a primeira vez do Quilombo de Palmares senti saudades não sei do que. Hoje sinto muitas saudades não sei do que, mas sei a importância de sentir saudade de tudo isso. E a cada dia sinto mais saudades porque descubro coisas novas.&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Daqui a algum tempo eu vou sentir saudades do que eu estou vivendo hoje, depois que eu renasci passei a fazer muitas coisas boas.&amp;nbsp; É muito bom fazer história se sentindo sujeito dela, é ter consciência de que cada experiência contribui com o nosso crescimento, poder refletir, projetar e realizar é uma tentativa válida e ganha mais sentido quando se tem consciência do que somos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse "não sei do que" tem um sentido simbólico que não sei se consegui expressar, mas sei que outras pessoas compartilham dessa saudade. E quero que meus filhos, netos, bisnetos e todas as gerações posteriores possam ter saudade "não sei do que".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria ter nascido ontem e poder viver amanhã, e esse desejo se concretiza quando eu vivo o meu passado e marco o meu presente para aqueles que virão depois de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;i&gt;Um povo sem história é como uma árvore sem raiz."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-1962131046280755161?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/1962131046280755161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/10/sinto-saudades-nao-sei-do-que.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/1962131046280755161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/1962131046280755161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/10/sinto-saudades-nao-sei-do-que.html' title='Sinto saudades não sei do que...'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/StgUnpA3P1I/AAAAAAAAAEw/kGRxQoprjYs/s72-c/bailes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-2005121096893681974</id><published>2009-09-21T19:39:00.001-07:00</published><updated>2009-10-16T19:17:34.673-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Michael Jackson'/><title type='text'>Debatendo na comunidade do Orkut “Michael Jackson Negão”: cadê o vitiligo?</title><content type='html'>&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;“Cadê o Vitiligo?”, tópico criado em 9 de julho na comunidade do Orkut “&lt;a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=45738"&gt;Michael Jackson Negão&lt;/a&gt;”, traz diversas contradições referentes a hereditariedade, identidade, racismo, preconceito, cultura, negritude, estética, ancestralidade, nada de diferente da crise de identidades e contradições presentes no imaginário social brasileiro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;A discussão gira em torno do questionamento se Michael Jackson teve ou não teve vitiligo, se ele negou a sua “raça”, identificação racial com o artista até chegar na crise de identidades do Brasil. Eu li comentário por comentário, e fiquei assustada com a falta de compreensão ou negação das relações raciais sustentadas pelo imaginário racista em que vivemos. Por esse motivo resolvi escrever este texto e problematizar a discussão.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Cabe lembrar que a discussão aqui não é relacionada a inegável contribuição que Michael Jackson trouxe para a música negra a nível mundial, sendo referência nas mais diversas fragmentações da “Black Music” e fora dela. O que me proponho debater é sobre a crise de identidades, relações raciais e mutilação do ser negro.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Africanos de diferentes grupos étnicos foram trazidos a força para as Américas, certo? Houve uma generalização em relação a esse povo diverso por conta da cor de sua pele, a fronteira estabelecida entre os escravizados e os livres. Quem eram os escravizados? Aqueles de pele escura, os negros, condenados ao trabalho forçado por não serem considerados humanos; e os livres eram aqueles de pele clara cujo os privilégios os eram direcionados, e sua história está marcada pela exploração, violação, guerras, extermínios, genocídios, racismo e segregação, dos quais eles se esquecem quando glorificam sua história.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;E que tipo de violência esses povos sofreram nos diferentes territórios americanos onde foram escravizados? Cito aqui três tipos de violência, a violência física, a violência simbólica, e a violência psicológica. &amp;nbsp;Violência física por conta da travessia violenta pelos atlânticos, pelas agressões, estupros, exposição enquanto mercadoria, torturas e trabalho forçado em condições insalubres; Violência simbólica porque ao mesmo tempo em que foram tirados a força de seus diferentes territórios, separados de suas família, grupos étnicos e moradas, foram obrigados a falar a língua do opressor, cultuar a religião do opressor, vestir a roupagem cultural do opressor, tendo suas diferentes culturas agredidas pelo discurso da inferioridade, do atraso, do mal, do ruim, do dispensável, ou seja, tudo que é meu não presta, e &amp;nbsp;se eu quiser ser alguém tenho que ser como o outro, o “superior”. Violência psicológica porque o individuo inserido no novo mundo, onde tudo que se refere a ele, a sua identidade, é traduzido pela representação negativa forjada sobre a sua existência, porque ele é o “atrasado”, o “inferior”, o feio, o “escravo”, o “subalterno”, logo por esse excesso de estereótipos sustentados por um imaginário dominante, o mesmo passa a criar uma imagem depreciativa de si próprio; enfraquecido pela separação de sua família, de seu grupo étnico, de seu território, de seu cotidiano, o mesmo encontra-se vulnerável a todos esses tipos de violência.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;E o que isso tem a ver com o Michael Jackson? Ele é filho de negros? Sim! Logo descendentes de africanos? Sim! Logo faz parte de todo esse processo histórico que se mostra violento? Sim! Logo foi violentado fisicamente, simbolicamente, e psicologicamente enquanto individuo negro. Nasceu pouco mais de cem anos após a abolição nos Estados Unidos, e em um período onde ainda havia legalmente o apartheid no país.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Seus pais foram criados em um sistema onde os valores sociais e dominantes foram pensados pelos brancos, logo foram violentados pelo racismo cotidianamente por serem colocados fora do estereotipo da beleza, inteligência e direção, excluídos dos espaços de poder e proibidos de freqüentar espaços por conta da cor de sua pele, numa sociedade em que as chances dos negros só se davam por via da música e do esporte (Diferente do Brasil? rs, retomaremos isso lá na frente). No passado e ainda hoje a maioria das famílias reproduzem aquilo que viveram, e se os pais de Michael Jackson foram violentados cotidianamente pelo racismo, isso explica o fato de seu pai o violentar simbolicamente com brincadeiras de mal gosto associando sua negritude a aberração e a feiúra, foi assim que seu pai foi educado para se ver na sociedade racista dirigida, pensada e manipulada pela elite branca. Isso tem tudo a ver e não se desliga da história da escravidão, violência e que foi mantido no imaginário do pós-abolição. Muitos nesses casos diriam, ai “o próprio negro é racista”, isso gera uma outra discussão.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Entendo por racismo uma forma de estabelecer relações de poder a partir da crença de superioridade de um povo sobre o outro. Esse poder seria o de ocupar os espaços de direção, poder de incluir e excluir, poder de estabelecer uma ideologia dominante. E que tipo de poder o negro tem mesmo com Obama sendo &amp;nbsp;o presidente da maior potência mundial? Só se for o poder simbólico de dizer: “O negro pode chegar lá”, mas não o poder de mudar o imaginário racial, as relações raciais, pois o negro continua como base da pirâmide, excluído, marginalizado e violentado em todo o mundo. Por esse motivo negro não pode ser racista, ele não tem o poder de poder incluir ou excluir um grupo “racial” na sociedade das “raças”, e muito menos de criar um estereótipo negativo do branco, pois os meios de comunicação estão nas mãos dos brancos, e eles fazem isso que nós conhecemos com a imagem do negro. Os negros podem no máximo ser vítima do racismo, e logo reprodutor dele, assim como o pai de Michael Jackson o foi, a não ser que ele se depare com algum movimento negro que estimule seu processo de libertação, como aconteceu comigo. Tenho certeza de que quando o negro estiver no poder e não somente representar um poder ainda branco, as relações raciais não se pautarão por superioridade/inferioridade, mas pelo respeito e entendimento das diferenças. A mudança virá daqueles que fazem parte dos excluídos nas fragmentações sociais de raça, classe e gênero.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Michael Jackson foi vítima do racismo construído pelo colonizador branco europeu e que tem suas influências nas sociedades americanas que passaram pela escravidão negra e indígena até os dias atuais, ele é renovado e reinventado para excluir de um lado e privilegiar do outro. E isso é independente da polêmica “teve ou não teve vitiligo?”, pois existem dois processos para o tratamento desta doença, o aceleramento da despigmentação ou recuperação da pigmentação. Vamos supor que seu médico realmente tenha lhe falado que o caso dele deveria ser tratado com o aceleramento da despigmentação, mesmo assim Michael Jackson passou por outros e diversos rituais de mutilação da sua negritude. Porque optou pelo cabelo liso, pelos lábios finos, pelo nariz estreito e pela orelha pontuda? Não é pelo simples fato de querer se sentir diferente, é óbvio, pois o mesmo nasceu em uma sociedade que tem pré-estabelecido um tipo ideal de beleza e seriedade que o violentou desde a sua infância, tendo a sua mente metralhada com ideologias, mensagens, imagens e sons que diziam que o bom nessa e em outras sociedades é ser branco. Assim como em diversos lugares do mundo o negro se mutila cotidianamente para estar mais próximo do “ser branco”, com o objetivo de chegar a considerada “boa aparência” associada aos espaços que sonham conquistar. Temos que construir nossa luta, e conquistar nossos espaços dizendo e afirmando aquilo que somos e que é agredido e negado cotidianamente na sociedade, assim alcançaremos de fato a libertação das correntes ideológicas que aprisionam e violentam nosso povo.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Foi assim em todos os lugares que a colonização branca chegou. No continente Africano onde o processo de colonização é mais recente que o nosso, mulheres negras estão adquirindo câncer de pele por utilizar cosméticos para clarear a pele fabricados por indústrias européias, seguindo o ritual de mutilação da &amp;nbsp;sua negritude em busca do tipo ideal europeu, tudo isso porque foram antes de tudo agredida pela ideologia racista que prega a inferioridade. Esse é um entre os diversos processos que ocorrem por lá.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Michael Jackson não deixa de ser mais um irmão preto vítima da atuação missionária do colonizador branco que teve como objetivo a desconstrução da identidade e embranquecimento do povo preto. Mas nosso povo resiste, e temos hoje diversas manifestações negras na diáspora africana que remontam as vivências do povo negro africano, e que hoje quando tomam as ruas ocasionam o “Medo Branco” em relação ao empoderamento do povo preto.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Entendendo o processo histórico como foi construído é possível ver por exemplo hoje o caso da Negra Li, que ao ficar famosa a primeira coisa que fez foi afinar o nariz dizendo que não gostava do mesmo e alisar os cabelos como um processo natural ou como fruto da construção de um operador ideológico chamado RACISMO?&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Talvez para quem seja branco, como vi nas discussões da comunidade não importa a cor de Michael Jackson, “ele podia ficar verde se quisesse”, mas para quem é negro, violentado pelo racismo, importa sim a identificação racial, pois são formas de reagir as agressões cotidianas, e isso não é falta de cérebro como disse uma comentarista da comunidade, é um posicionamento político fundamental para a compreensão do ser negro. Para as comunidades negras em suas diferentes localidades a música vai além da música, ela é resistência e política, música fala, ela foi utilizada para a construção da auto-estima do negro, da identidade política do negro ao mesmo tempo em que foi exotizada pelos brancos. Os brancos estão acostumados a se verem em todos os tipos de espaços, serem representados em todos os lugares, e por isso não importa o processo de mutilação da negritude sofrido por Michael Jackson, talvez para eles até seja melhor que o mesmo seja representado como branco. Eu queria ver se o vitiligo fosse ao contrário, ocasionando o enegrecimento das pessoas, muitos teriam outra opinião sobre o processo de aceleramento, os cientistas iriam projetar toda forma de controle temendo perder sua branquitude e assim seus privilégios.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Eu já consigo imaginar daqui uns 30 anos numa sociedade ainda racista - pois se as pessoas não assumem a existência do racismo, logo não se mobilizam para o fim do mesmo e acabamos perpetuando a sua existência – a mídia projetando Michael Jackson branco, sem nenhum adendo a sua família negra, a sua cor negra. Todas as fotos de Michael Jackson negro irão sumir, e a sua negritude será negada assim como foi a de Chiquinha Gonzada que negra foi representada por uma branca na mini série da globo, e tantas outras personalidades negras que tiveram sua negritude negada, depois posso levantar uma lista por aqui.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Na sociedade racista da negação da negritude, assumir a identidade é resistir politicamente à opressão, à negação, é reconstruir uma história negada que foi fundamental para a existência dos espaços em que vivemos, pois sabendo quem fomos, entenderemos quem somos, entenderemos porque enquanto pretos vivemos desse jeito, e entenderemos o porque mudar pelo caminho da afirmação a nossa realidade. Eu quebro o poder quando eu entendo por quais formas suas relações estão estruturadas, nesse caso o racismo.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Outra discussão apresentada na comunidade foi sobre a existência de raças, e assim como a biologia nos afirma, geneticamente não existem raças e sim a raça humana. O que esqueceram de pautar é que para a sociedade as raças ainda existem, e essas raças não são baseadas em conclusões biológicas e sim nas relações de poder e dominação de um grupo sobre o outro, o racismo existe muito antes do racismo cientifico do século XIX que estabeleceu a existência de raças entre os seres humanos, ele é milenar. A biologia não responde nossos problemas raciais estabelecidos no cotidiano, que inclui/exclui, privilegia, violenta, mata, extermina, por causa da cor da pele, da identidade, da escolha política e cultural. Raça é um operador ideológico, e deve ser combatida como um operador ideológico, entendendo a complexidade das relações de poder e não será exterminada do imaginário social pelo discurso da igualdade. Esse mesmo discurso da igualdade projeta a agressão as diferenças, qual é essa igualdade? Somos diferentes em escolhas, em gostos, em ascendência, em estereótipo e sempre haverão os marcadores sociais da diferença, o que não pode é esses marcadores serem utilizados para estabelecer relações de superioridade/inferioridade, é isso que temos que combater.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;O argumento da miscigenação também me pareceu fraco nessa discussão, por dois motivos: Primeiro, o racismo no Brasil se da pela cor da pele, quanto mais escura a pessoa mais racismo ela sofre, nos EUA até certo período foi por origem, ou seja, um filho de negro que nascia branco continuava sendo visto como negro; hoje sei que a dinâmica do racismo mudou um pouco por lá, e no caso do Michael mesmo tendo buscado o “tipo ideal” continuou sendo visto como negro. Algumas pessoas utilizaram o argumento da mistura racial para questionar quem é quem no Brasil pelo fato de um participante falar da importância da sua ancestralidade africana, da resistência negra e valorização do “Michael Negão”, confundindo essa discussão de identidade política com mistura racial, para! Ninguém aqui no nosso país pergunta para a Daiane dos Santos se na família dela tem branco, amarelo ou azul ou quantos por cento de sangue branco corre na veia dela, as pessoas olham para ela e dizem “é negra”, e o racista não colhe esse tanto de informações antes de agredi-la e discriminá-la, ele vai e ataca, e assim é com todos os negros, mas não ataca o branco por saber que o ancestral dele é negro, a cor da pele que é o referencial nesse momento, por isso não da para dizer que não sabemos quem é negro no Brasil, o apartheid está instalado no imaginário social, assim como nos EUA mesmo após o fim das leis de segregação racial. As correntes que nos prendem são as ideológicas. Segundo, racismo é racismo em qualquer lugar, não da para dizer que importamos discursos e lutas para um país onde todo mundo é misturado, se tem alguém fazendo discurso parecido com o negro norte-americano ou com o negro francês, é porque ambos de maneira diferente estão sendo vítimas do racismo, e logo devem ser vistos dentro de um processo mais amplo que os situa em suas localidades, como membros de uma diáspora africana que é vitima de um racismo globalizado, atuante de acordo com seus instrumentos e cultura local. Demorou para globalizarmos a luta negra e construir uma corrente de solidariedade internacional, pois se nos diferentes lugares somos racializados e violentados, nossa luta é racial sim, somos excluídos por sermos negras, mulheres e logo a maioria entre os pobres e miseráveis no mundo.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Ainda temos tudo a ver uns com os outro. Por que o africano se sente na batida de RAP e diz que isso já existia lá muito tempo antes de ser denominada música RAP norte-americana? Por que será que quem toca berimbau reconhece seu afinamento nas cordas de uma guitarra no rock? Por que será que as rodas de jongo e seus desafios tem tudo a ver com o Freestyle e os Griots Africanos? Estamos reinventando a roda e resistindo, e por isso que eu digo que o HIP HOP, o Soul, O Maracatu, o Jazz, o Blues, o Reggae, os Batuque, o Jongo, o repente, o candomblé, entre outros são todos elementos da Diáspora Africana antes de pertencer a qualquer nacionalidade americana, uma dica é estudar um pouco sobre etnomusicologia.&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial; font-size: 12pt; font-weight: normal;"&gt;Espero que as pessoas não continuem acreditando que quem tem o poder de excluir as pessoas é SOMENTE elas mesmas, existe um mundo de coisas por trás do que se chama de exclusão. Espero ter contribuído para o tópico e não ser vista como outros que assim como eu, ao contrariarem as acadêmicas foram chamados indiretamente de “ignorantes”, estou com eles!&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-2005121096893681974?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/2005121096893681974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/09/debatendo-na-comunidade-do-orkut_21.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/2005121096893681974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/2005121096893681974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/09/debatendo-na-comunidade-do-orkut_21.html' title='Debatendo na comunidade do Orkut “Michael Jackson Negão”: cadê o vitiligo?'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-4872474997468222551</id><published>2009-09-12T09:39:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T12:58:56.243-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tell me your favorite song'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música preta'/><title type='text'>Tell me your favorite song</title><content type='html'>&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: 18px; font-weight: bold;"&gt;(Me diga sua canção preferida)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://o.aolcdn.com/feedgallery/music/i/c/corinne_bailey_rae/05-corinne-bailey-rae-082907.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://o.aolcdn.com/feedgallery/music/i/c/corinne_bailey_rae/05-corinne-bailey-rae-082907.jpg" width="129" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt; &amp;nbsp;A&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;rainha da suavidade &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Corinne Bailey&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt; traz em sua voz mensagens de conforto, ela canta todo tipo de sentimento da felicidade ao sofrimento, mas em Put Your Record On (Coloque seu som para tocar) ela manda um de seus melhores recados.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Corinne canta o erro, a esperança, o sonho, a felicidade e principalmente a mudança. Ela fala de muitas coisas em uma só música, ela expõe à subjetividade de uma mulher negra dando ênfase a auto-estima.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Perdi as contas de quantas vezes me sentei em roda com amigas para discutir os mesmos problemas, para contar as mesmas histórias que se repetem com pessoas diferentes, mas que o fim é sempre o mesmo. Corinne Bailey bem diz que “quanto mais às coisas parecem mudar, mais elas continuam as mesmas”. As vezes direcionamos toda a atenção para um acontecimento da nossa vida, e deixamos o resto do cenário abandonado, as coisas passam e nem percebemos, precisamos mudar isso.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Just go ahead, let your hair down, &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;isso mesmo, vá em frente e solte seus cabelos, não desista de seus sonhos que um dia você se encontrará em algum lugar, de alguma maneira.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É profundo isso: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Don't you let those other boys fool you, Gotta love that afro hairdo&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;. Acho que a música fala mais do que eu, segue abaixo a letra e a tradução, além do clipe. Essa é minha música preferida, minha trilha sonora, e compartilho com vocês, pois ela sempre me faz lembrar de coisas boas nos momentos ruins, ela recompõe a Jaqueline.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-size: 12px; line-height: 18px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 12px; line-height: 18px;"&gt;Three little birds, sat on my window.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: large;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial; font-size: large;"&gt;&lt;div style="line-height: 13.5pt; margin-bottom: 11.25pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Três passarinhos pousaram em minha janela&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;And they told me I don't need to worry.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;E eles me disseram que não preciso me preocupar&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Summer came like cinnamon&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;O verão chegou feito canela&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;So sweet,&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Tão doce&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Little girls double-dutch on the concrete.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Garotinhas pulavam corda no concreto&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 13.5pt; margin-bottom: 11.25pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Maybe sometimes, we got it wrong, but it's alright&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Talvez algumas vezes, cometemos erros, mas tudo bem&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;A&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;nd nothing seems to change, and it all will stay the same.&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Quanto mais as coisas parecem mudar, mais elas continuam as mesmas&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Oh, don't you hesitate.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Oh, não hesite&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 13.5pt; margin-bottom: 11.25pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Girl, put your records on, tell me your favourite song&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Garota, coloque seu som para tocar, me diga sua canção preferida&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;You go ahead, let your hair down&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Vá em frente, solte seus cabelos&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Sapphire and faded jeans, I hope you get your dreams,&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Jeans Safira desbotado, espero que realize seus sonhos&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Just go ahead, let your hair down.&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Apenas siga em frente, solte seus cabelos&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 13.5pt; margin-bottom: 11.25pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;You're gonna find yourself somewhere, somehow.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Você se encontrará em algum lugar, de alguma maneira&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 13.5pt; margin-bottom: 11.25pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Blue as the sky, sombre and lonely,&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Azul como o céu, sombria e sozinha&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Sipping tea in the bar by the road side,&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Bebendo chá no bar ao lado da estrada&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;(just relax, just relax)&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;(apenas relaxe, apenas relaxe)&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Don't you let those other boys fool you,&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Não deixe aqueles garotos te fazerem de boba&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Gotta love that afro hairdo.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Vá e ame aquele penteado afro&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 13.5pt; margin-bottom: 11.25pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Maybe sometimes, we feel afraid, but it's alright&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Talvez algumas vezes, nós sentimos medo, mas tudo bem&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;The more you stay the same, the more they seem to change.&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Quanto mais você continua a mesma, mais eles parecem mudar&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Don't you think it's strange?&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Você não acha isso esquisito?&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 13.5pt; margin-bottom: 11.25pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Girl, put your records on, tell me your favourite song&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Garota, coloque seu som para tocar, me diga sua canção preferida&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;You go ahead, let your hair down&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Vá em frente, solte seus cabelos&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Sapphire and faded jeans, I hope you get your dreams,&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Jeans Safira desbotado, espero que realize seus sonhos&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Just go ahead, let your hair down.&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Apenas siga em frente, solte seus cabelos&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 13.5pt; margin-bottom: 11.25pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;You're gonna find yourself somewhere, somehow.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Você se encontrará em algum lugar, de alguma maneira&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 13.5pt; margin-bottom: 11.25pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Just more than I could take, pity for pity's sake&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Apenas mais do que eu poderia levar, perdão pelo bem do perdão&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Some nights kept me awake, I thought that I was stronger&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Algumas noites não consegui dormir, achei que eu fosse mais forte&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;When you gonna realise, that you don't even have to try any longer.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Quando você vai perceber, que você não precisa mais ficar tentando&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Do what you want to.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Faça o que você quiser&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 13.5pt; margin-bottom: 11.25pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Girl, put your records on, tell me your favourite song&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Garota, coloque seu som para tocar, me diga sua canção preferida&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;You go ahead, let your hair down&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Vá em frente, solte seus cabelos&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Sapphire and faded jeans, I hope you get your dreams,&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Jeans Safira desbotado, espero que realize seus sonhos&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Just go ahead, let your hair down.&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Apenas siga em frente, solte seus cabelos&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 13.5pt; margin-bottom: 11.25pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Girl, put your records on, tell me your favourite song&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Garota, coloque seu som para tocar, me diga sua canção preferida&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;You go ahead, let your hair down&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Vá em frente, solte seus cabelos&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Sapphire and faded jeans, I hope you get your dreams,&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Jeans Safira desbotado, espero que realize seus sonhos&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Just go ahead, let your hair down.&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-US" style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Apenas siga em frente, solte seus cabelos&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 13.5pt; margin-bottom: 11.25pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;Oh, You're gonna find yourself somewhere, somehow.&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #666666; font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;&lt;br /&gt;Oh, você se encontrará em algum lugar, de alguma maneir&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Verdana; font-size: 9pt;"&gt;a&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-4872474997468222551?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/4872474997468222551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/09/tell-me-your-favorite-song-me-diga-sua.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/4872474997468222551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/4872474997468222551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/09/tell-me-your-favorite-song-me-diga-sua.html' title='Tell me your favorite song'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-7159572922897737159</id><published>2009-09-07T21:42:00.001-07:00</published><updated>2009-10-20T16:09:09.774-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Se essa rua se essa rua fosse minha'/><title type='text'>Se essa rua, se essa rua fosse minha...</title><content type='html'>&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;Jaqueline Lima Santos&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;No mundo machista, racista e sexista...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif;"&gt;&lt;o:p _moz-userdefined=""&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse cantora transformaria cada verso a ser cantado em um ato político, entrando na subjetividade dos pretos e pretas despertando o orgulho do que somos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse médica transformaria a vida de muitos pretos e pretas que morrem por negligências do sistema de saúde, pois seria uma pesquisadora das enfermidades que atingem a população negra, provaria que muitas delas ocorrem pelas desigualdades raciais que deixam esse segmento mais vulnerável a diversas doenças, e construiria uma programa especifico de atendimento a saúde da população negra. E mais, teria orgulho de falar que a medicina tem sua origem no continente africano e não é um conhecimento essencialmente ocidental.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse poeta denunciaria em meus versos a realidade de pretas e pretos no Brasil, versaria as novas expectativas para inspirar o meu povo a ir atrás dos seus sonhos e desejos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse uma advogada estudaria todas as leis referentes as questões racial no Brasil e seus fundamentos, a criminalização da população negra, e direcionaria toda a minha carreira para combater o racismo institucional e pela defesa de meus irmãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse cabeleireira saberia todas as técnicas de trabalho com o cabelo crespo com exceção daquelas que mutilam a existência do mesmo. No meu salão só seriam feitos dreads, tranças, Black Power, e quem estivesse a procura da missão missionária do alisamento teria uma entre duas escolhas: escutar o que eu tivesse a falar sobre a valorização do nosso cabelo e em processo se libertar da opressão capilar, ou procurar outro cabeleireiro porque como diz Alicia Walker: “Cabelo oprimido é um teto para o cérebro”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse engenheira teria duas missões durante a minha carreira, na primeira iria pensar nos quilombos, a favor do reconhecimento do território do meu povo e contra a especulação imobiliária. Depois iria pensar uma política pública de moradia que levasse em consideração todas as necessidades básicas para a dignidade humana, pois não agüento mais ver tanto preto morando na rua, debaixo das pontes, em áreas de risco e em barracos de madeira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse dançarina trabalharia pela difusão da dança afro nas comunidades de periferia, teria a dança como instrumento de libertação dos corpos e expressividade das mulheres negras, que numa sociedade machista e racista quando não estão associadas a objeto sexual vulgarizadas, são colocadas fora do estereótipo do tipo ideal, o que gera uma dificuldade de se relacionarem com os seus próprios corpos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse jornalista utilizaria os meios de comunicação a favor da luta contra o racismo e pela visibilidade do povo negro, aproveitaria todas as brechas, mesmo que pequenas, para dar voz ao movimento negro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse comerciante praticaria as ações afirmativas em meu estabelecimento, contratando funcionários negros nas diversas áreas, assim contribuindo para diminuir as desigualdades econômicas entre negros e brancos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse historiadora buscaria todas as obras de intelectuais africanos e negros da diáspora necessárias para contar a história da humanidade a partir da experiência negra, como disse Joseph Ki-Zerbo “enquanto os leões não tiverem seus próprios contadores de história, as histórias de caçada glorificarão os caçadores".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse política defenderia com todas as minhas forças a política de reparação do povo negro, único povo que não recebeu indenização pelo maior massacre da humanidade, a escravidão. Defenderia reparação simbólica e material.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse bacharel em Farmácia, dedicaria minha carreira a estudar produtos específicos para cuidar da estética negra, pois os cremes que usamos, os shampoos e condicionadores, as maquiagens, os produtos capilares, são pensados para modelar o povo preto de acordo com os parâmetros brancos. E o que acontece com a gente? São vários os rituais de mutilação que nos deixam carecas, com a pele ressecada, com doenças dermatológicas, fora as propagandas bizarras desses produtos: “para clarear a pele”, “diminui o volume deixando seu cabelo normal”, “para cabelos rebeldes”, entre outras. É preciso pensar a especificidade da estética negra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Se eu fosse cineasta eu levaria para as telas de cinema grandes atores e trizes negros, problematizaria nas minhas produções as relações raciais, o imaginário sobre o negro, faria famílias negras felizes,&amp;nbsp; registraria a história de luta e resistência do povo negro, para através da imagem desconstruir o estereótipo sobre o negro que o violenta de maneira psicológica, social e material.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;E assim seria em todas as profissões. Racista eu? Não, eu aprendi desde criança quem eu sou e ao mesmo tempo a negar quem eu sou. A sociedade tenta estabelecer limites que as vezes transgredimos e as vezes nem os percebemos, me ensina quem eu sou quando é para dizer os meus limites: periferia, violência, drogas, sofrimentos, dificuldades, pobreza, opressão, e me ensina a negar quem eu sou na hora de construir minha identidade: introjetam uma vergonha de ser negro, uma necessidade de ser o outro, o embranquecimento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Nesse processo violento eu encontrei aqueles que assim como eu perceberam que algo de errado havia nessa história, a partir desse encontro aquilo que a sociedade usou para me confundir, ora dizendo que eu não podia ir além ora dizendo que pra ser alguém eu teria que embranquecer, foi por mim transgredido, passei a amar a negritude da minha pele, e como efeito de tudo isso a identidade que eu construí foi a negra e não a humana. Eu nunca fui tratada como humana, mas sempre como “uma negrinha aos olhos da sociedade”, e o interessante foi que quando descobri o valor dessa minha identidade vieram me confundir com o discurso da miscigenação: “Somos todos brasileiros”, pena que essa nação não respeita todos os seus cidadãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Para a biologia a raça é única, a humana, mas para a sociedade não. Existe um apego as diferenças estéticas para diferenciar essa humanidade, e essa diferenciação categoriza, cria hierarquias e oprime. Para lutar contra essa opressão eu preciso dizer que a minha diferença estética não tem nada de inferior, é apenas mais uma diferença; e aqui não cabe o discurso da igualdade, porque não somos iguais nas crenças, nas escolhas, na estética, mas cabe o discurso da valorização das diferenças, que também precisam ser problematizadas, pois se constroem também em meio as relações de poder.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Enfim, não vou combater o racismo com o discurso da humanidade, e sim com a afirmação da minha identidade, uma entre as identidades humanas presentes no imaginário da sociedade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Acima, eu falei tudo que eu poderia ser, mas eu sei bem o que eu quero, sei bem o meu papel. Entre meus amigos de infância alguns morreram, outros presos, alguns não terminaram a escola, outros sim, muitos tem filhos, alguns no tráfico, a maioria explorados no subemprego, pouquíssimos estão na universidade. Talvez eu pudesse ter sido mais uma entre eles, mas no meio do meu caminho eu encontrei movimentos que me fizeram conhecer quem eu sou, da onde vim, e para onde nós deveríamos ir, e com uma mente aguçada e revolucionário passei a acreditar que eu tinha que cumprir o meu papel para e mudar esse contexto. Obrigado movimento HIP HOP e movimento negro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;23 anos contrariando as estatísticas, sou HIP HOPper e MNUísta (Militante do Movimento Negro Unificado – MNU), e desses lugares que direciono minhas ações nos espaços que estou inserida. Formada em Ciências Sociais, sou antes de tudo na universidade uma militante, trazendo para dentro do espaço acadêmico aquilo que pensamos e produzimos em nossas comunidades, porque a formação eurocêntrica ocidental não foi e não é o suficiente para mim, eu não entrei na universidade para receber conhecimento, mas para dinamizar o conhecimento. O avanço para nós pretos e pretas vai além de estar e se formar em uma universidade, mas propor também a quebra de paradigmas, ou então vamos formar uma elite preta reprodutora das mesmas formas de opressão colocadas pela elite branca na sociedade de hoje, pois a universidade esta formando a partir deste imaginário social. Sou mestranda em Antropologia, serei Pós Doc em Antropologia, e terei uma cadeira de livre docente em uma das melhores universidades do Brasil, quero a cadeira daqueles que eu não me identifico para fazer aquilo que eles não se propuseram a fazer. Eu sou a quebra de paradigmas onde quer que eu esteja.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Algumas pessoas ao ler esse texto farão a crítica de que eu estou defendendo a existência de um pensamento essencialmente negro e essencialmente branco, o que não é a minha proposta, eu apenas estou problematizando o conhecimento dentro do campo de relações de poder que ele esta estabelecido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Sou preta,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Sou mulher,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Sou jovem,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;"&gt;Sou Movimento Negro Unificado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-7159572922897737159?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/7159572922897737159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/09/se-essa-rua-se-essa-rua-fosse-minha.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/7159572922897737159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/7159572922897737159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/09/se-essa-rua-se-essa-rua-fosse-minha.html' title='Se essa rua, se essa rua fosse minha...'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-1584111153926414479</id><published>2009-09-06T10:46:00.000-07:00</published><updated>2011-10-01T04:54:13.753-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Festa de São Benedito - Tietê'/><title type='text'>Festa de São Benedito em Tietê: Patrimônio Imaterial da Comunidade Negra.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Na sua 141ª edição em 2009, a Festa de São Benedito em Tietê acontece anualmente toda ultima semana do mês de setembro, com diversas atividades em celebração a São Benedito. São Benedito é um dos poucos santos negros consagrados pela igreja católica. Filho de negros escravizados que mais tarde foram libertos, São Benedito viveu entre irmãos eremitas de São Francisco de Assis, e é sempre lembrado por sua humildade, sabedoria e solidariedade, além de ser considerado o santo protetor do povo negro. Os cultos religiosos associados a São Benedito no Brasil estão entre os mais populares.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;No período de escravidão, negros eram proibidos de praticar suas diversas manifestações culturais, mas encontravam maneiras de exercê-las as escondidas. Os momentos em que podiam manifestá-las abertamente eram nas festas católicas, único espaço de sociabilidade dos brancos em que os negros poderiam participar, e nesses momentos eles aproveitam para exercer e fortalecer seus elementos culturais. Isso explica a existência secular de festas católicas tradicionais entre comunidades negras que antecedem a abolição em 1888.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Nas celebrações culturais negras, tradicionalmente, não existia a separação entre o que se chama de sagrado e profano, festejar e cultuar as figuras religiosas são rituais interligados. Por isso, onde se encontrar as tradicionais celebrações religiosas da comunidade negra, a festa é um elemento que se une ao ritual religioso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;É uma semana de celebração a São Benedito, com atos simbólicos em sua homenagem como repique dos sinos da igreja matriz de São Benedito e estocar de rojões, novenas, bênçãos, missas, levantamento de mastros, e no ultimo dia a festa é aberta com missa festiva das irmandades, atividades culturais espalhadas pela cidade, finalizada com uma procissão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;A cidade de Tietê, ao longo de sua história, recebeu a comunidade negra de diversas localidades do estado de São Paulo, e de outros estados do Brasil para celebrar o santo negro. Famílias negras se reuniam em excursões para ir celebrar o seu santo protetor, participando da missa e criando suas rodas de samba pelas ruas da cidade. Hoje a festa recebe cerca de 60 mil visitantes, e a cidade é tomada por manifestações da cultura negra como o samba, rap, samba rock, R&amp;amp;B, charme, e uma tradição dos negros escravizados chamada de batuque, que vira a noite do sábado para o domingo no barracão da igreja católica do bairro Santa Cruz, localizado no subúrbio da cidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Por seu impacto social, político, cultural e econômico esta festa integra o calendário turístico da Secretaria de Esporte e Turismo do Estado de São Paulo através da lei nº 1162, de 2003, tendo seu parecer favorável pelas Comissões de Justiça e Esportes em 2005.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Assim como a festa de Bumba meu boi no Maranhão, a Festa de São Benedito tem que ser reconhecida como Patrimônio Imaterial, isso daria subsídios para a preservação da memória e tradição da comunidade negra que a criou, reinventou e continua lhe dando vida nos últimos domingos de setembro de todos esses anos. Segundo a UNESCO, patrimônio imaterial são "as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas - junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados - que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural." Ainda segundo o IPHAN “O Patrimônio Imaterial é transmitido de geração em geração e constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo assim para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Para que essa tradição não se perca na história, e não seja engolida pela exploração econômica das manifestações culturais, hoje se faz necessárias ações que visem o tombamento da Festa de São Benedito como Patrimônio Imaterial. Esta é uma preocupação de diversos ativistas do movimento negro do Estado de São Paulo, principalmente pelo rumo depreciativo que tem se criado sobre a festa nos últimos anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-1584111153926414479?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/1584111153926414479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/09/festa-de-sao-benedito-em-tiete.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/1584111153926414479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/1584111153926414479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/09/festa-de-sao-benedito-em-tiete.html' title='Festa de São Benedito em Tietê: Patrimônio Imaterial da Comunidade Negra.'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-7374638335064614978</id><published>2009-08-25T20:26:00.000-07:00</published><updated>2009-10-18T12:48:42.763-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Das ruas para a casa'/><title type='text'>Das ruas para a Casa: 10 anos da Casa de HIP HOP de Diadema</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpSqre4xpBI/AAAAAAAAABU/nOJ0etpnpjU/s1600-h/casa+h2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpSqre4xpBI/AAAAAAAAABU/nOJ0etpnpjU/s400/casa+h2.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;No  mês de julho de 2009 a Casa de HIP HOP de Diadema completou 10 anos,  e essa é&amp;nbsp;uma comemoração de todo o HIP HOP no país. A existência  dessa como a primeira casa de HIP HOP do Brasil proporcionou a multiplicação  dessa experiência por todo o território nacional, e isso não significou  que o HIP HOP deixou as ruas, mas que ganhou um espaço de referência  onde as pessoas podem se encontrar, trocar materiais, experiências,  sistematizar suas ideias, realizar formação e se instrumentalizar  do HIP HOP enquanto ferramenta de transformação social.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;A  Casa de HIP HOP de Diadema é&amp;nbsp;a história do HIP HOP brasileiro,  pois aonde quer que se chegue e tenha HIP HOP ela será&amp;nbsp;citada  como espaço de referência, fazendo com que a reivindicação de muitos  HIP HOPers em diversas cidades seja de ter um espaço como este, e muitas  cidades já conquistaram, seja de maneira autônoma pelo movimento local,  seja pelas instâncias públicas. Em todas as cidades, interior, litoral,  capital, a experiência desse movimento teve início nos grandes centros,  clubes praças centrais, onde manos e minas se encontravam para dançar,  conversar, escutar um bom som e trocar informações sobre o HIP HOP  que ganhava rapidamente os bairros de periferia. Mesmo ocupando as regiões  centrais o espaço de atuação sempre foram as comunidades. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;As  ações políticas e sociais do movimento HIP HOP se realizam através  do seu quinto elemento: o conhecimento. Sem o conhecimento o rap, o  break e o grafite não teriam esse caráter informativo e conscientizador  das questões sociais. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;O  conhecimento tem sido trabalhado principalmente através da atuação  das Posses de HIP HOP, que são formas de organização coletiva, ligadas  a comunidade, com uma atuação político cultural através deste movimento,  tendo como base a formação política, a construção da identidade  negra, oficinas, intervenções culturais, arrecadação de bens para  a comunidade, e a transformação da vida dos próprios atuantes dessas  organizações.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;No  ambiente racista existente na região do ABC na década de 1980, jovens  negros se encontravam nos bailes black’s que aconteciam na região,  nos clubes House, Xereta, Choppapo entre outros. Nesses espaços faziam  amizades e tinham contato com manifestações da música negra que propagavam  o orgulho “racial”. Nesse espaço tomavam consciência através  da música de um movimento que se formava nos guetos de Nova Iorque,  o movimento HIP HOP, protagonizado por jovens que enfrentavam problemas  relacionados ao racismo, pobreza, desemprego, violência, não diferente  dos problemas enfrentados por eles aqui no Brasil.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;É  a partir desses espaços que se inicia a formação HIP HOPper do ABC,  estes jovens passam a levar os elementos dessa cultura que se identificavam  para suas comunidades, mas é nos anos 90 que o HIP HOP no ABC Paulista  toma força e os seus adeptos passam a organizar-se em posses, uma delas  existentes até hoje, a Posse Hausa, que tem 16 anos e é referência  nacional como organização localizada de HIP HOP.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpSq_szFUDI/AAAAAAAAABc/mObpUejvTx0/s1600-h/nino+browm.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpSq_szFUDI/AAAAAAAAABc/mObpUejvTx0/s320/nino+browm.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=4399312002131959638&amp;amp;postID=7374638335064614978" name="0.2_graphic05"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;img alt="É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem." height="1" src="http://mail.google.com/mail/?name=d33be9805ff33117.jpg&amp;amp;attid=0.2&amp;amp;disp=vahi&amp;amp;view=att&amp;amp;th=1230d1a58aedbcc6" width="1" /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em 1999, militantes da old school  do HIP HOP do ABC, que já vinham desenvolvendo oficinas com os quatro  elementos do HIP HOP: Dj, MC, Break e Graffite na cidade, ocuparam o  espaço cultural Canhema que passou a se chamar Casa do HIP HOP de Diadema  e tornou-se hoje referência internacional. A casa é visitada por pessoas  de todo o país,&amp;nbsp; já recebeu referências internacionais, como  Afrika Babaataa, o pai do HIP HOP.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Uma  das principais característica de atuação da Casa de HIP HOP de Diadema  é&amp;nbsp;o trabalho com o 5º&amp;nbsp;elemento. Lá&amp;nbsp;podemos encontrar  um espaço para pesquisa e estudo, como a Biblioteca organizada por  King Nino Brown, um dos espaços da casa que mais me inspira, onde posso  encontrar materiais sobre a a história negra desde a experiência africana  até a experiência dos negros no mundo, materiais produzidos sobre  o HIP HOP por HIP HOPpers e pesquisadores de diversas áreas. Na biblioteca  também rola uma roda com os griots, é só sentar lá e escutar o que  a old school tem para nos ensinar, nunca saio com a mente vazia, fora  as mãos, que o nosso sacerdote King Nino Brown sempre da um material  de referência para levar pra casa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Eu  tenho um compromisso com o HIP HOP, o mesmo que aqueles que vieram antes  de mim tiveram em me ensinar tudo o que eu sei, ao me darem a oportunidade  de me integrar a esse estilo de vida, que assim como outras manifestações  negras, faz da cultura um instrumento político, e é por isso que é  compromisso dar continuidade a essa história, fazer com que a casa  de HIP HOP seja um espaço secular depois de sua primeira década de  existência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpSrPmACBrI/AAAAAAAAABk/JRL0VLrudLM/s1600-h/10+anos+de+casa.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpSrPmACBrI/AAAAAAAAABk/JRL0VLrudLM/s200/10+anos+de+casa.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=4399312002131959638&amp;amp;postID=7374638335064614978" name="0.2_graphic06"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman';"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;img alt="É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem." height="1" src="http://mail.google.com/mail/?name=d33be9805ff33117.jpg&amp;amp;attid=0.2&amp;amp;disp=vahi&amp;amp;view=att&amp;amp;th=1230d1a58aedbcc6" width="1" /&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp; Assim como qualquer outra cultura,  o HIP HOP esta passivo a se tornar uma mercadoria, pois produz música,  dança e artes plásticas. Hoje temos, principalmente através do RAP, uma forte inserção do HIP HOP nas relações de mercado onde o mesmo se produz  somente enquanto cultura sem uma atuação política e social, isso  poder ser visto principalmente através das imagens dos rappers americanos  na grande mídia, onde eles fazem música para vender, longe daquele  caráter revolucionário em que surgem as manifestações desse movimento.  Em contraste a isso temos uma resistência cultural, as organizações  em torno do HIP HOP enquanto movimento sócio-cultural.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;No  cenário mundial vemos a presença daqueles que fazem do HIP HOP um  movimento de cunho político, social e militante através da atuação  em suas comunidades, e há aqueles que atuam somente tendo como referência  o termo cultura, profissionalmente. A partir dessa polêmica surge a  seguinte discussão: Cultura ou Movimento HIP HOP?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Um  rapper chamado Jorge Hilton de Assis Miranda da banda Simples Rap’  ortagem, formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia,  deu a seguinte definição para esta discussão:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;ul&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;A Cultura  está&amp;nbsp;no Movimento, mas nem sempre o Movimento está&amp;nbsp;na Cultura;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Na Cultura  se tem artistas, no Movimento se tem arte-educadores;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;A Cultura  trabalha o lado profissional, o Movimento trabalha o lado militante;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;A Cultura  é&amp;nbsp;global (mundial), o Movimento é&amp;nbsp;local (regionalizado);&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;A Cultura  é&amp;nbsp;passível de se tornar moda, o Movimento jamais;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Objetivo  da Cultura: divulgar o Hip-Hop. Objetivo do Movimento: através do Hip-Hop  transformar a realidade;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;A Cultura  é&amp;nbsp;instrumento do Movimento, o Movimento é&amp;nbsp;filho da Cultura;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Na Cultura  se tem 4 elementos: rap, breaking, graffiti e dj. No Movimento se tem  esses 4, e mais um quinto elemento: a militância (no Movimento todos  são militantes);&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Na Cultura  se vê&amp;nbsp;atitude, no Movimento se vê&amp;nbsp;atitude e consciência;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Na Cultura  a “batalha”&amp;nbsp;é&amp;nbsp;entre os artistas, no Movimento a batalha  é&amp;nbsp;contra o sistema;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;A Cultura  mobiliza; O Movimento articula;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;A Cultura  sem Movimento é&amp;nbsp;caolha e o Movimento sem Cultura é&amp;nbsp;aleijado.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;(artigo foi  avaliação final na disciplina Sociologia do Trabalho ministrada por  Maria da Graça Druck, semestre 2005-1 na Faculdade de Filosofia e Ciências  Humanas/UFBA. Revisado em junho de 2006).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;O  HIP HOP em sua origem se caracteriza como uma forma alternativa de diversão  dos jovens negros nos guetos de Nova York, sendo uma  manifestação cultural que logo ganha um carater militante  devido à realidade racista e desigual existente no contexto em que seus atores estavam inseridos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Através  da definição de Miranda (2005) podemos entender as diferenças existentes  entre o papel das organizações de HIP HOP, e a ação dos HIP HOPPERS  profissionais. A cultura quando transformada em movimento, ou seja,  utilizada como instrumento de arregimentação política  dos HIP HOPPERS tem um caráter revolucionário, um potencial transformador  da realidade, portanto cultura e movimento se completam, mas a cultura  pode andar sozinha, produzindo elementos totalmente comerciais.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;E  você, qual é&amp;nbsp;o seu compromisso com o HIP HOP?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family: Arial;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;Jaqueline Lima Santos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-7374638335064614978?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/7374638335064614978/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/08/das-ruas-para-casa-10-anos-da-casa-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/7374638335064614978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/7374638335064614978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/08/das-ruas-para-casa-10-anos-da-casa-de.html' title='Das ruas para a Casa: 10 anos da Casa de HIP HOP de Diadema'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpSqre4xpBI/AAAAAAAAABU/nOJ0etpnpjU/s72-c/casa+h2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4399312002131959638.post-429318733247926653</id><published>2009-08-25T19:43:00.000-07:00</published><updated>2010-12-15T02:14:33.810-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='DJ KL Jay'/><title type='text'>DJ Kl Jay: 40 anos do sorriso simpático!</title><content type='html'>&lt;link href="file:///C:%5CWINDOWS%5CTEMP%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CWINDOWS%5CTEMP%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CWINDOWS%5CTEMP%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:"Cambria Math";	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;	mso-font-charset:1;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-format:other;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;}@font-face	{font-family:"Lucida Sans Unicode";	panose-1:2 11 6 2 3 5 4 2 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-2147480833 14699 0 0 63 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin:0cm;	margin-bottom:.0001pt;	mso-pagination:none;	mso-hyphenate:none;	font-size:12.0pt;	font-family:"Times New Roman","serif";	mso-fareast-font-family:"Lucida Sans Unicode";	mso-font-kerning:.5pt;	mso-fareast-language:#00FF;}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	font-size:10.0pt;	mso-ansi-font-size:10.0pt;	mso-bidi-font-size:10.0pt;}@page Section1	{size:612.0pt 792.0pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:36.0pt;	mso-footer-margin:36.0pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt; &lt;/style&gt;    &lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpSfewwmMVI/AAAAAAAAAAc/BkPI0o5k0TY/s1600-h/kl+jay.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpSfewwmMVI/AAAAAAAAAAc/BkPI0o5k0TY/s320/kl+jay.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Domingo, 09 de agosto de 2009, eu aqui me remoendo para ir pro rolê, aniversário de 40 anos do DJ Kl Jay, mas não posso, hoje tenho que fazer o que eu mais escutei esse mano falar nas manhãs do Yo Rap MTV: Estude! Esperava ansiosa por cada nova edição do programa, não piscava os olhos ao ver as cenas dos Black Panthers e as mensagens que ele passava para a juventude preta, escrevia uma carta por semana, e ficava atenta as notas de rodapé da tela da televisão esperando meu nome passar nas mensagens. Eu escrevia como a sonhadora, porque tudo que ele dizia me fazia sonhar mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando o vi pela primeira vez me emocionei, show dos Racionais MCs no Garage Club em Sorocaba, eu com meus 14 anos, cheguei na porta do rolê as 20h00, o show começava as 22h00, daqui a pouco pinta aquele ônibus de dois andares e desce os vida louca da zona sul de São Paulo, a única coisa que fiz foi falar pra ele o quanto era importante pra mim, pois suas palavras vinham mudando minha trajetória.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esse mano trabalhava de carregador de malas no terminal rodoviário do Tietê em São Paulo, começou sua trajetória de DJ&amp;nbsp; nas festinhas caseiras onde juntava os toca-discos com a tape-deck. Logo no&amp;nbsp; inicio de sua carreira formou um grupo com o parceiro Edi Rock, o Edi Night e Kl Night, e na sua vivência das ruas conheceu&amp;nbsp; os outros parceiros que viriam a formar o grupo Racionais MC's em 1988. Hoje ele é DJ, produtor musical, empresário e eu até já vi ele arriscando umas rimas por ai. Quando lançou a 4P junto com o Rapper Xis no início dos anos 90, exerceu grande influência sobre a afirmação da identidade de irmãos e irmãs pretas, pois difundiu a trajetória e ideologia de negros e negras da diáspora através das roupas que levavam a mensagem estampada no peito. Também, para a valorização e crescimento da figura do DJ, realizou desde 2002 o HIP HOP DJ. E o balanço RAP na 105 FM, eu piro com os sons que esse mano junto com Paulo Brown e Ice Blue tocam, além do Sintonia que ele tira nossos pés do chão com as suas discotecagens informativas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas porque eu parei alguns minutos a minha leitura para escrever sobre esse mano? Durante o período em que esteve no Yo RAP MTV teve um forte engajamento político com o movimento HIP HOP, difundiu idéias fundamentais para o fortalecimento da juventude preta da periferia, muito do que eu sei sobre o HIP HOP, muito do que eu sou faz parte do que esse mano ai veiculou quando teve um&amp;nbsp; dos meios de comunicação como instrumento. É um cara que valoriza a atitude das pessoas, fazendo manos e minas acreditarem sempre no que querem, se o que foi feito esta ruim, valeu ter tentando porque o Kl Jay diz que você vai melhorar e conseguir.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nem todo mundo agrada em tudo, Kl Jay tem suas opiniões convergentes e divergentes, mas ele cumpriu e anda cumprindo o seu papel, e da forma dele faz a diferença. Eu estou aqui escrevendo para valorizar a contribuição que esse preto trouxe para a minha vida, ele dizia: Nem todo mundo vai ser Rapper, DJ, Graffiteiro, B.boy, B.Girl, mas o HIP HOP cumpre uma função revolucionária nas nossas vidas, vamos estudar e tomar os espaços que queremos, vamos se afirmar e valorizar o que somos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Chega lá no Sintonia, toda quinta-feira na Alameda Franca, vai dar de cara com o sorriso simpático, ele te cumprimenta e abre o sorriso agradecendo a presença, solta o som e pira na vibração da negrada, conversa com todo mundo pelos corredores, entra nos debates, as vezes discordamos, as vezes concordamos, mas ele é essa figura ai, que inspira um monte de pretinhos e pretinhas a terem sonhos, a acreditarem na realização deles, do seu jeito, poucas palavras, com o sorriso janelinha, e formado nas ruas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p _moz-userdefined=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpShMjeB6gI/AAAAAAAAAAk/qRCs_sUFZMI/s1600-h/kl+jay+2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpShMjeB6gI/AAAAAAAAAAk/qRCs_sUFZMI/s320/kl+jay+2.jpg" style="cursor: move;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;Parabéns Kl Jay pelos seus 40 anos!&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;E que o seu progresso acompanhe o progresso&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;que trouxe para a vida da juventude preta.&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4399312002131959638-429318733247926653?l=jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/feeds/429318733247926653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/08/dj-kl-jay-40-anos-do-sorriso-simpatico.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/429318733247926653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4399312002131959638/posts/default/429318733247926653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jaquelinecontraoepistemicidio.blogspot.com/2009/08/dj-kl-jay-40-anos-do-sorriso-simpatico.html' title='DJ Kl Jay: 40 anos do sorriso simpático!'/><author><name>Jaqueline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04770980509474136812</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpS1j7vs8WI/AAAAAAAAACI/lnhufYAUIug/S220/jaquelinda.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3lEgoqv779Q/SpSfewwmMVI/AAAAAAAAAAc/BkPI0o5k0TY/s72-c/kl+jay.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
